Dr. Frei Antônio Moser, OFM
As chamadas da mídia não deixam dúvidas: Para muitos Páscoa virou sinônimo de “feriadão”, por excelência. Ao lado de outros feriadões resultantes de “esticadas” e “pontes” geniosamente criadas por quem deseja quebrar a monotonia da vida, o “feriadão” da Páscoa é sempre aguardado com ansiedade.
Ademais, é nessa época que, além das ofertas de viagens maravilhosas, todo tipo de peixe vem exaltado como sendo a única “obrigação” gostosa, resultante de um antigo mandamento da Igreja: não comer carne na sexta feira santa.
Tendo em vista esse contexto, onde um sempre maior número de pessoas parece ir se distanciando de suas origens, talvez não seja demais recordar a importância do mistério pascal não só para os cristãos, mas para todas as pessoas que ainda conservam um mínimo de sensibilidade religiosa.
Antes de mais nada, embora agora inseparavelmente ligada à figura do Cristo que triunfa da morte, a Páscoa tem raízes muito antigas e muito profundas também para os israelitas. Cristo deu uma nova dimensão àquele mesmo mistério de um Deus Salvador que intervém na história humana para libertar seu povo de todos os tipos de escravidão. É o mistério de um Deus que caminha com seu povo seja através do deserto do Sinai, seja através dos desertos que de um modo ou de outro se fazem presentes na vida de todos os mortais. O importante é observar que esse Deus que caminha com a humanidade o faz sempre indicando uma mesma direção: a terra da promessa.
Foi tendo vivamente presente os acontecimentos da Paixão, morte e ressurreição de Cristo que desde os seus primórdios os seguidores dele passaram espontaneamente a celebrar a quinta, a sexta e o sábado que precedem a Páscoa da Ressurreição como o “tríduo pascal”. E com o tempo não se contentaram apenas com o tríduo, mas passaram a celebrar o que denominaram de “a grande semana”, que se inicia com o domingo de ramos.
Para quem acompanha com atenção a riqueza das celebrações litúrgicas, ficam evidenciados sentimentos contrastantes, mas que são aqueles que mais caracterizam a vida humana: angústia e esperança, tristeza e alegria. Claro que o tom dominante, mesmo da sexta feira da Paixão, é o da esperança e da certeza de que após a cruz vem a ressurreição.
Por fim, talvez não seja demais lembrar que muitas vezes as manchetes enganam, passando a impressão de que “todo mundo” abraça o feriadão, esquecendo o mistério pascal. E, contudo, um olhar mais atento à realidade, não deixará de nos garantir que milhões e milhões de pessoas não deixam de “sintonizar” com a razão de ser dessa semana tão especial. Milhões de pessoas no Brasil e pelo mundo afora, através de um grande número de procissões e rituais diversificados, vai muito além do que aos olhos dos “leigos” distanciados de suas raízes religiosas e até mesmo culturais podem alcançar.
Não se trata de mero folclore, mas de uma expressão, ainda que por vezes confusa, de uma espécie de anseio humano de se reencontrar com as aspirações mais profundas do seu ser. Para quem vai além das aparências, até mesmo na busca do melhor peixe para a sexta feira santa, ou de um saboroso chocolate para a Páscoa, esconde-se a figura do Cristo estampada nas catacumbas e em monumentos religiosos através de sinais misteriosos. Os pagãos nada entendem, mas os que não se fecharam às suas origens ao menos intuem que a Páscoa é mais que um “feriadão”: é uma “grande semana” na qual vivenciamos os mistérios da vida de Cristo e os mistérios da nossa própria vida.
(*) PROF. DR. ANTÔNIO MOSER - É frade da Província Franciscana da Imaculada Conceição, teólogo, professor do ITF e assessor da CNBB para assuntos de Bioética
Texto extraído de : http://www.franciscanos.org.br/
14 de abril de 2014
13 de abril de 2014
A entrada em Jerusalém – O Messias pobre e desarmado
Mateus 21,1-5: O Messias pobre e desarmado
A cena da entrada de Jesus em Jerusalém revela a sua identidade como Messias pobre e desarmado. Jesus mesmo toma as providências para entrar na cidade montado num jumentinho, o transporte dos pobres daquela época. Ao narrar este episódio, Mateus se inspira na tradição profética. Para dar à cena o sentido do cumprimento da profecia, ele cita literalmente o texto de Zacarias 9,9: “Dizei à Filha de Sião: eis que o teu rei vem a ti. Ele é manso e está montado num jumento, num jumentinho, cria de um animal de carga!”
Mateus 21,6-7: Acolher Jesus tal como ele se revela e se apresenta
Os discípulos são encarregados de preparar o animal para a entrada de Jesus na cidade. Eles vão e fazem exatamente como Jesus mandou. Por trás desta narração, tem um recado para as comunidades: verdadeiro discípulo é aquele que aceita Jesus do jeito que ele é e quer ser, e não do jeito que elas gostariam que ele fosse. Se Jesus se fez Messias pobre e desarmado, não podem fazer dele um messias glorioso e poderoso.
Mateus 21,8-9: Eles queriam um grande rei
A multidão reage entusiasmada, estendendo seus mantos no chão para Jesus passar, e grita: “Hosana ao Filho de Davi!” Eles reconhecem em Jesus o Messias, o descendente do rei Davi. “Eles queriam um grande rei, que fosse forte e dominador!” Jesus não apreciava muito este título de “Filho de Davi” e chegou a questioná-lo (Mt 22,41-46). Pelo seu jeito de entrar na cidade, sentado num jumentinho, ele dizia que a sua maneira de ser rei era diferente.
Mateus 21,10-11: Quem é este?
A entrada de Jesus em Jerusalém questiona o povo da cidade. Ele fica abalado, agita- do e pergunta-se: “Afinal, quem é este que a multidão acolhe como rei messiânico? Por que ele vem como um pobre?”
1. As várias imagens de Messias
A causa do desencontro entre Jesus e o povo tinha a ver com a esperança messiânica. Havia entre os judeus uma grande variedade de expectativas. De acordo com as diferentes interpretações das profecias, havia gente que esperava um Messias Rei (Mt 27,11). Outros, um Messias Santo ou Sacerdote (Mc 1,24). Outros, um Messias Guerrilheiro subversivo (Lc 23,5; Mc 15,6; 13,6-8). Outros, um Messias Doutor (Jo 4,25). Outros, um Messias Juiz (Lc 3,5-9; Mc 1,8;). Outros, um Messias Profeta (Mt 21,11). Ao que parece, ninguém esperava o Messias Servo, anunciado pelo profeta Isaías (Is 42,1; 49,3; 52,13). Eles não se lembraram de valorizar a esperança messiânica como serviço do povo de Deus à humanidade. Cada um, conforme os seus próprios interesses e conforme a sua classe social, aguardava o Messias, livrinho na mão, querendo encaixá-lo na sua própria esperança. Por isso, o título Messias, dependendo da pessoa ou da posição social, podia significar coisas bem diferentes. Havia muita mistura de ideias.
2.Os ramos na festa da entrada de Jesus
Hoje celebramos a entrada de Jesus em Jerusalém com ramos. A origem desta aclamação vem da Festa das Tendas, que era realizada no outono, depois da colheita (Dt 16,13; Lv 23,34). Ela lembrava o tempo em que o povo israelita fazia sua caminhada pelo deserto (Lv 23,43), morando em tendas. Por isso, durante uma semana, eles recolhiam ramagens e formavam tendas por toda parte (Ne 8,14-17). O povo agitava os ramos e dizia: “Bendito o que vem em nome do Senhor”. E os sacerdotes respondiam: “Da casa de Javé nós vos abençoamos” (Sl 118,25-27). A Festa das Tendas era um momento de alegria e de louvor, que mantinha a identidade do povo e lhe dava resistência.
[Mester, Lopes e Orofino] – Mais informações: http//www.cebi.org.br
12 de abril de 2014
A Semana Santa
Frei Alberto Beckhäuser
Apresentamos aqui uma visão de conjunto da Semana Santa. Deveríamos partir sempre da celebração do Tríduo pascal da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor, com especial destaque à Vigília da Páscoa.
A Vigília pascal constitui o núcleo central de toda a Semana Santa. Por isso mesmo deveria estar em primeiro lugar em toda a ação pastoral. Importa encontrar formas e meios para trazer a Vigília pascal à prática dos cristãos mais conscientes.
O Domingo de Ramos pode ser chamado de abertura do retiro anual das comunidades eclesiais. O dia litúrgico é um tanto sobrecarregado. Chama-se hoje: Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. Os mistérios evocados são vastos. Quem sabe, se poderia dar destaque à procissão de ramos na Missa de sábado à noite e realçar, no Domingo, a Paixão do Senhor. Talvez a 2ª leitura do Domingo, a carta de São Paulo aos Filipenses 2, 6-11, possa dar a chave para a compreensão dos dois aspectos: a Entrada triunfal de Jesus e a Paixão. Cristo humilhou-se… Deus o exaltou. A certeza da palma da vitória sobre o pecado e a morte em Cristo deve acompanhar os cristãos na contemplação dos passos da Paixão durante toda a Semana Santa.
Na segunda, terça e quarta-feira da Semana Santa, a Igreja contempla o Servo sofredor, aparecendo, como figuras eloqüentes, Maria Madalena que perfuma o corpo do Senhor, Pedro e Judas. A Igreja prepara-se para o Tríduo pascal.
A Quinta-feira Santa é de uma riqueza muito grande. Oferece dois momentos. A Liturgia do Santo Crisma na parte da manhã em que, profeticamente, celebra os sacramentos onde ocorre a sagrada unção: Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordem. Na Missa vespertina já temos o início do Tríduo pascal. Celebram-se os mistérios da última Ceia: o novo mandamento, pelo lava-pés, a Eucaristia e o sacerdócio ministerial. Tudo isso, pela entrega de Jesus para ser crucificado, pela entrega de Jesus em cada Santa Missa, pela entrega dos cristãos pelo amor fraterno.
Na Sexta-feira Santa, a Igreja não celebra a Eucaristia. Ela permanece em jejum. Comemora a Morte de Cristo por uma Celebração da Palavra de Deus, constando de leituras bíblicas, de Preces solenes, adoração da Cruz e Comunhão sacramental.
No Sábado Santo, com início na Sexta, a Igreja celebra a Sepultura do Senhor, sobretudo através da Liturgia das Horas, aguardando na esperança a ressurreição do Senhor. A comemoração da Sepultura do Senhor é enriquecida na piedade popular pelo descendimento da Cruz e a procissão do Senhor Morto.
Celebração Popular da Semana Santa.
Em muitas regiões do Brasil, com especial destaque para Minas Gerais, encontramos expressões populares na celebração da Semana Santa. Vários foram os motivos que levaram a isso. Entre eles estão certamente a língua, a clericalização da liturgia e seu caráter muito intelectual. Criou-se, assim, um certo paralelismo entre a Liturgia romana e a expressão popular. Importa, no entanto, compreender e valorizar essas formas populares, para, a partir delas, se chegar a uma vivência maior dos mistérios de Cristo pelo Rito romano e realizar uma possível integração das expressões populares.
A celebração popular da Semana Santa comemora essencialmente o mesmo Tríduo pascal da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor. Ela o faz ao ar livre através de procissões.
Assim, os Passos da Paixão são vividos na Procissão do Encontro. Podemos valorizar todo um conteúdo ligado ao encontro entre Deus e a humanidade, depois do desencontro por causa do pecado. O encontro de Jesus com sua Santíssima Mãe no caminho do Calvário representa o encontro da humanidade com seu Deus, encontro que passa pelo mistério da cruz. Esta procissão é realizada no Domingo de Ramos, na Terça ou na Quarta-feira da Semana Santa. Isso tem seu motivo. Na Liturgia anterior à reforma da Semana Santa, nesses dias se proclamava a Paixão de Jesus conforme os sinóticos. A agonia e a morte de Jesus recebem um destaque especial através do Sermão das Sete Palavras. Trata-se de uma celebração da Palavra de Deus, com proclamação da Palavra, o canto, a homilia e a oração, em sete etapas.
A Sepultura do Senhor é comemorada pelo Descendimento da Cruz, com pregação, a Procissão do Senhor morto e o sermão da Soledade. Tendo sido a semente lançada à terra, o Senhor repousa na esperança da ressurreição.
Finalmente, temos a Procissão do Senhor ressuscitado, realizada, em geral, após a Missa da Vigília. Em outros lugares, na madrugada ou na manhã da Páscoa. É a procissão do triunfo de Jesus Cristo sobre a morte, vivo e presente na Igreja, sobretudo no mistério da Eucaristia.
Às vezes, temos uma quarta procissão, sem contar outras procissões de menor importância: a do Triunfo de Nossa Senhora. Em certas cidades é realizada na tarde do Domingo da Páscoa. A humanidade triunfante com Cristo é representada por Maria. Outras vezes ela é solenemente coroada após a Procissão da Ressurreição do Senhor.
A participação popular caracteriza as celebrações: os leigos são os agentes, enquanto o clero acompanha. Sobressaem a linguagem visual e a ação, sobretudo pelo andar.
(*) texto do livro ” Viver o Ano Litúrgico”, de Frei Alberto Beckhäuser
Apresentamos aqui uma visão de conjunto da Semana Santa. Deveríamos partir sempre da celebração do Tríduo pascal da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor, com especial destaque à Vigília da Páscoa.
A Vigília pascal constitui o núcleo central de toda a Semana Santa. Por isso mesmo deveria estar em primeiro lugar em toda a ação pastoral. Importa encontrar formas e meios para trazer a Vigília pascal à prática dos cristãos mais conscientes.
O Domingo de Ramos pode ser chamado de abertura do retiro anual das comunidades eclesiais. O dia litúrgico é um tanto sobrecarregado. Chama-se hoje: Domingo de Ramos e da Paixão do Senhor. Os mistérios evocados são vastos. Quem sabe, se poderia dar destaque à procissão de ramos na Missa de sábado à noite e realçar, no Domingo, a Paixão do Senhor. Talvez a 2ª leitura do Domingo, a carta de São Paulo aos Filipenses 2, 6-11, possa dar a chave para a compreensão dos dois aspectos: a Entrada triunfal de Jesus e a Paixão. Cristo humilhou-se… Deus o exaltou. A certeza da palma da vitória sobre o pecado e a morte em Cristo deve acompanhar os cristãos na contemplação dos passos da Paixão durante toda a Semana Santa.
Na segunda, terça e quarta-feira da Semana Santa, a Igreja contempla o Servo sofredor, aparecendo, como figuras eloqüentes, Maria Madalena que perfuma o corpo do Senhor, Pedro e Judas. A Igreja prepara-se para o Tríduo pascal.
A Quinta-feira Santa é de uma riqueza muito grande. Oferece dois momentos. A Liturgia do Santo Crisma na parte da manhã em que, profeticamente, celebra os sacramentos onde ocorre a sagrada unção: Batismo, Crisma, Unção dos Enfermos e Ordem. Na Missa vespertina já temos o início do Tríduo pascal. Celebram-se os mistérios da última Ceia: o novo mandamento, pelo lava-pés, a Eucaristia e o sacerdócio ministerial. Tudo isso, pela entrega de Jesus para ser crucificado, pela entrega de Jesus em cada Santa Missa, pela entrega dos cristãos pelo amor fraterno.
Na Sexta-feira Santa, a Igreja não celebra a Eucaristia. Ela permanece em jejum. Comemora a Morte de Cristo por uma Celebração da Palavra de Deus, constando de leituras bíblicas, de Preces solenes, adoração da Cruz e Comunhão sacramental.
No Sábado Santo, com início na Sexta, a Igreja celebra a Sepultura do Senhor, sobretudo através da Liturgia das Horas, aguardando na esperança a ressurreição do Senhor. A comemoração da Sepultura do Senhor é enriquecida na piedade popular pelo descendimento da Cruz e a procissão do Senhor Morto.
Celebração Popular da Semana Santa.
Em muitas regiões do Brasil, com especial destaque para Minas Gerais, encontramos expressões populares na celebração da Semana Santa. Vários foram os motivos que levaram a isso. Entre eles estão certamente a língua, a clericalização da liturgia e seu caráter muito intelectual. Criou-se, assim, um certo paralelismo entre a Liturgia romana e a expressão popular. Importa, no entanto, compreender e valorizar essas formas populares, para, a partir delas, se chegar a uma vivência maior dos mistérios de Cristo pelo Rito romano e realizar uma possível integração das expressões populares.
A celebração popular da Semana Santa comemora essencialmente o mesmo Tríduo pascal da Paixão-Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor. Ela o faz ao ar livre através de procissões.
Assim, os Passos da Paixão são vividos na Procissão do Encontro. Podemos valorizar todo um conteúdo ligado ao encontro entre Deus e a humanidade, depois do desencontro por causa do pecado. O encontro de Jesus com sua Santíssima Mãe no caminho do Calvário representa o encontro da humanidade com seu Deus, encontro que passa pelo mistério da cruz. Esta procissão é realizada no Domingo de Ramos, na Terça ou na Quarta-feira da Semana Santa. Isso tem seu motivo. Na Liturgia anterior à reforma da Semana Santa, nesses dias se proclamava a Paixão de Jesus conforme os sinóticos. A agonia e a morte de Jesus recebem um destaque especial através do Sermão das Sete Palavras. Trata-se de uma celebração da Palavra de Deus, com proclamação da Palavra, o canto, a homilia e a oração, em sete etapas.
A Sepultura do Senhor é comemorada pelo Descendimento da Cruz, com pregação, a Procissão do Senhor morto e o sermão da Soledade. Tendo sido a semente lançada à terra, o Senhor repousa na esperança da ressurreição.
Finalmente, temos a Procissão do Senhor ressuscitado, realizada, em geral, após a Missa da Vigília. Em outros lugares, na madrugada ou na manhã da Páscoa. É a procissão do triunfo de Jesus Cristo sobre a morte, vivo e presente na Igreja, sobretudo no mistério da Eucaristia.
Às vezes, temos uma quarta procissão, sem contar outras procissões de menor importância: a do Triunfo de Nossa Senhora. Em certas cidades é realizada na tarde do Domingo da Páscoa. A humanidade triunfante com Cristo é representada por Maria. Outras vezes ela é solenemente coroada após a Procissão da Ressurreição do Senhor.
A participação popular caracteriza as celebrações: os leigos são os agentes, enquanto o clero acompanha. Sobressaem a linguagem visual e a ação, sobretudo pelo andar.
(*) texto do livro ” Viver o Ano Litúrgico”, de Frei Alberto Beckhäuser
4 de abril de 2014
Naquela tarde… Naquele entardecer de tanta solidão.

Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM
Desde a nossa mais tenra infância, nós cristãos, temos o hábito de contemplar a cruz do Senhor. De tantas árvores da terra, alguns pedaços de madeira “compuseram” a cruz. Uma haste vertical e outra horizontal. Madeira que veio da terra e foi novamente fincada na terra naquela tarde de tanta solidão. Uma árvore que teria um fruto inaudito: o Filho do Altíssimo feito dom para a vida do mundo. Um homem jovem, sem apoios, sem defensores, sem advogados. Fora dos muros de Jerusalém. Um pequeno grupo de seguidores meio acovardados, umas mulheres fiéis, e o desrespeito para com um homem, o Homem.
Ele tinha sido o desejo mais sonhado do Altíssimo. Deus quis viver nossa vida, comer nossa comida, sonhar nossos sonhos. Veio na simplicidade de uma criança, percorreu os caminhos da terra, abriu fendas em corações empedernidos, reuniu pessoas, compôs um grupo de seguidores.
Deixou que os soldados abrissem uma brecha em seu coração. É rejeitado. Veio para o que era seu e os seus não o receberam. Sentiu dor profunda ao constatar que Jerusalém ia se fechando aos seus apelos e pedidos de conversão. O horizonte foi se obstruindo. O próprio Pai foi se fazendo ausente, mas nunca tão próximo do Filho, esse no qual ele havia colocado toda as suas complacências. Os soldados estavam apressados em acabar com tudo aquilo. Era a véspera da grande solenidade e todos queriam ir para o seio de suas famílias para comerem a páscoa. Mal sabiam eles que ali, na insignificância daquele cenário estava surgindo a páscoa nova, estava se oferecendo o verdadeiro cordeiro.
Necessário se faz enaltecer esse momento. São Teodoro Estudita nos pega pela mão e nos faz contemplar o Mistério da sexta-feira santa e o esplendor da cruz: “Ó precioso dom da cruz! Vede o esplendor de sua forma! Não mostra apenas uma imagem mesclada de bem e de mal, como aquela árvore do Paraíso, mas totalmente bela e magnífica para a vista e o paladar. É uma árvore que não gera a morte, mas a vida; que não difunde as trevas, mas a luz; que não expulsa do Paraíso, mas nele introduz. A esta árvore subiu Cristo como um rei que sobe no carro triunfal, e venceu o demônio, detentor do poder da morte, para libertar o gênero humano da escravidão do tirano. Sobre esta árvore o Senhor, como um valente guerreiro, ferido durante o combate em suas mãos, nos pés e em seu lado divino, curou as chagas de nossos pecados, isto é, curou a nossa natureza ferida pela serpente venenosa”.
São Teodoro lembra-nos mais uma vez o “lado divino”, o lado do coração, o esvaziamento do coração, o amor que vai até o fim. A contemplação da cruz e do lado aberto de Jesus nos levam ao fundo de nós e faz com que sejamos invadidos por um sentimento de perplexidade. Mais o Senhor não podia fazer. Somos renovados, renascemos desse lado aberto, arreganhadamente aberto.
Naquela tarde… naquele entardecer de tanta solidão e, ao mesmo tempo, tanto amor. Cada primeira sexta-feira do mês é tempo de contemplar o amor do Senhor que prepara um abrigo para nós na brecha de seu coração.
3 de abril de 2014
Pensamentos positivos
“O homem pode mudar sua vida, mudando seu pensamento” (William James).
Você pode melhorar sua vida somente mudando seu pensamento. Então, pare de pensar no que deu errado ou no que pode dar errado. Pense no lado bom das coisas, povoe sua mente com pensamentos positivos. Não porque basta você acreditar que vai, mas sim porque você acredita e você age para isso acontecer.
A excelência não está em atos esporádicos e em ideias brilhantes isoladas. Ela está na prática cotidiana, no esforço repetitivo de melhorar, avaliando e progredido diariamente. A excelência vai tornando-se um hábito, pois aprendo que devo crescer e melhorar sempre. Então, pense positivo, seja criativo e persevere em suas buscas e ideais…
Frei Paulo Sérgio, ofm
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