29 de abril de 2011

Meditação Diária


A razão é nossa capacidade de analisar a realidade, de perceber as situações e tomar atitude diante dos fatos. Somos nós que fazemos a vida, percorremos seus caminhos, optamos e tomamos decisão. Somos nós que decidimos pela guerra ou pela paz. Quando acontecem guerras externas, são porque elas acontecem dentro das pessoas. As guerras são uma projeção de nossos conflitos interiores.

Se você constrói um mundo de paz, equilíbrio e amor dentro de você mesmo, com certeza será capaz de propagar e vivenciar a paz com as pessoas. Faça da paz um caminho de vida. Reconcilie-se consigo mesmo. Perdoe suas fraquezas e limites. Ame-se a si mesmo e será capaz de amar as pessoas como manifestação amorosa de Deus...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

24 de abril de 2011

Queridos e amados irmãos e irmãs: na alegria da ressurreição quero cumprimentá-los e saudá-los. Que esta alegria plena esteja na alma e no coração de todos vocês!

Hoje celebramos anualmente a grande festa da Páscoa. Hoje é o dia da maior alegria dos cristãos: a vida venceu a morte! Jesus é vencedor de todo mal, de todo pecado. Jesus é o Vencedor e nos faz vencedores por Seu poder!

Como Pedro comunicou esta grande mensagem, somos também enviados a proclamar esta grande notícia: o caminho da vida descortina-se diante de nós, somos vencedores pelo poder de Jesus ressuscitado!
Páscoa á passagem da morte para a Vida. Jesus nos fez passar com Ele e agora caminha conosco. Jesus ressuscitado é o sentido maior de nossa existência. Com Ele não mais morremos, mas passaremos pela morte, para dar o grande salto para a Vida plena.

Cantemos alegremente o grande aleluia, o hino de louvor. Expressemos nossa fé erguendo nossas mãos limpas para o céu. Estendemo-las também na direção das pessoas numa grande corrente de fé, de esperança e solidariedade.

Feliz e Santa páscoa. Feliz vitória. Feliz renovação da vida. Feliz esperança. Feliz páscoa amados e amadas. Que a paz de Jesus, o ressuscitado, esteja sempre com cada um de vocês!

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

22 de abril de 2011

Meditação Diária

Queridos amigos (as): que a paz de Jesus Nosso Senhor esteja sempre com vocês!

Jesus abraçou a cruz por fidelidade à missão que o Pai lhe confiou. Hoje, sexta-feira da paixão, nos unimos a Jesus, servo sofredor, e acompanhamos seus passos até o monte do Calvário. É um dia de profundo silêncio e contemplação: como Deus pode amar-nos deste jeito? Como Deus pôde dar seu próprio Filho por amor a cada um de nós?

Caros amigos (as), a fé bem sabemos, é um mistério. Ela é também um dom de Deus, dom que nos faz acreditar que somente Deus pode nos amar assim: sem limites, totalmente, eternamente... Por isso, neste dia somos convidados a meditar nesse amor apaixonado de Deus pela humanidade.

Para anunciar o reino de Deus Jesus enfrenta o poder do mal, as forças da escuridão que não querem o amor reinando no mundo. Jesus não volta atrás, não teme a própria morte: enfrenta os representantes religiosos que não queriam a libertação e a vida para o povo. Jesus enfrenta Pilatos e o poder de um império que dominava, sufocava e matava toda manifestação pela liberdade e pela vida.

Vivamos esse dia em espírito de oração e solidariedade em favor de todos os crucificados do nosso tempo: pais e mães que perdem os filhos em acidentes sem sentido, no alcoolismo e nas drogas. Estejamos em comunhão com aqueles que morrem por professar a fé no Deus da Vida! Que nosso jejum esteja em comunhão com os doentes sem atendimento, com os pobres sem alimento, com todas as dores e sofrimentos do mundo.

Com Jesus, aprendamos a amar verdadeiramente: com atitudes concretas, com gestos afetuosos, com ação transformadora. Que nossa oração seja fraterna e solidária. Que nossa oração sincera seja acolhida pelo amor do Deus da Vida!

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

17 de abril de 2011

A Semana Santa

Sem dúvida, a Semana Santa é o ponto mais alto da vida da Igreja. Do domingo dos Ramos até a festa da Páscoa, vivemos momentos de profunda intimidade com o Mestre que deu a vida para os seus e ressuscitou para inaugurar um mundo novo.

Os cristãos celebram, no Domingo de Ramos, a entrada gloriosa de Jesus em Jerusalém. Todos aclamamos Cristo como nosso Rei e, com os lábios e gestos, o proclamamos o Rei bendito que deveria vir.

Na quinta-feira, na Quinta-Feira do Sacerdócio, da Ceia e do Lavapés, encontramos o Mestre novamente. Na véspera de sua paixão, amando os seus até o fim, Jesus se toma servo humilde. Dá a entender que os seus serão pessoas disponíveis para o serviço de todos. Uma das grandes formas de missão em nossos dias é servir ao homem que tem seus direitos pisoteados, sua dignidade aviltada, suas chagas mais abertas do que nunca.

Quinta-feira Santa é dia do Mandamento Novo. O lavapés torna-se nosso estilo de vida. O Testamento de Jesus é que nos amemos e o amor comporta o dom do coração que se traduz no delicado e persistente serviço.

Quinta-feira Santa é dia da Eucaristia. O Senhor se entregou antecipadamente aos seus no mistério do pão e do vinho generoso. Todos os dias, a Igreja renova essa memória do Senhor que foi instituída na Quinta-feira Santa. Na liturgia, canta-se o Glória e os ministros se revestem da cor alegre que é o branco.

Na Sexta-feira Santa, comemoramos a paixão dolorida do Senhor. Preso, traído, julgado, esbofeteado, maltratado, Jesus foi levado até a colina do Calvário. Abandonado de todos, tem apenas Maria e João a seus pés. Morre de amor para a vida do mundo e para instaurar o Reino da docilidade aos desígnios do Pai.

A Liturgia deste dia é sóbria, mas majestosa. Ouve-se a Paixão segundo São João, venera-se a cruz, suplica-se por todas as necessidades e, sem missa, os fiéis comungam da Eucaristia consagrada na Quinta-feira Santa. Este é um dia de contemplação silenciosa do Amor que se faz oferenda irrestrita.

Sábado Santo é dia de espera da ressurreição. Não é Sábado de Aleluia, mas Sábado Santo. Não há sentido algum em se fazer bailes estridentes e barulhentos. Os discípulos do Senhor se recolhem durante o dia. À noite celebram eles a Solene Vigília Pascal. Cantos, fogo, círio, gritos de vitória. Cristo ressuscitou. A vitória está assegurada. Aleluia, Cristo, nossa Páscoa, ressuscitou.

Viver a Semana Santa não é participar de um espetáculo. Não significa somente ter "pena" de Jesus. É celebração que engaja a todos. Estamos todos convictos de que Jesus, por sua vida, paixão, morte e ressurreição é o centro do mundo e da história. As comunidades cristãs, conscientes do fato, vivem o mistério pascal em suas vidas.

Quando relembram os fatos salvíficos, engajam-se e comprometem-se mais profundamente no mistério de Cristo. Desejam dar sua colaboração no sentido de que essa salvação, celebrada na liturgia, atinja praticamente a todos e instale estruturas do mundo novo do Senhor na terra cansada dos homens.

Extraído Almanaque Santo Antônio, Editora Vozes.

15 de abril de 2011

Conhecendo Clara de Assis

Podemos dizer que sem Clara a experiência de Francisco é incompleta; ela é um testemunho excepcional da herança do ideal evangélico que nasce em Assis e incendeia o mundo há 800 anos. Ela é a versão feminina do ideal franciscano.

Clara e Francisco são arquétipos humanos e protótipos da encarnação do evangelho; uma rigorosa mudança pessoal, uma cordial vivência fraterna, uma conversão de ternura e cuidado, um verdadeiro encontro entre espírito e afeto.

Em Clara, Francisco encontra o seu coração de mãe; em Francisco, Clara encontra o seu coração de irmã.

O conhecimento do espírito e dos projetos do Movimento de Assis permaneceria incompleto sem Clara, ela que seguiu de perto a nova vida e as práticas do início da nossa forma de viver. "Clara assimilou profundamente o espírito de Francisco, conservando em si o estado mais puro deste espírito. O seu testemunho é digno da mais alta consideração" (K. Esser).

Até os inícios do século XX pode-se dizer que a vida de Clara era conhecida somente através de biografias cheias de devoção, baseadas sobre a sua Legenda, ora atribuída a São Boaventura ora a Tomás de Celano. Mas vamos elencar alguns momentos que alavancaram o conhecimento da nossa Mãe fundadora.

• No ano de 1912 comemorou-se os 700 anos da Vocação de Clara e a Fundação das Clarissas. Aí surgiram os estudos sobre as pesquisas de Lemp (1892) e de Lemmens (1902). Com Oliger (1912) e Lazzeri (1912-1920) crescem as novas investigações sobre Clara. Foi muito importante neste período a descoberta e a publicação do "Processo de Canonização", mérito de Lazzeri. Nos dez anos seguintes vieram os estudos críticos junto com as Fontes Clarianas, como os de Martin de Barcelona (1921) e de Fassbinder (1936).

• No ano de 1953 temos os 700 anos da morte de Clara; aí foram abundantes as publicações de todos os gêneros. Destacaram-se Hardick, Grou, Franceschini e Arnaldo Fortini. As publicações vieram com a grande ajuda do Protomonastero de Assis e com a publicação de "Santa Chiara: Studi e Cronaca". A partir de então pudemos conhecer as "Cartas para Inês de Praga" que ajudaram muito no perfil da espiritualidade e personalidade da fundadora.

• A partir de 1965 o Concílio Vaticano II determina o retorno às origens e com isso influencia o desejo de aprofundar os escritos pessoais de Clara para colher aí seus ideais em toda a sua autenticidade, como base de renovação do rosto feminino do franciscanismo e a descoberta de uma verdadeira, original e própria espiritualidade.

• No ano de 1994 celebramos o 8º Centenário do nascimento de nossa mãe, irmã e mestra. Novas publicações marcaram a família franciscana e clareana. Aqui no Brasil destacamos a publicação das "Fontes Clarianas", com tradução e comentários de Frei José Carlos Pedroso e "Clara de Assis, A primeira mulher franciscana", de Anton Rotzetter, Vozes-FFB. Frei Clarêncio Neotti coordenou a comissão central do 8º Centenário que nos legou os excelentes fascículos: "Recomeçar com Clara e Francisco", "Caminhar com Clara e Francisco", "Para celebrar Santa Clara", "Para Rezar com Clara e Francisco".

• E finalmente estamos celebrando os 750 anos da morte de Santa Clara. Ano Clariano! Não podemos deixar de ler a excelente Carta do Ministro Geral Frei Giacomo Bini, OFM, "Clara de Assis: um hino de louvor" , na qual ele lembra que "também uma carta pode tornar-se lugar de comunhão, de diálogo fraterno, para descobrir aquele algo novo a respeito do Senhor que Clara pedia a Junípero e que nossos tempos e nossas gerações ainda esperam de nós com urgência".

Graças a estes momentos celebrativos, muitos valores da grande fundadora chegam até nós. A presença e a mensagem de Clara são parte integrante e imprescindível da espiritu-alidade franciscana. Não se pode falar de Francisco sem Clara de Assis.


Por Frei Vitório Mazzuco Filho