10 de agosto de 2010

Esposa e Mãe "espiritual" de Jesus.

Francisco se tornou o líder espiritual de Clara; quando se aproximava o Domingo de Ramos, essa quis saber o como e quando sempre podia estar unida a Cristo. Concorda-se que o esponsalício ocorrerá em duas fases. No Domingo de Ramos, Clara irá vestir suas melhores roupas para misturar-se entre as pessoas. Na noite seguinte vai deixar a cidade para trocar a alegria do mundo pela sua compaixão para com os sofrimentos de Nosso Senhor.


No Domingo de Ramos, com a consagração das palmas e a procissão sempre teve o caráter de um esponsalício. Na liturgia era celebrada a entrada festiva de Jesus em Jerusalém e na linguagem mística, isso significava a celebração amorosa de Jesus com sua noiva, a Igreja. Portanto a escolha deste dia por Francisco e Clara foi muito apropriado.

No dia do Domingo de Ramos, Clara foi à igreja usando seu melhor vestido, de modo que brilhou na frente de todas as pessoas. Enquanto todos os outros passaram a ter os ramos nas mãos, manteve-se modesta em seu lugar.


O próprio Bispo desceu os degraus do altar para entregar o ramo abençoado. Na noite seguinte Clara deixou para sempre sua casa e sua cidade e foi para a capela de São Maria dos Anjos ou Porciúncula, onde foi recebida pelos frades. Ali houve o esponsalício de Clara com Cristo, seu amado Senhor e amado esposo. Os frades cortaram seus longos cabelos e depuseram o seu belo vestido e suas jóias. Ajoelhando-se diante do altar da Mãe de Deus, Clara recebeu o hábito religioso e o véu. Dessa maneira começou a Ordem das Virgens na igrejinha de Maria, a única que pode ser chamada de Virgem e Mãe. T

FREI CLEITON ROBSON,OFMCONV

6 de agosto de 2010

Palavras de Fé

"Deus escolheu os insignificantes para confundir os grandes".

São Paulo, apóstolo

Primeira sexta-feira do mês

AQUELE QUE NOS AMOU POR PRIMEIRO

Começamos nossa reflexão com um pensamento de Santo Agostinho: “Não há ninguém que não ame. A questão é saber o que se deve amar. Não somos convidados a não amar, mas sim a escolher o que devemos amar. Mas o que podemos escolher, se antes não formos escolhidos? Porque não conseguiremos amar, se antes não formos amados. Escutai o apóstolo João: Nós amamos porque ele nos amou primeiro (cf. 1Jo 4, 10). Procura saber como o homem pode amar a Deus, não encontrarás resposta, a não ser esta: Deus o amou primeiro. Deu-se a si mesmo aquele que amamos, deu-nos a capacidade de amar” (Liturgia das Horas, II, p. 642).

Somos feitos para o amor. Não há sentido em vidas humanas que vegetam, seres que nascem, crescem, morrem de qualquer jeito. Uns jogados sob as marquises, outros drogados, desesperados, sorvem os goles amargos de uma solidão inominável. Esses seres humanos que somos nós temos uma cabeça para pensar, uma vontade para querer, um coração para amar. Aliás, tudo é amor. A criança que vem ao mundo começará bem sua caminhada se puder contar com o olhar amoroso de um homem e de uma mulher, seu pai e sua mãe que quiseram efetivamente que ela viesse ao mundo e tivesse a convicção de ser estimada por eles. Crescendo com esta certeza, a criança se torna adulta e capaz, por sua vez, de querer bem. Uma existência é grande quando tecida de amor, de amor recebido e de amor concedido. Ora, amar é fazer com que o outro exista, exista em plenitude, exista apontando sempre para um melhor existir. Amar significa, não outro jeito, dar a vida aos poucos para o outro.

Num determinado momento da caminhada de uma pessoa, ela busca um concretização especial, tenta dar uma resposta ao emaranhado de sentimentos, anseios e sonhos que dentro dela fervilham. É amada pelos outros e faz a experiência de amar. Vive primeiro a amizade. No tempo da adolescência e da juventude encontra pessoas que se aproximam de seu coração. Elas, de mansinho, se instalam no seu interior. A pessoa é estimada e amada por alguém exterior ao círculo familiar. Todos temos experiências tonificantes de amizade. Amizade é um bem querer desinteressado, gratuito, não possessivo. Alguém tem a porta aberta para nós. De repente, nos vemos colocando gestos generosos e sendo até capazes de esquecer de nós mesmos. Existimos quando somos amados. Analogamente se poderia fazer a mesma reflexão no que se refere ao amor conjugal. Um homem quer bem a uma mulher. Uma mulher abriga em seu interior alguém que vem de fora. Os dois, no jogo do amor, existem e caminham na vida com galhardia.

Ora, o amor de Deus nos renova e nos faz viver. A primeira carta de João, já embutida no texto transcrito de Agostinho, diz coisas maravilhosas: “Foi assim que o amor de Deus se manifestou em nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo, para que tenhamos a vida por meio dele. Nisto consiste o amor: não fomos nós que amamos a Deus, mas foi ele que nos amou e enviou o seu Filho como vítima de reparação pelos nossos pecados. Se Deus nos amou assim, nós também devemos amar-nos uns aos outros” (1Jo 4, 9-11).

Antes que existíssemos, já fomos amados. Quando fomos formados lentamente no seio da mãe, as mãos do Criador, foram nos plasmando um pouco menor que os anjos. Nós que não existíamos, passamos a existir. Inteligência, vontade, afeto, borbulhar de sentimentos. Aos poucos fomos nos dando conta de que uma atração irresistível nos fazia buscar as estrelas. Nossa fonte estava para além de nós mesmos. Ele, o Altíssimo, quis que existíssemos. O amor nos criou. Por isso, o coração irrequieto sempre busca fonte que nos tirou do nada.

Todos conhecemos nosso drama, drama nosso e da humanidade. Temos um coração partido, fissurado. Como Paulo diz: queremos o bem, fazemos o mal. Temos uma dupla lei em nossos membros. Fomos compreendendo que o amor criador de Deus, ganhava o nome de amor redentor em Cristo Jesus. Este veio para exprimir o amor do Pai e para ser ele mesmo a encarnação do amor. Nasceu, viveu, cresceu, morreu. Uma trajetória humana. Jesus passou a vida fazendo o bem. Saindo de si. Há um momento crucial em sua trajetória. É levantado da terra ao céu. É pregado numa cruz, aquele que tinha desejo de caminhar. É desprezado e ridicularizado. Fica firme até o fim. Há um momento em que não agüenta mais e, baixando a cabeça, morre de dom, de amor, de entrega. O Deus grande que havia se instalado em Jesus de Nazaré morre de amor. Realiza em sua pessoa aquilo que antes dissera: “Não existe maior amor do que dar a vida pelos seus”. Morre, entregando-se.

Ora, quando viemos à luz, alguém nos amou criando-nos e já tínhamos a garantia de um amor restaurador por parte de Cristo Jesus. Na sua oração sacerdotal já havia pedido por nós, por todos os que um dia viessem a crer nele. No alto da cruz, na tarde das dores, ele já tinha garantido seu bem querer por nós. Somos felizardos!!! E, no final de tudo, digamos mesmo para cúmulo de tudo, Jesus permitiu que seu peito fosse aberto pela lança do soldado. E através desta fenda ficamos sabendo que ele nos amou antes de tudo. Assim, como humanamente vivemos somente quando somos amados, da mesma forma em nosso ser mais íntimo, olhando o peito aberto do Senhor temos a certeza de que podemos viver. Alguém nos ama. E cabe repetir o pensamento de João no versículo da Carta antes mencionada: “Se Deus nos amou assim, nós também devemos amar-nos uns aos outros”. Os verdadeiros devotos do Coração de Jesus têm certeza dessa atmosfera de amor que lhes vem do dom de Cristo e de seu Coração aberto e por isso, apesar de suas falhas, tentam viver de amor.

O que ama acolhe o amado em seu interior. O Coração de Jesus é o espaço de amor que nos abriga e nos fortalece para ir através do mundo dizendo a única coisa que conta é o amor.

4 de agosto de 2010

"A mais bela profissão do homem é rezar e amar!"

"A mais bela profissão do homem é rezar e amar!"

Do Catecismo de São João Maria Vianney, presbítero
(Catéchisme sur la prière: A.Monnin, Esprit du Curé d’Ars, Paris1 899, pp.87-89)

Do Catecismo de São João Maria Vianney, presbítero
(Catéchisme sur la prière: A.Monnin, Esprit du Curé d’Ars, Paris1 899, pp.87-89)

Prestai atenção, meus filhinhos: o tesouro do cristão não está na terra, mas nos céus. Por isso, o nosso pensamento deve estar voltado para onde está o nosso tesouro. Esta é a mais bela profissão do homem: rezar e amar. Se rezais e amais, eis aí a felicidade do homem sobre a terra.


A oração nada mais é do que a união com Deus. Quando alguém tem o coração puro e unido a Deus, sente em si mesmo uma suavidade e doçura que inebria, e uma luz maravilhosa que o envolve. Nesta íntima união, Deus e a alma são como dois pedaços de cera, fundidos num só, de tal modo que ninguém pode mais separar. Como é bela esta união de Deus com sua pequenina criatura! É uma felicidade impossível de se compreender.

Nós nos havíamos tornado indignos de rezar. Deus, porém, na sua bondade, permitiu-nos falar com ele. Nossa oração é o incenso que mais lhe agrada. Meus filhinhos, o vosso coração é por demais pequeno, mas a oração o dilata e torna capaz de amar a Deus. A oração faz saborear antecipadamente a felicidade do céu; é como o mel que se derrama sobre a alma e faz com que tudo nos seja doce. Na oração bem feita, os sofrimentos desaparecem, como a neve que se derrete sob os raios do sol.

Outro benefício que nos é dado pela oração: o tempo passa tão depressa e com tanta satisfação para o homem, que nem se percebe sua duração. Escutai: certa vez, quando eu era pároco em Bresse, tive que percorrer grandes distâncias para substituir quase todos os meus colegas que estavam doentes; nessas intermináveis caminhadas, rezava ao bom Senhor e – podeis crer! – o tempo não me parecia longo.

Há pessoas que mergulham profundamente na oração, como peixes na água, porque estão inteiramente entregues a Deus. Não há divisões em seus corações. Ó como eu amo estas almas generosas! São Francisco de Assis e Santa Clara viam nosso Senhor e conversavam com ele do mesmo modo como nós conversamos uns com os outros.

Nós, ao invés, quantas vezes entramos na Igreja sem saber o que iremos pedir. E, no entanto, sempre que vamos ter com alguém, sabemos perfeitamente o motivo por que vamos. Há até mesmo pessoas que parecem falar com Deus deste modo: “Só tenho duas palavras para vos dizer e logo ficar livre de vós.”. Muitas vezes penso nisto: quando vamos adorar a Deus, podemos alcançar tudo o que desejamos, se o pedirmos com fé viva e coração puro. T

FREI CLEITON ROBSON,OFMCONV.

2 de agosto de 2010

2 de Agosto - Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula

O Seráfico Pai Francisco, por singular devoção à Santíssima Virgem, consagrou especial afeição à capela de Nossa Senhora dos Anjos ou da Porciúncula. Aí deu inicio a Ordem dos Frades Menores e preparou a fundação das Clarissas; e aí completou felizmente o curso de seus dias sobre a terra. Foi também aí que o Santo Pai alcançou a célebre Indulgência, que os Sumos Pontífices confirmaram e estenderam a outras muitas igrejas. Para celebrar tanto e tão grandes favores ali recebidos de Deus, instituiu-se também a festa Litúrgica, como aniversário da consagração da pequenina ermida.

ORAÇÃO - Fazei, ó Deus, que, ao celebrarmos a gloriosa memória da Virgem Maria, Rainha dos Anjos, possamos também por sua intercessão, participar da plenitude da vossa graça. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

ESPECIAL