31 de julho de 2014

31/07 - São Tomás Moro


Mártir da Terceira Ordem Franciscana (1477-1535). Canonizado por Pio XI em 1935.

Tomás Moro nasceu em Chelsea, Londres, na Inglaterra, no ano de 1478. Seus pais eram cristãos e educaram os filhos no seguimento de Cristo. Aos treze anos de idade, ele foi trabalhar como mensageiro do arcebispo de Canterbury, que, percebendo a sua brilhante inteligência, o enviou para a Universidade de Oxford. Seu pai, que era um juiz, mandava apenas o dinheiro indispensável para seus gastos.

Aos vinte e dois anos, já era doutor em direto e um brilhante professor. Como não tinha dinheiro, sua diversão era escrever e ler bons livros. Além de intelectual brilhante, tinha uma personalidade muito simpática, um excelente bom humor e uma devoção cristã arrebatadora.

 Chegou a pensar em ser um religioso, vivendo por quatro anos num mosteiro, mas desistiu. Tentou tornar-se um franciscano, mas sentiu que não era o seu caminho. Então, decidiu pela vocação do matrimônio. Casou-se, teve quatro filhos, foi um excelente esposo e pai, carinhoso e presente. Mas sua vocação ia além, estava na política e literatura.

Contudo Tomás nunca se afastou dos pobres e necessitados, os quais visitava para melhor atender suas reais necessidades. Sua casa sempre estava repleta de intelectuais e pessoas humildes, preferindo a estes mais que aos ricos, evitando a vida sofisticada e mundana da corte. Sua esposa e seus filhos o amavam e admiravam, pelo caráter e pelo bom humor, que era constante em qualquer situação. A sua contribuição para a literatura universal foi importante e relevante. Escreveu obras famosas, como: “O diálogo do conforto contra as tribulações”, um dos mais tradicionais e respeitados livros da literatura britânica. Outros livros famosos são “Utopia” e “Oração para o bom humor”.

Em 1529, Tomás Moro era o chanceler do Parlamento da Inglaterra e o rei, Henrique VIII.
No ano seguinte, o rei tentou desfazer seu legítimo matrimônio com a rainha Catarina de Aragão, para unir-se em novo enlace com a cortesã Ana Bolena. Houve uma longa controvérsia a respeito, envolvendo a Igreja, a Inglaterra e boa parte do mundo, que acabou numa grande tragédia. Henrique VIII casou com Ana, contrariando todas as leis da Igreja que se baseiam no Evangelho, que reconhece a indissolubilidade do matrimônio. Para isso usou o Parlamento inglês, que se curvou e publicou o Ato de Supremacia, que proclamava o rei e seus sucessores como chefes temporais da Igreja da Inglaterra.

A seguir, o rei mandou prender e matar seus opositores. Entre eles estavam o chanceler Tomás Moro e o bispo católico João Fisher, as figuras mais influentes da corte. Os dois foram decapitados: o primeiro foi João, em 22 de junho de 1535, e duas semanas depois foi a vez de Tomás, que não aceitou o pedido de sua família para renegar a religião católica, sua fé e, ainda, fugir da Inglaterra.

Ambos foram mártires na Inglaterra, os quais, com o testemunho cristão, combateram a favor da unidade da Igreja Católica Apostólica Romana, num tempo de violência e paixão. Suas lembranças continuam vivas em verso e prosa, nos teatros e nos cinemas. Seus exemplos são reverenciados pela Igreja, pois eles foram canonizados na mesma cerimônia pelo papa Pio XI, em 1935, que indicou o dia 22 de junho para a festa de ambos.

São Tomás Moro deixou registrada a sua irreverência àquela farsa real por meio da declaração pública que pronunciou antes de morrer: “Sedes minhas testemunhas de que eu morro na fé e pela fé da Igreja de Roma e morro fiel servidor de Deus e do rei, mas primeiro de Deus. Rogai a Deus a fim de que ilumine o rei e o aconselhe”.

O papa João Paulo II, no ano 2000, declarou São Tomás Moro Padroeiro dos Políticos.

30 de julho de 2014

Nossa Senhora dos Anjos da Porciúncula: O perdão de Assis




Porciúncula

Lugar fontal para a nossa mística. Santa Maria dos Anjos: berço da fraternidade! Aqui começou a vida e o amor mútuo. Um santuário mariano-franciscano, lugar – santo, dos mais freqüentado em todo o mundo. É um espaço para rezar, refletir, purificar, encher-se de graça e iniciar novamente o caminho.

Se Assis é a “capital do espírito”, Porciúncula é um lugar necessário a toda humana criatura de nosso tempo: uma etapa, uma luz sobre o caminho. Ali emana um único fascínio: a mensagem pulsante do Evangelho, alegria, serenidade, simplicidade, fidelidade, pobreza…Foi edificada no século X, no ano de 1045. Pertencia aos monges beneditinos do monte Subásio que ali alimentavam uma “pequena porção” de santuário. O que é o santuário? É um lugar sagrado onde a presença de Deus se manifesta. O mistério presente da divindade é que determina o lugar do culto.

Santuário é lugar e não museu arqueológico a mostrar e conservar memórias e glórias mumificadas do passado. Ali os acontecimentos passados são vivos e presentes: ali viveu Francisco, ali passou Clara, ali morreu o Poverello. Francisco e Clara continuam a ser mais vivos que nunca e a sua escolha de Amor é que marca definitivamente o lugar. Ali a Fraternidade se faz encontro,cresce,contagia e se comunica. (Cfr 1 Cel 106)

Em 1210 Francisco pede ao bispo de Assis e depois aos Cônegos de São Rufino alguma igrejinha para cuidar. A resposta é negativa. Vai então ao abade do mosteiro de São Bento, Dom Teobaldo. Este, com o consenso da comunidade monacal, concede a Francisco e a seu primeiros companheiros a Porciúncula para o simples uso e moradia. Só pedem uma condição: se a religião constituída por Francisco crescer, a Porciúncula seja a casa-mãe.
Dom recebido Dom dividido. A casa fundada sobre o sólido alicerce da Pobreza ganha um sinal: por graça e gratidão ao bem feito pelos beneditinos, há o gesto da retribuição: cada ano os frades mandavam aos monges um cesto cheio de peixes. Os monges agradeciam com um vaso cheio de óleo. LTC 56; LP 8.

Porciúncula:
• experiência primitiva de Fraternidade
• lugar reconstituído com o trabalho manual
• próximo aos bosques
• próximo aos leprosários
• pequenas celas para a moradia
• primeiro encontro com o Evangelho (Mt 10,5-15)
• ali o encontro do rumo definitivo na vida (1 Cel 21;LM 2,8;Lm 1,9;1 Cel 44)
• os primeiros companheiros Bernardo e Pedro vêm morar ali
• Bernardo, Pedro, Egídio e Francisco partem dali para a primeira missão
• a fraternidade cresce e encontra seu espaço
• é o santuário da missão ( 1 Cel 22;LM 3,1: LTC 25: Lm3,7;Fior13)
• No dia 19 de março de 1211/1112, chega a Porciúncula, a nobre jovem Clara de Faverone.
• Em julho de 1216, Francisco consegue do Papa Honório III a Indulgência ou o Perdão da Porciúncula.
• É um lugar muito elogiado. (1 Cel 106; LP 8-12:LM 2,8)
• Lugar dos Capítulos. Ali se realizou o famoso Capitulo das Esteiras – 1221. (LTC 57-59; AP 18,37-39; LP 114, Fior 18)
• Clara vai à Porciúncula visitar Francisco. Comem juntos num luminoso banquete espiritual. (Fior 15)• A irmã Jacoba de Settesoli, amiga de Francisco, chega pouco antes de sua morte, trazendo doce conforto.
(EP112;LP101;Cel 37-39)

• A irmã morte visita Francisco ( 2 Cel 214-217; LM 14,3-6;LTC 68;LP 64)
Ensinamentos da Porciúncula
• momento culminante da mudança radical de Francisco
• não teve dúvidas que o Senhor tinha suas exigências
• acolher o Evangelho, escutar o outro (a),percorrer o caminho proposto
• lugar de penitência e serviço
• ensina que todos devemos ser criativos (as) para fazer renascer a simplicidade primitiva.
• santuário da missão: enviar, regressar, fortalecer e orar.
• capítulo: momento privilegiado de encontro.

Frei Vitório Mazzuco

30/07 - Bem-aventurado Antônio Lucci


Bispo de Bovino, da Primeira Ordem (1682-1752). Beatificado por João Paulo II no dia 18 de junho de 1989.

Angelo Nicolau Lucci nasceu em Agnone, Molise, Itália, a 2 de Agosto de 1682. Entrou na Ordem dos Frades Menores Conventuais em 1698, distinguindo-se pelo estudo e pelo ensino da Teologia que inspirou sempre a generosa busca da sua perfeição, o exercício cheio de zelo do seu ministério apostólico e a colaboração humildemente oferecida à Sé Apostólica.

Eleito bispo de Bovino, nas Apúlias, demonstrou ser, no decurso de 24 anos, autêntico pai e pastor dos fiéis da diocese, não medindo esforços para confirmar seu povo na fé e na vida cristã e para socorrer os numerosos pobres do seu povo que amava com evangélica opção preferencial. Morreu em Bovino, a 25 de Julho de 1752. Tinha 70 anos. Foi inscrito no Álbum dos Bem-aventurados pelo Papa João Paulo II, a 18 de Junho de 1989.


ORAÇÃO - Ó Deus que cumulastes o bispo Bem-aventurado Antônio Mucci com o espírito de sabedoria e caridade, a fim de confirmar o vosso povo na fé e socorre-lo com imenso amor nas necessidades, concedei-nos, por sua intercessão, perseveramos na fé e na caridade, para que sejamos dignos de participar da glória celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

29 de julho de 2014

29/07 - Bem-aventurado Nevolone de Faenza



Penitente da Terceira Ordem (1200-1280). Aprovou seu culto Pio VII no dia 4 de junho de 1817.

A Ordem Terceira foi fundada por São Francisco para os leigos que não podiam ou não queriam renunciar à sua condição no mundo, e queriam seguir a Regra franciscana e “o segredo da santidade”, e semear em todos os estratos da população os ideais de pobreza, castidade e obediência.


Para dar uma ideia da vitalidade do movimento franciscano é o suficiente para mencionar os nomes dos terceiros, como Bem-aventurados Luquésio, São Luís, rei da França, Santa Isabel, da Turíngia, o rei de Castela São Fernando, Santa Rosa de Viterbo, São Ivo da Bretanha, Santa Margarida de Cortona, a Beata Humiliana de Cerchi, o Beato Contardo Ferrini e também figuras pitorescas como Pedro Pettinaio e Bartolo Bompedoni. A Estes nomes são adicionados o curioso e simpático Novelón ou Nevolone, terceiro franciscano de Faenza.

Filho de artesãos, o também artesão Nevolone de Faenza exercia o ofício de sapateiro em sua juventude e viveu uma vida que os biógrafos definem como “desordenada”, mas talvez fosse apenas negligente, uma vida gasta a trabalhar para ganhar tanto quanto possível para continuar a usufruir dos prazeres do mundo: um bom vinho, boa comida, mulheres bonitas e muita diversão.

Uma doença grave levou este sapateiro despreocupado a se unir à Terceira Ordem Franciscana e não foi um gesto meramente simbólico. De fato, sem sair de seu escritório, mudou o seu modo de vida e tornou-se caridoso, incansável penitente e rigorosamente pobre.

Muitas vezes peregrinou a pé descalço, apesar de sua profissão de sapateiro, e converteu sua esposa, antes companheira de suas aventuras. Acima de tudo trabalhava fazendo sapatos e mais sapatos, agora não mais para ganhar dinheiro, mas para dar tudo aos pobres, até ficar na pobreza extrema. Ao ficar sozinho, viveu como eremita pobre e devoto.

Onze vezes foi em peregrinação a Santiago de Compostela. Caridade, oração e penitência foram a síntese de sua vida. Ele morreu por volta de meia-noite de 27 de julho de 1280 com 80 anos. Seu corpo foi levado com grande pompa à catedral de São Pedro de Faenza e foi enterrado em um túmulo de mármore. Numerosos milagres o fizeram conhecido em todo o mundo. Tal era a afluência de peregrinos ao seu túmulo, que, para manter a ordem era necessário colocar guardas em 1282. Os faentinos o veneram com o culto público, que foi aprovado pelo Papa Pio VII em 4 de junho de 1817.

28 de julho de 2014

Reflexão - Força maior


“Feliz aquele que chegou a conhecer as causa das coisas” (Virgílio).

É preciso descobrir a energia que está dentro de nós, pois ela será o poder para que possamos cumprir nossa missão. Porque a força que está dentro de cada um de nós é maior. É maior que todo mal que existe no mundo. É maior porque é do bem, porque é divina, porque é própria do amor… Faz-se mister conectar nosso coração com essa força, com essa energia positiva do bem e do amor.

Descobrir a causa das coisas e até daquilo que nos acontece faz-nos crescer, aprofundar nossas relações, entender as curvas e as subidas íngremes da nossa caminhada. Sei que podemos fazer melhor se aprendermos com os erros do passado. Sei que podemos ser mais inteiros e mais felizes, se nos dis-pormos a um caminho de felicidade…

Tenha uma abençoada, iluminada e produtiva semana!

Frei Paulo Sérgio, ofm

28/07 - Santa Afonsa da Imaculada Conceição


Virgem da Terceira Ordem Regular (1910-1946). Clarissa Terceira de São Francisco de Malabar. Beatificada em Kottayam, Índia, por João Paulo II no dia 8 de fevereiro de 1986.

Annakutty (diminutivo de Ana) Muttathupadathu nasceu em uma aldeia de Kudamalur, na Índia, a 19 de agosto de 1910. Seu batismo foi feito no rito católico siro-malabar.

Foi ela a última de cinco filhos, em uma família cristã de origem nobre. Tendo ficado órfã de mãe aos três meses de idade, foi criada por uma tia materna, recebendo a educação de um tio sacerdote. A avó materna a iniciou na fé, incutindo-lhe o amor pela oração já na primeira infância, pois com a idade de 5 anos já conduzia aos orações noturnas em sua casa, costume do rito oriental ao qual a família pertencia. Aos sete anos recebeu a Primeira Eucaristia, e gostava de comentar com as amigas: “sabem por que estou tão feliz hoje? É porque tenho Jesus no coração”.

A irmã de sua falecida mãe, que a criava, insistia com ela para que se casasse aos 13 anos com um notário (na Índia eram — e continuam sendo — muito comuns os casamentos programados por familiares sem que os nubentes participem da decisão). Porém seu coração já estava entregue a Deus: queria tornar-se religiosa. Chegou a pôr o pé sobre brasas incandescentes (queimando-se gravemente) ao concluir que tornando-se parcialmente desfigurada o nenhum homem se interessaria por ela. O incidente teve o resultado esperado: sua tia desistiu da intenção de casá-la.

Ajudada pelo Pe. James Muricken, que a introduziu na espiritualidade franciscana, ingressou Annakutty no noviciado das religiosas clarissas em 1927, e em 1936 fez a profissão perpétua, tendo por nome religioso Afonsa da Imaculada Conceição (alusão a Santo Afonso Maria de Ligório cuja festividade se comemorava no dia).

Sua constituição orgânica frágil levou-a a passar por muitos sofrimentos físicos, os quais enfrentava com resignação. Um dos calvários pelos quais passou foi o desejo de suas superioras para que ela voltasse para casa, já que sua delicada saúde era considerada um obstáculo para a vida religiosa, mas com a ajuda celeste esse problema foi superado.

A despeito de suas limitações físicas, a penitência era-lhe motivo de admiração: “para cada pequena falta pedirei perdão ao Senhor e a expiarei com uma penitência; sejam quais forem os meus sofrimentos, não me lamentarei jamais, e quando tiver de enfrentar qualquer humilhação procurarei refúgio no Sagrado Coração de Jesus”, registrou Afonsa em seus escritos. A pequena via de Santa Teresinha do Menino Jesus foi o caminho que seguiu, porém em meio a grandes sofrimentos orgânicos que se abateram sobre sua frágil saúde.
Faleceu em 28 de julho de 1946 em Bharananganam (Kerala), no convento das clarissas, pronunciando os nomes de Jesus, Maria e José. Foi ela beatificada por João Paulo II em 8 de fevereiro de 1986 e canonizada por Bento XVI em 12 de outubro de 2008. No momento da canonização, ocorrida no Vaticano, numerosos cristãos, hindus e muçulmanos reuniram-se junto a seu túmulo em Bharananganam.

A sepultura da beata Alfonsa, em Bharananganam, perto de Kottayam, recebe a visita de numerosíssimos fiéis durante o ano.

O primeiro santo da Índia – recorda a CBCI – é o jesuíta Gonzalo García, nascido em Vasai, perto de Bombaim. Foi canonizado em 1862. Morreu mártir em Nagasaki (Japão) em 1597, com São Paulo Miki e outros companheiros.

27 de julho de 2014

27/07 - Bem-aventurada Mattia de Nazarei


Virgem religiosa da Segunda Ordem (1236-1320). Aprovou seu culto Clemente XII no dia 27 de julho de 1765.

Mattia, nascida no ano de 1235 em Matelica, nas Marcas – Itália, pertencia à família nobre De Nazarei. Cresceu rodeada dos amorosos cuidados familiares, que fizeram tudo para prepará-la para um brilhante porvir. Seu pai sonhava para ela um matrimônio digno de sua categoria. Porém, um fato inesperado transtornou todos os seus planos. O exemplo das duas santas irmãs Clara e Inês de Assis também se repetiu em Matelica. Um dia Mattia sem avisar a ninguém, fugiu de casa e foi bater às portas do mosteiro de Santa Maria Madalena das Irmãs Clarissas, pedindo à abadessa que a recebesse entre suas co-irmãs. Esta a fez notar que isto era impossível sem o consentimento de seus pais. Pouco depois, o pai e alguns parentes, irritadíssimos, irromperam no mosteiro decididos a levá-la de novo para casa à força. Porém, tudo foi inútil. O pai foi vencido pela insistência da sua filha, que assim pôde realizar seu sonho de seguir a Cristo pelo caminho da perfeição. Tinha dezoito anos quando começou o noviciado e antes da profissão, distribuiu parte de seus bens aos pobres e parte reservou para urgentes trabalhos de restauração do mosteiro.


Atrás de seu exemplo, outras moças a seguiram pelo caminho da vida evangélica que haviam traçado São Francisco e Santa Clara. Depois de oito anos de vida religiosa foi eleita abadessa unanimemente. Durante quarenta anos Mattia foi a zelosa superiora das Clarissas, iluminada guia espiritual e ao mesmo tempo sagaz administradora. Possuía as qualidades aparentemente contraditórias de uma grande mística e de uma sábia organizadora. Confiando na divina Providência, com ofertas da população e de sua família, reconstruiu desde os fundamentos da igreja até o mosteiro.

A vida interior da Beata Mattia se modelou sobre a Paixão do Senhor. Por muitos anos todas as sextas-feiras sofreu dores e numerosos arroubamentos. Foi uma mulher de governo que as virtudes contemplativas unia às virtudes práticas. Manteve-se também em contato com o mundo, sabendo dizer uma palavra de consolo, ajuda e exortação aos muitos que ajudava na medida das possibilidades e ainda a indigentes e pobres. Um menino estava a ponto de morrer como conseqüência de uma queda. A mãe, desesperada, o levou à Beata Mattia que, depois de rezar o tocou com a mão e o restituiu são e salvo à sua mãe. E se contam dela muitos outros prodígios.

Em 28 de dezembro de 1320, depois de ter exortado e abençoado pela última vez a suas queridas coirmãs, morreu serenamente aos 85 anos, deixando atrás de si uma doce recordação, que logo se transformaria em culto, o qual confirmaria Clemente XIII, ao beatificá-la em 27 de julho de 1765.

Milagre recente – cura de câncer

Em 1987 constatou-se a cura milagrosa de um farmacêutico e doutor napolitano, Alfonso de D’Anna. O diagnóstico do Instituto Pascal de Nápoles, confirmado pelo Instituto Nacional de Tumores de Milão, era carcinoma, um tumor maligno. Em 6 de março de 1987 tinha que iniciar o tratamento de quimioterapia, porém a Beata Mattia apareceu em sonhos à senhora Rita Santoro, da ordem Franciscana Secular e Ministra da Fraternidade de Santa Maria Francisca de Nápoles. A senhora Rita então não conhecia o Dr. D’Anna, porém, a Beata Mattia lhe proporcionou informações detalhadas, para que pudesse identificá-lo. A senhora Rita tinha que dar-lhe uma de suas relíquias e o azeite bento de sua lâmpada, que arde sempre em seu convento, e que as clarissas oferecem aos fiéis em pequenos frascos.


Em 7 de março de 1987, o Dr. Alfonso D’Anna dirigiu-se à sua farmácia, para retomar o trabalho. As revisões periódicas estiveram precedidas, muitas vezes, por um forte odor de jasmim, como havia predito o sonho, e confirmaram a incrível e completa cura do Dr. D’Anna.

A última revisão, um TAC realizado no hospital Cardarelli de Nápoles, confirmou a perfeita ventilação de seus pulmões e a ausência de lesões tumorais.

Toda a documentação foi posta à disposição das autoridades eclesiásticas, a fim de proceder a canonização da Beata Mattia.

26 de julho de 2014

26/07 - Bem-aventurado Arcanjo de Calatafino


Sacerdote, ermitão da Primeira Ordem (1390-1470). Aprovou seu culto Gregório XVI no dia 9 de setembro de 1836.

Arcanjo nasceu em Calatafimi, na província de Trapani, na Sicília, no extremo oeste da ilha, em torno de 1390. Nesta pitoresca cidade de origem árabe, nasceu na nobre família Piacentini, ou Piacenza e ainda era muito jovem quando, deixando a casa da família foi criado em uma caverna nas montanhas. Permaneceu escondido durante algum tempo em solidão, mas depois a fama das suas virtudes e sua austeridade cada vez mais atraíram muitas pessoas do bairro ao seu abrigo, ansiosas para conhecê-lo e consultá-lo.

Para recuperar a solidão, Arcanjo deixou aquele lugar e foi para Alcamo, onde novamente se refugiou em um só eremitério. Mas não pôde fugir por muito tempo dos habitantes da região. Estes foram mais hábeis para cercar seu ermitão devoto e atraí-lo para sua cidade: pediram a ele para que dirigisse um hospital em Alcamo, que estava abandonado e que cidade sentia muito a sua necessidade.

Assim, Arcanjo foi pressionado entre sua vocação de eremita e o dever da caridade. E é claro que ele não podia recusar. Colocou-se no trabalho organizando o hospital para que tudo corresse bem, com total respeito ao dever da caridade para os necessitados. Quando o hospital começou a ir bem, Arcanjo retornou à sua solidão predileta, entrou em uma nova caverna. Desta vez, o fez sair fora da caverna um decreto do Papa Martinho V, no qual eram suprimidos os eremitérios da Sicília.

Arcanjo, obediente, deixou sua caverna novamente, mas não retornou para o mundo. Ele foi para Palermo, onde moravam os Frades Menores e aí recebeu o hábito da pobreza nas mãos do Beato Mateus de Agrigento. Depois do noviciado, foi enviado para Alcamo, onde fundou um convento franciscano, ao lado do hospital que já havia dirigido.

Para a austeridade com que ele viveu na mais estrita regra franciscana por sua sabedoria e prudência, ele foi ordenado sacerdote. Mais tarde, ele foi eleito Ministro Provincial da Ordem, e se destacou como um administrador e organizador. Mas ele preferiu a pregação nas várias cidades e vilas da Sicília para o governo dos religiosos; por meio da evangelização converteu muitos pecadores.

Ele morreu em Alcamo no dia 10 de abril de 1460 no convento de Santa Maria de Jesus, que ele fundou. Ele tinha 70 anos. Sua memória e o eco de muitos milagres perduraram entre Alcamo e Calafatimi.

25 de julho de 2014

25/07 - Bem-aventurado Pedro de Mogliano


Sacerdote da Primeira Ordem (1442-1490). Aprovou seu culto Clemente XIII no dia 10 de agosto de 1760.

Pedro nasceu em Mogliano, província de Macerata em 1442. De Mogliano foi para Perugia para estudar na universidade. Aos 25 anos foi persuadido por um pregador franciscano, padre Domingo de Leonissa. Não o seguiu imediatamente, mas depois de madura reflexão, ele também decidiu abraçar a vida de pobreza e o apostolado propostos pelos franciscanos.


Suspendeu sua carreira inicial de advogado, cuja láurea tinha obtido na Universidade de Perugia. Tomou o hábito de São Francisco em 1467 no eremitério de Carceri, dos Frades Menores.

Depois do noviciado e ordenado sacerdote se dedicou com especial atenção à pregação, inicialmente como um companheiro de São Tiago das Marcas por não menos de 20 anos, nos quais sua palavra culta, clara e fervorosa ecoou nas principais cidades da região central da Itália.

O objetivo principal dos franciscanos da época era a pregação popular, em que muitos se destacaram com sucessos estrondosos. Basta pensar em São Bernardino de Sena, São João Capistrano, São Tiago das Marcas, e os beatos Alberto de Sarteano, Mateus Agrigento, Marcos Fantuzzi de Bolonha e muitos outros.

Precisamente com São Tiago, meio século mais velho e chefe de uma verdadeira equipe de pregadores volantes, Pedro de Mogliano foi colaborador e discípulo antes de chegar a pregador e afetuoso diretor de almas.

Nesta ocasião, ele fez amizade com o Senhor de Camerino, Júlio César Varano e sua filha Camilla Varano Batista, clarissa pobre do mosteiro Santa Clara na cidade, a quem Frei Pedro orientou com santos conselhos.

Suas palavras eruditas e persuasivas penetrou nas mentes e tocou os corações mais duros, para induzi-los à conversão. Pregador na ilha de Creta, três vezes ministro provincial dos franciscanos das Marcas, ministro provincial uma vez em Roma, teve uma vida rica de satisfações humanas, bem como a alegria espiritual. Um dia esteve a ponto de morrer sufocado em meio a uma multidão festiva que queria expressar sua simpatia.

Doente em 2 de julho de 1490, morreu na noite entre 24 e 25 do mesmo mês, murmurando os nomes de Jesus e Maria, sereno e feliz, com o sorriso que acompanha na terra e no céu os passos dos justos. A primeira biografia e mais célebre dele foi escrita pela Beata Camilla Batista Varano, a mais preciosa glória espiritual de Camerino. Ela enfatiza a serenidade do Beato ao estar próximo da morte, que o levou após uma doença muito dolorosa, que ele suportou com paciência e alegria, enquanto um colega seu exclamou: “Pai Pedro, tu morres rindo!”.

24 de julho de 2014

Perspectivas de ontem e de sempre para a OFS


Frei Almir Guimarães, OFM

A vida nunca é plenitude nem êxito total. Precisamos aceitar o “inacabado”, o que nos humilha, o que não conseguimos corrigir. O importante é manter o desejo, não ceder ao desalento. Converter-se não é viver sem pecado, mas aprender a viver no perdão, sem orgulho nem tristeza, sem alimentar a insatisfação pelo que deveríamos ser e não somos. Assim diz o Senhor no livro de Isaías: “Na conversão e na calma sereis salvos, na tranquilidade e na confiança está a vossa força”(Is 30,15) (José Antonio Pagola)

1. Aí estão estas nossas fraternidades franciscanas seculares. Aí estão estes que designamos de irmãos e irmãs em Cristo Jesus e Francisco. Ingressaram há pouco ou muito tempo em nossas fraternidades. Tiveram boa ou razoável formação. Há esses que de simpatizantes vão passando para o tempo da iniciação e da formação e são admitidos à profissão. Solenemente, no seio da Igreja, seus propósitos-promessas de seguimento do Evangelho à maneira de Francisco são aceitos pelo Ministro. De onde eles vêm e para onde vão? Esta pergunta é importante para que se possa captar o sentido de sua presença em nossa Ordem e que contribuição eles darão ao mundo e à construção do Reino.

2. Cada pessoa é um mistério. Todos carregam suas histórias, seus passos bem dados e outros cambaleantes. Chegam de seu passado, de sua família, de sucessos e de vacilações em suas empreitadas. Nem sempre eles conseguem exprimir aquilo que viveram ou que vivem. Há os que chegam depois de terremotos interiores: uma doença séria superada ou não superada, um casamento desfeito, um filho morto na guerra do tráfico, desânimos e cálices amargos que andaram sorvendo. Chegam para encontrar pessoas que os ajudem a viver, para buscar a perfeição da caridade, a santidade. Querem trilhar um caminho de transformação do coração que se chama metanoia, conversão. Desejam que as feridas do passado possam ser curadas e cicatrizadas. Buscam seguir o Evangelho.

3. Há aqueles e aquelas que começam a experimentar em seu coração uma misteriosa sede, uma insatisfação com os resultados magros e medíocres de suas vidas, com sua história de envolvimento com a fé tão marcada pela rotina e pela mesmice. Querem um espaço de aprofundamento de suas convicções, desejam que suas vidas sejam iluminadas com uma claridade mais densa. Desejam encontrar outras pessoas desejosas também de seguir o Evangelho à maneira de Francisco. Por isso querem viver em Fraternidades. Será que nossas Fraternidades conseguem responder a esses apelos?

4. Sim, há aqueles e aquelas que não querem viver ao léu, aspirando o perfume de todas as flores da vida. Dispomos desse espaço de tempo que vai do nascer ao momento da chegada da irmã morte que quer nos levar à terra dos vivos, ou seja, do tempo da vida. Vivemos: corpo, inteligência, um coração para amar e ser amado, teia de relacionamentos, trabalho de nossas mãos, filhos, esposa, esposo, pais envelhecidos e doentes. Muitos, em determinados momentos, querem encontrar uma sabedoria de viver. Há tempo para tudo, tempo para nascer e morrer, tempo para chorar e rir, mas sempre tempo para viver. Precisamos aprender a conviver, a tecer laços, a cerzir o que anda querendo se rasgar. Literalmente nos sentimos peregrinos de um amanhã que desconhecemos. Entramos na Ordem para iluminar esse caminhar.

5. Esperando que as Fraternidades Franciscanas Seculares sejam espaços de pessoas que busquem a Deus, que queiram entrar num caminho de conversão, queremos fazer caminhada com esses que, segundo informações que tivemos, buscam a perfeição da caridade no seio da Igreja, seguindo uma Regra de vida proposta pela Igreja. O que chegam e os que já estão buscam encontros, momentos de partilha da vida, dos sucessos e dos temores, momentos de escuta comum de um Palavra que muda e transforma. Querem efetivamente viver a fraternidade no seio da Ordem Franciscana Secular. Conscientes de sua fragilidade, insatisfeitos com o pífios resultados de busca de santidade entram num caminho de penitência, numa estrada de libertação de seu ego, que se chama estado de conversão. Para Francisco, esse caminho começara com o beijo do leproso e terminaria com o abraço da irmão morte, entregando seus dias nu na terra dura.

6. Os que estão na Fraternidade e aqueles que chegam desejam não detestar o amargo e desconfiar do doce. Querem converter-se, mudar o coração. Querem aceitar a graça da vida, tanto o positivo como o negativo, sem murmurações. Buscam o Reino de Deus seguindo de perto os pedidos do Evangelho. Querem seguir bem de perto o Sermão da Montanha (Mt 5-7). Estão dispostos a sair do centro, a abandonar a passarela da vida e discretamente estar perto de todos os leprosos da vida. Não querem sempre seguir sua vontade e não se cansam de fazer a pergunta: “Senhor, o que tu queres de, mim, de nós?”. Escutando São Paulo crucificam com Cristo sua concupiscência e vivem crucificados com ele. Não dividem os homens entre bons e maus, exaltando uns e execrando os outros. Querem ser irmãos de todos. Desejam sinceramente que a Fraternidade os ajude a conservar, ao longo da vida, a delicadeza de consciência e a ternura no coração. Não querem deixar que seu coração venha a endurecer.

7. Os franciscanos são pessoas que se dizem discípulos do seráfico Francisco, em outras palavras, daquele que teve imensa proximidade com o Senhor devotando-lhe um amor carinhoso e vivendo a oração nos graus mais elevados possíveis enquanto caminhava na terra e não no face a face. Uma Fraternidade de OFS é bem-sucedida quando leva seus membros a uma intensa vida de relacionamento com o Senhor:

Não podemos postergar nosso empenho de uma vida de profunda oração. Sabemos perfeitamente que a vida de amor fraterno tem traços de intimidade com Deus. Reza aquele que dá um copo de água fria ao menor de seus irmãos. Precisamos, no entanto, nos adentrar num saboroso empenho de sermos serafins de amor no explícito e generoso louvor do Amado.

• Insiste-se hoje que todos tenhamos uma vida pessoal de oração. Não bastam os encontros comunitários por mais densos que possam ser. Precisamos dessa oração pessoal. Importante o exercício da meditação. Quando entramos na Ordem queremos que ela nos propicie retiros orantes, aprofundamento nos graus de oração. Desejamos, a curto prazo, nos unir ao ofício da Liturgia das Horas. Não queremos ser coniventes com um simplificação ruinosa da vida de oração.

8. Queremos aprender a ser irmãos. Fazemos a experiência no seio da fraternidade: aceitamos serviços e responsabilidades, somos pontuais nos encontros e fiéis aos compromissos; evitamos ser fonte de desentendimento, quando necessário esquecemos as ofensas recebidas e seremos sempre dos primeiros a realizar a caridade no seio da comunidade. Também tomamos iniciativas corajosas. Não queremos viver uma vida de fraternidade cor-de-rosa e idílica. Há um lobo dentro de todos nós. Um frade francês assim se exprime escrevendo sobre o olhar os outros como irmãos: “Todas as criaturas saíram das mãos de Deus. As criaturas espirituais, para nós as pessoas humanas – têm preço inestimável aos olhos de Deus. Esta convicção determina respeito absoluto diante da pessoas, uma postura de benevolência a priori, confiança na capacidade de cada pessoa mudar, melhorar, converter-se, tornar-se santa com a graça de Deus. São Boaventura dizia: “Ninguém tem o poder de destruir em si a imagem de Deus… o máximo que consegue velá-la e desfigurá-la”. Francisco dizia muitas vezes que é preferível alegrar com o bem que Deus opera nos outros do que o bem que se realiza em si mesmo. Dizia também que não se pode desprezar alguém pelo qual o Cristo deu a vida. Sobre isto se fundamenta o propósito de considerar todos os homens irmãos, amá-los e servi-los quaisquer que sejam as condições” (Luc Mathieu, OFM, L’héritage de François d’Assise, in Evangile Aujourd’hui, n. 200, 2004, p.34-35).

9. Os que ingressam na Ordem Franciscana Secular são cristãos leigos que sabem de sua responsabilidade no mundo e na Igreja. Sabem que o Amor precisa ser amado. Gostariam eles de poderem, com irmãos da fraternidade, se engajarem nas tarefas da Igreja: ir às periferias, anunciar pela palavra e pelo exemplo o amor de Deus nas pastorais da Igreja, de modo preferencial fazendo núcleos de pessoas em torno da palavra, da discussão dos graves problemas e na arrumação de estratégias que acelerem o surgimento de um mundo mais conforme o Reino: justiça, paz, liberdade, respeito. Esse empenho evangelizador e missionário quer responder ao que Cristo pediu a Francisco: “Vai e reconstrói a minha Igreja que, como vês, está em ruína.

10. Terminamos com um texto síntese de Frei Antonin Alis, OFMCap, em artigo publicado em Évangile Aujourd’hui, n.205. O autor depois de examinar a resposta de Francisco ao Evangelho da missão com o famoso: É isso que quero, que busco de todo o coração, conclui: “Por sua exclamação, por seu gesto, Francisco nos convida a levar a sério o Evangelho. Ele reagirá, antes de tudo, numa atitude de verdade com relação a si mesmo e com respeito àquilo que ele percebe e sente como sendo vontade de Deus. Esse ir despojadamente mundo afora é percebido pelo Poverello como uma evidência que brota do mais profundo de seu ser. Abandonando tudo começa a palmilhar uma trilha de conversão. Despoja-se exteriormente de seus bens, conservando apenas o essencial. Depois vai progressivamente se despojar do orgulho, da suficiência e de seu narcisismo. Progressivamente o despojamento vai tomar conta de toda a sua vida, vai entrar num caminho de serviço, minorismo, fraternidade que fará com que abandone todo desejo de poder, de dominação sobre quem quer que seja, imitando assim o Cristo servo. Aos poucos vai se abrindo ao Espírito Santo e ao seu santo modo de operar, deixando-se transformar em seu interior. Este despojamento, desencadeado pela escuta da Palavra vai prosseguir até se purificar em sua morte, nu sobre a terra nua. Lentamente a palavra germina nele e torna-se fecunda de tal modo que identifica Francisco com seu Senhor e Mestre; essa mesma Palavra torna-se fecunda para os outros, os que assistem o trabalho do Espirito nele. A palavra haverá de transformá-lo totalmente. Isto será para ele a alegria, a verdadeira alegria, a alegria perfeita que o plenifica e faz com que transborde de ação de graças” (p.36).


 Questionamentos:

• Que motivos sólidos fazem com que alguém queira fazer parte das Fraternidades Franciscanas Seculares? Por que tomamos a decisão de ser franciscanos ou franciscanas?

• Como é que se manifesta concretamente a vocação para seguir Cristo de modo particular na Ordem Franciscana Secular?

• As reuniões gerais da OFS, a Regra, retiros e outras programações visam formar cristãos maduros que se deixem guiar pelo Espirito. Na verdade o que significa abrir-se à ação do Espírito e seu santo modo de operar?

• Há pessoas que buscam fraternidades franciscanas porque precisam ser ajudadas na busca do Senhor. Como nossas fraternidades podem responder a este desejo?

• O que significa ir ao encontro dos homens e mulheres de nosso tempo?

24/07 - Bem-aventurada Luísa de Sabóia e Bem-aventurado Modestino de Jesus e Maria


Viúva, religiosa da Segunda Ordem (1462-1503). Aprovou seu culto Gregório XVI no dia 12 de agosto de 1839

“Em 24 de julho, em Orbe, na Sabóia, a beata Luísa, viúva, da ordem segunda de S. Francisco (clarissa). Se ilustre era pela nobreza de linhagem, mais ilustre se tornou pela santidade de vida. Seu culto foi confirmado pelo sumo pontífice Gregório XVI (do martirológio franciscano). Efetivamente Ludovica (ou Luísa, em português) nasceu em 28-12-1462, filha do duque Amadeu IX de Sabóia e Iolanda de França. Em 1479 casou-se com Hugo de Châlon-Arlay, senhor de Château-Guyon.


Toda a sua vida, desde a juventude, na corte e depois como esposa, foi sempre marcada por uma grande austeridade e uma profunda piedade. Mas em 1490, com 11anos de casada, ficou viúva. Passados dois anos, retirou-se para o mosteiro das clarrissas de Orbe (Vaud) doando à Igreja do mosteiro todos os seus bens. No claustro atingiu rapidamente o vértice das virtudes cristãs, decorrendo a sua vida na prática do exercício da oração, do silêncio e da pobreza mais austera, conforme a regra de Santa Clara. A irmã morte a alcançou no dia 24 de julho de 1503 nesse mosteiro.

Recordamos esta beata porque a sua família veio a reinar no Piemonte e Sardenha e foi exatamente com a sua família que se deu a unificação da Itália em 1870. Aliás a família da casa de Sabóia sempre foi muito dedicada à Igreja, e entre as mulheres sempre houve grandes santas, algumas a caminho dos altares.

O famoso sudário de Turim também pertenceu à casa de Sabóia que governou a Itália até o final da segunda guerra mundial, quando foi proclamada a república. O último rei da Itália, ao morrer, deixou o sudário de Turim para a Santa Sé.

Bem-aventurado Modestino de Jesus e Maria


Sacerdote da Primeira Ordem (1802-1854). Beatificado por João Paulo II em janeiro de 1995.

A Ordem Franciscana também celebra neste dia a memória do bem-aventurado Modestino de Jesus, sacerdote professo da Ordem dos Frades Menores Alcantarinos.  Ele sempre foi um homem de vida humilde e piedosa. Grande devoto da Virgem no ministério sacerdotal destacou-se pelo seu zelo na pregação e pela celebração do sacramento da reconciliação, bem como na prestação de serviços aos pobres e doentes. Morreu vítima da cólera, que contraiu  ao atender às vítimas da epidemia.

Modestino nasceu em Frattamaggiore, Província de Nápoles, diocese de Aversa, no dia 5 de setembro de 1802. Vestiu o hábito franciscano no dia 3 de novembro de 1822, quando ingressou no noviciado do Convento de Santa Lucia do Monte, em Nápoles.

Foi ordenado sacerdote no dia 22 de dezembro de 1827. Faleceu no dia 24 de julho de 1854.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, edizioni Porziuncola

23 de julho de 2014

23/07 - Santa Brígida da Suécia


Viúva, religiosa da Terceira Ordem (1302-1373). Fundadora da Ordem das Irmãs de São Salvador. Canonizada por Bonifácio IX em 7 de outubro de 1392.

Conhecemos bem os acontecimentos da vida de Santa Brígida, porque os seus pais espirituais redigiram a sua biografia para promover o processo de canonização logo após sua morte, ocorrida em 1373. Brígida nasceu setenta anos antes, em 1303, em Finster, na Suécia, uma nação do Norte europeu que, já fazia três séculos, havia acolhido a fé cristã com o mesmo entusiasmo com que a santa a tinha recebido de seus pais, pessoas muito piedosas, pertencentes a nobres famílias próximas à Casa real.


Podemos distinguir dois períodos na vida desta santa.
O primeiro é caracterizado pela sua condição de mulher alegremente casada.

 O marido chamava-se Ulf e era governador de um importante distrito do reino da Suécia. O matrimônio durou 28 anos, até a morte de Ulf. Nasceram oito filhos, dos quais a segunda, Karin (Catarina), é venerada como santa. Isso é um sinal eloquente do compromisso educativo de Brígida em relação a seus próprios filhos. Além disso, a sua sabedoria pedagógica foi apreciada a tal ponto que o rei da Suécia, Magnus, chamou-a à corte durante um certo período, com a missão de introduzir a sua jovem esposa, Bianca de Namur, na cultura sueca.

Brígida, espiritualmente conduzida por um douto religioso que a iniciou no estudo das escrituras, exerceu uma influência muito positiva sobre a sua família que, graças à sua presença, tornou-se uma verdadeira “igreja doméstica”. Juntamente com o marido, adotou a Regra dos Terciários franciscanos. Praticava com generosidade obras de caridade em favor dos indigentes; fundou também um hospital. Próximo à sua esposa, Ulf aprendeu a melhorar o seu caráter e a progredir na vida cristã. Ao retornar de uma longa peregrinação a Santiago de Compostela, feita em 1341 juntamente com outros membros da família, os esposos amadureceram o projeto de viver em continência; mas, pouco tempo depois, na paz de um mosteiro ao qual havia se retirado, Ulf concluiu a sua vida terrena.

Esse primeiro período da vida de Brígida ajuda-nos a apreciar aquela que hoje podemos definir como uma autêntica “espiritualidade conjugal”: unidos, os esposos cristãos podem percorrer um caminho de santidade, sustentados pela graça do Sacramento do Matrimônio. Não poucas vezes, exatamente como aconteceu na vida de Santa Brígida e Ulf, é a mulher que, com a sua sensibilidade religiosa, com a delicadeza e a doçura pode fazer o marido percorrer um caminho de fé. Penso com reconhecimento em tantas mulheres que, dia após dia, ainda hoje iluminam as próprias famílias com o seu testemunho de vida cristã. Possa o Espírito do Senhor suscitar também hoje a santidade dos esposos cristãos, para mostrar ao mundo a beleza do matrimônio vivido segundo os valores do Evangelho: o amor, a ternura, o auxílio recíproco, a fecundidade na geração e na educação dos filhos, a abertura e a solidariedade com relação ao mundo, a participação na vida da Igreja.


Quando Brígida torna-se viúva, inicia-se o segundo período da sua vida. Renunciou a outras núpcias para aprofundar a união com o Senhor através da oração, penitência e obras de caridade.
Também as viúvas cristãs, portanto, podem encontrar nessa santa um modelo a seguir. Com efeito, Brígida, com a morte do marido, após ter distribuído os seus bens aos pobres, mesmo sem ter feito a consagração religiosa, estabeleceu-se junto ao mosteiro cisterciense de Alvastra. Ali começaram as revelações divinas, que a acompanharam durante todo o resto de sua vida. Essas foram ditadas por Brígida a seus secretários-confessores, que as traduziram do sueco para o italiano em uma edição de oito livros, intitulados Revelationes (Revelações). A esses livros, une-se também um suplemento, que é intitulado precisamente Revelationes extravagantes (Revelações suplementares).

As Revelações de Santa Brígida apresentam um conteúdo e um estilo muito variado. Às vezes, a revelação apresenta-se sob a forma de diálogos entre as Pessoas divinas, a Virgem, os santos e também os demônios; diálogos nos quais também Brígida intervém. Outra vezes, ao contrário, trata-se do relato de uma visão particular; e, em outras, é narrado ainda aquilo que a Virgem Maria lhe revela acerca da vida e dos mistérios do Filho. O valor das Revelações de Santa Brígida, por vezes objeto de algumas dúvidas, foi precisado pelo Venerável João Paulo II na Carta Spes Aedificandi: “Não há dúvida que a Igreja, ao reconhecer a santidade de Brígida, mesmo sem se pronunciar sobre cada uma das revelações, acolheu a autenticidade do conjunto da sua experiência interior” (n. 5).
De fato, lendo as Revelações, somos interpelados sobre muitos temas importantes. Por exemplo, retornam frequentemente as descrições, com detalhes bastante realistas, da paixão de Cristo, pela qual Brígida teve sempre uma devoção privilegiada, contemplando nessa o amor infinito de Deus pelos homens. Na boca do Senhor que fala, ela coloca com audácia estas comoventes palavras: “Ó meus amigos, amo tão ternamente as minhas ovelhas que, se fosse possível, desejaria morrer tantas outras vez, por cada uma dessas, por aquela mesma morte que sofri para a redenção de todas” (Revelationes, Livro I, c. 59). Também a dolorosa maternidade de Maria, que a tornou Mediadora e Mãe de misericórdia, é um argumento que aparece frequentemente nas Revelações.

Recebendo esses carismas, Brígida era consciente de ser destinatária de um grande dom de predileção da parte do Senhor: “Filha minha – lemos no primeiro livro das Revelações –, escolhi a ti para mim, ama-me com todo o teu coração [...] mais do que tudo o que existe no mundo” (c. 1). De resto, Brígida bem sabia, e estava firmemente convencida, de que todo o carisma é destinado a edificar a Igreja. Exatamente por esse motivo, não poucas das suas revelações eram destinadas, sob a forma de admoestações também severas, aos fiéis de seu tempo, incluídas as Autoridades religiosas e políticas, para que vivessem coerentemente a sua vida cristã; mas fazia isso sempre com uma abordagem respeitosa e de fidelidade plena ao Magistério da Igreja, em particular ao Sucessor do Apóstolo Pedro.
Em 1349, Brígida deixou para sempre a Suécia e foi em peregrinação a Roma. Não somente buscava participar do Jubileu de 1350, mas desejava também obter do Papa a aprovação da Regra de uma Ordem Religiosa que pretendia fundar, em honra ao Santo Salvador, e composta por monges e monjas sob a autoridade da abadessa. Esse é um elemento que não deve surpreender-nos: na Idade Média, existiam fundações monásticas com um ramo masculino e um ramo feminino, mas com a prática da mesma regra monástica, que previa a direção da Abadessa.

De fato, na grande tradição cristã, à mulher é reconhecida uma dignidade própria, e – sempre sob o exemplo de Maria, Rainha dos Apóstolos – um lugar próprio na Igreja, que, sem coincidir com o sacerdócio ordenado, é igualmente importante para o crescimento espiritual da Comunidade. Além disso, a colaboração dos consagrados e consagradas, sempre no respeito da sua específica vocação, reveste-se de grande importância no mundo de hoje.

Em Roma, na companhia da filha Karin (Catarina), Brígida dedicou-se a uma vida de intenso apostolado e de oração. E, de Roma, partiu em peregrinação a diversos santuários italianos, em particular a Assis, pátria de São Francisco, pelo qual Brígida nutriu sempre grande devoção. Finalmente, em 1371, coroou o seu maior desejo: a viagem à Terra Santa, para onde foi em companhia dos seus filhos espirituais, um grupo que Brígida chamava de “os amigos de Deus”.

Durante aqueles anos, os Pontífices encontravam-se em Avignon, distante de Roma: Brígida dirigiu-se severamente a eles, a fim de que voltassem à sé de Pedro, na Cidade Eterna.
Morreu em 1373, antes que o Papa Gregório XI retornasse definitivamente para Roma. Foi sepultada provisoriamente na igreja romana de San Lorenzo in Panisperna, mas, em 1374, os seus filhos Birger e Karin a levaram de volta para a pátria, ao mosteiro de Vadstena, sede da Ordem religiosa fundada por Santa Brígida, que teve subitamente uma notável expansão. Em 1391, o Papa Bonifácio IX canonizou-a solenemente.

A santidade de Brígida, caracterizada pela multiplicidade dos dons e das experiências que desejei recordar nesse breve perfil biográfico-espiritual, tornam-na uma figura eminente na história da Europa. Proveniente da Escandinávia, Santa Brígida testemunha como o cristianismo havia profundamente permeado a vida de todos os povos deste Continente.

Declarando-a copadroeira da Europa, o Papa João Paulo II desejou que Santa Brígida – que viveu no século XIV, quando a cristandade ocidental não era ainda ferida pela divisão – pudesse interceder eficazmente junto a Deus para obter a graça tão desejada da plena unidade de todos os cristãos. Por essa mesma intenção, que tanto está presente em nossos corações, e para que a Europa saiba sempre alimentar-se das próprias raízes cristãs, desejamos rezar, queridos irmãos e irmãs, invocando a poderosa intercessão de Santa Brígida da Suécia, fiel discípula de Deus e copadroeira da Europa.


Papa Bento XVI

22 de julho de 2014

22/07 - Santa Cunegunda Rainha da Polônia

Virgem e religiosa da Segunda Ordem (1224-1292). Aprovou seu culto Alexandre VIII no dia 11 de junho de 1690. Canonizada por João Paulo II em 1999. 

Santa Cunegunda nasceu a 5 de março de 1224. Foi uma alta expoente da nobreza húngara. Era sobrinha de Santa Edwiges e de Santa Inês de Praga; irmã das Bem-aventuradas Iolanda e Margarida; prima de Santa Isabel de Portugal; prima e cunhada da Bem-aventurada Salomé de Cracóvia; tia de São Luís de Tolosa.

Muito trabalhou para a canonização de Santo Estanislau e Santa Edwiges. Nasceu em 1224. Casou-se com Boleslau V, o Casto, príncipe de Cracóvia, em 1239, vivendo com ele durante 40 anos em virgindade: durante a vida do casal, o casamento nunca foi consumado por decisão do casal, para servir melhor a Jesus Cristo.

Cunegunda dedicou muita atenção aos pobres e desafortunados. Uma lenda associa-a à descoberta das minas de sal de Wieliczka, na Polônia e é representada nas mesmas minas de sal de Wieliczka como em visita com a família real. Após a morte do marido, em 1279, tornou-se Clarissa, no Mosteiro de Stary Sacz, fundado por ela e o marido em Sandeck, decidindo não querer ter qualquer papel na governação do reino e desfazendo-se de todas as suas posses materiais.

Ali, porém mais tarde, precisou aceitar o cargo de abadessa. Passou o resto da sua vida em oração contemplativa, não deixando ninguém referir-se ao seu papel anterior como rainha da Polônia. Morreu em 24 de julho de 1292, aos 68 anos. Foi declarada padroeira da Polônia e Lituânia pelo Papa Clemente XI em 1695. Foi beatificada em 1690 pelo Papa Alexandre VIII; e canonizada pelo Papa João Paulo II em Stary Sacz no dia 16 de Junho de 1999.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, edizioni Porziuncola.

21 de julho de 2014

21/07 - São Lorenço de Brindisi


Sacerdote, Doutor da Igreja, da Primeira Ordem (1559-1619). Canonizado por Leão XIII em 1881

São Lourenço nasceu em Brindes, Itália, a 22 de julho de 1559, no seio de ilustre família. Bem cedo ficou órfão de pai e foi recebido, ainda criança, pelos Franciscanos Conventuais, frequentando entre eles os estudos de humanidades. Perdeu a sua mãe quando tinha 14 anos de idade. Nessa altura, deixou a cidade onde nascera e também o seminário dos Conventuais e passou a viver em Veneza, na casa de um tio paterno. Ali, conheceu os Capuchinhos e pediu para ser recebido na Ordem.


Passou o ano de noviciado em Veneza e, a 24 de março de 1576, foi admitido à profissão religiosa. Começou a estudar Lógica em Pádua e em Veneza iniciou o estudo da Filosofia e Teologia. Dotado de inteligência excepcional e levado pela sede insaciável de saber, aplicou-se em profundidade, sobretudo, nos estudos bíblicos. Dedicou especial cuidado às línguas bíblicas, e muito em particular, às línguas semitas, que aprendeu com tal perfeição, que provocava a admiração nos próprios rabinos.

A sua memória era verdadeiramente prodigiosa. Pode-se dizer que falava todas as línguas de então. Ordenado sacerdote em Veneza, aos 18 de dezembro de 1582, foi-lhe confiado o ensino da Teologia. Pelo conhecimento das ciências sagradas, pelos dotes de orador e pela sua santidade, conquistou a estima de todos os sábios daquele tempo e de seus irmãos.

Pelo conhecimento das diversas línguas, teve possibilidade de percorrer toda a Europa levando a toda à parte, mesmo a regiões onde proliferavam muitas heresias, uma palavra firme de verdade, de obediência e de fé. Foi eleito, diversas vezes, Ministro Provincial e Ministro Geral da Ordem.

Percorreu novamente (e a pé) grande parte da Europa, em visita aos seus irmãos, edificando-os com o exemplo da sua vida e com a sua palavra fervorosa. O segredo dos seus incontáveis recursos foi a devoção terna a Nossa Senhora, cujos privilégios e vida soube descrever com palavras de entusiasmo. À sua atividade pastoral e apostólica juntou a de escritor de vasta obra de exegese, oratória e de apologética, sobretudo, contra os luteranos. Clemente VIII chamou-o a Roma para o enviar à Hungria, Boêmia, Bélgica, Suíça, Alemanha, França e Portugal.

Foi pregador e embaixador junto de diversos soberanos de nações cristãs que estimulou para a cruzada contra os turcos a fim de evitar o seu avanço. Depois da Guerra, o Papa Paulo V mandou- o como embaixador de paz entre as potências cristãs frequentemente em guerra. Conseguiu conquistar o espírito dos mais turbulentos soberanos com a sua humildade, mansidão e a sua eloquência de homem habituado à oração e à penitência.
Dotado de tempera- mento enérgico e impulsivo, de habilidade, de oratória e força persuasiva, conseguiu trazer para a fé católica muitos protestantes e alguns hebreus. Em 1619, empreendeu sua última viagem à Península Ibérica, com a missão de paz junto do Rei Filipe III. Foi nesta missão que morreu, em Belém, na cidade de Lisboa, a 22 de julho de 1619, no mesmo dia em que completava 60 anos de idade.

 Foi canonizado por Leão XIII em 1881 e, em 1959, foi proclamado Doutor da Igreja pelo Papa João XXIII, com o nome de Doutor Apostólico.

20 de julho de 2014

20/07 - Bem-aventurado Nicolau Maria Alberca e Torres


Sacerdote e mártir da Primeira Ordem. Beatificado por Pio XI no dia 10 de outubro de 1926

Nicolau Alberca é o mais novo dos Mártires de Damasco. Nasceu em 1830. Ele entrou para a Ordem aos 25 anos, após o noviciado e os respectivos estudos foi ordenado sacerdote. Em 27 de janeiro de 1859 partiu como missionário à Terra Santa, e no dia 10 de julho de 1860 partiu para o céu com a coroa do martírio.


Foi religioso apenas 5 anos, mas franciscano a vida toda, como seu lema foi o de São Francisco: “Meu Deus e meu tudo”. Quando expressou sua vontade de ir como missionário, preparou-se para isso no colégio de Priego, juntamente com outros mártires religiosos como ele em Damasco: Pedro Soler e Nicanor Ascanio. A santa educação recebida na família (dos 10 irmãos, 6 se consagraram a Deus) o levava a afirmar: “Prefiro sofrer a morte mil vezes, mas não trair o meu Senhor”, preparando-se quase conscientemente para o martírio.

Em 1859, Nicolau partiu para a missão em Damasco. Na Síria e na Palestina a vida dos cristãos estava constantemente em perigo: na verdade, os turcos estavam preparando uma perseguição contra os cristãos para vingar o Tratado de Paris de 1856 (o acordo pôs fim à guerra da Crimeia, onde a Turquia, representada por Aali-pachà, também conhecido como Meliemet Emin, era admitida na comunidade das potências europeias, tendo o sultão assumido o compromisso de tratar seus súditos cristãos de acordo com as leis europeias).

A intenção de realizar um massacre era tão clara que o grande patriota argelino ‘Abd-el-Kadir, retirando-se para Damasco, após uma resistência desesperada à invasão francesa de sua terra natal, desgostoso, decidiu usar os seus seguidores para proteger os cristãos. No entanto, em 9 de julho de 1860 começou a caça aos cristãos. Abd-el-Kadir não conseguiu resgatar os missionários que estavam presos no convento, confiando em suas paredes fortes. Na noite de 9 de julho um judeu introduziu os turcos no convento por uma porta lateral, que ninguém se lembrava mais. Nicolau foi brutalmente morto por um tiro de espingarda, juntamente com sete outros companheiros, na manhã de 10 de julho de 1860.

Poucos meses antes do martírio, Nicolau havia escrito uma carta para sua mãe, na qual ele expressou o desejo de vê-la ainda aqui na terra, desde que este estivesse de acordo com a vontade de Deus. Pelo que sabemos, o jovem missionário precedeu a sua mãe no céu.
O martírio de Nicolau foi o mais breve registrado na história de nossos mártires. Quando perseguido pelos muçulmanos em um corredor, enquanto a igreja e convento foram envolvidos em chamas, o intimaram a renunciar a Cristo para se juntar a Maomé, respondeu: “Posso sofrer mil vezes a morte, mas não vou trair meu Senhor”. Um tiro de rifle matou o religioso. Ele tinha apenas 30 anos.

19 de julho de 2014

19/07 - Bem-aventurado Nicanor Ascanio


Sacerdote e mártir da Primeira Ordem (1814-1860). Beatificado por Pio XI no dia 10 de outubro de 1926

Nicanor Ascanio nasceu no Vilarejo de Salvanés, província de Madrid, em 1814. Aos 16 anos tomou o hábito dos Frades Menores, continuou seus estudos e foi ordenado sacerdote. Ele foi diretor das Irmãs Concepcionistas e pároco em sua terra natal. Muito devoto, penitente, zeloso, desejava se consagrar por inteiro às missões. Essa vontade fez dele um sacerdote modelo.

Na sua juventude, ele tinha sonhado com a vida apostólica, o sacrifício e o martírio, mas em 26 anos, esses desejos não passaram de meros sonhos. A venerável Irmã Maria das Dores, morta com a fama de santidade em 27 de janeiro de 1891, tinha assegurado a ele que Deus queria que ele fosse à Terra Santa, como missionário e mártir na pátria de Jesus. O Bem-aventurado Nicanor, obediente à voz celestial, muitas vezes ouviu, em suas longas horas de oração, o chamado para partir à Terra Santa, uma terra que seria o palco de seu apostolado dinâmico, de lutas, sacrifícios e martírio.

Chegando a Jerusalém, orou intensamente no Santo Sepulcro, no Calvário e no Getsêmani, na gruta de Belém e em todos os outros santuários. Ele foi enviado a Damasco para aprender a língua árabe sob a direção do bem-aventurado Carmelo Volta, quando a perseguição religiosa estava por vir.

Em 10 de julho de 1860, os muçulmanos ordenaram a ele renunciar ao cristianismo e abraçar a religião de Maomé para salvar sua vida. Nicanor, ainda não muito familiarizado com a língua árabe, não compreendeu imediatamente o que lhe foi perguntado, mas como ele conseguia entender, respondeu enfaticamente: “Eu sou um cristão, matem-me. Eu acredito em Cristo e não no profeta Maomé”. Foi imediatamente morto por decapitação. Assim se cumpriu a profecia de Irmã Maria das Dores.

Foi um episódio triste, principalmente devido ao fanatismo e à crueldade dos drusos, que na noite entre 9 e 10 de julho, em Damasco, invadiram o convento dos franciscanos no bairro cristão, centro reconhecido e florescente. Também se refugiaram dentro do convento três cristãos maronitas, martirizados juntamente com os oito franciscanos. Nicanor tinha 46 anos.

18 de julho de 2014

Reflexão - Conhecimento


“Crescimento significa mudança, e toda mudança implica o risco de passar do conhecido ao desconhecido” (George Shinn).

Toda reflexão, toda abertura da mente ao pensamento criativo e toda busca de conhecimento devem ser bem-vindos, pois nos darão chances para o crescimento emocional e pessoal, que possibilitará crescimento e evolução para a sociedade humana. Os grandes pensadores são visonários, pois conseguem apreender os sinais dos tempos, atencipam o futuro, possibiltam grandes avanços para a  humanidade…

É importante a vontade de aprimorar o conhecimento: tudo é motivo para aprendizagem e crescimento. Nunca perca a curiosidade e a vontade de progredir, independente de sua idade. Procure abrir-se para o novo, mesmo que este traga insegurança. As aves nascem com o instinto de voar, mas somente o fazem quando se lançam dos ninhos ou dos penhascos. Para elas, voar é viver…

Um excelente fim de semana!

Frei Paulo Sérgio, ofm

18/07 - São Simão de Lipnica


Sacerdote da Primeira Ordem (1435-1482). Aprovou seu culto Inocêncio XI no dia 24 de fevereiro de 1685. Foi canonizado no dia 3 de junho 2007, no átrio da Basílica do Vaticano, pelo Papa Bento XVI

O Beato Simão nasceu em Lipnica, Murowana, na Polônia meridional, entre os anos de 1435-1440. Seus pais, Gregório e Ana, souberam dar a ele uma boa educação, inspirada nos valores da fé cristã e, apesar de sua modesta condição, preocuparam-se em assegurar uma adequada formação cultural. Simão cresceu com um caráter piedoso e responsável, uma natural predisposição à oração e um terno amor à Mãe de Deus.


Em 1454, viajou a Cracóvia para assistir à famosa Academia Jagellonica. Nesse tempo São João de Capistrano entusiasmava a cidade com a santidade de sua vida e o fervor de sua pregação, atraindo à vocação franciscana um numeroso grupo de jovens. Em 8 de setembro de 1453, o santo italiano havia também fundado, na Cracóvia, o primeiro convento da Observância, com o nome de São Bernardino de Sena. Por esse motivo, os frades menores daquele convento foram chamados pelo povo de “bernardinos”.

Em 1457, também o jovem Simão, fascinado pelo ideal franciscano, preferiu seguir o Evangelho, interrompendo uma carreira de sucessos. Para tanto, pediu para ser aceito, com outros dez companheiros de estudos, no convento de Stradom.

Sob a orientação do Mestre de noviços, P. Cristóforo de Varese, religioso eminente por sua doutrina e santidade de vida, Simão recorreu com generosidade à vida humilde e pobre dos frades menores, alcançando o sacerdócio em 1460. Exerceu seu primeiro ministério no convento de Tarnów, onde foi guardião da fraternidade. Em seguida, se estabaleceu em Stradom (Cracóvia), dedicando-se incansavelmente à pregação evangélica, com palavra limpa, plena de ardor, de fé e sabedoria, que deixava entrever sua profunda união com Deus e o prolongado estudo da Sagrada Escritura.

Como São Bernardino de Sena e São João de Capistrano, Fr. Simão estende a devoção ao Nome de Jesus, obtendo a conversão de inúmeros pecadores. Em 1463, primeiro entre os Frades Menores, ocupou o ofício de pregador na catedral de Wawel. Por sua entrega à pregação evangélica das fontes antigas, ganhou o título de “Pregador Fervorosíssimo”.
Desejoso em render homenagem a São Bernardino de Sena, inspirador de sua pregação, em 17 de maio de 1472, junto a outros frades poloneses, chegou a Aquitania para participar da solene transladação do santo para o novo templo erguido em sua honra. Novamente foi à Itália, em 1478, por ocasião do Capítulo Geral em Pávia. Nessa ocasião pode satisfazer um desejo profundo de visitar as tumbas dos Apóstolos, em Roma, e prosseguir depois sua peregrinação à Terra Santa. Viveu a feliz experiência em espírito de penitência, de verdadeiro amante da Paixão de Cristo, com a oculta aspiração de derramar o próprio sangue pela salvação das almas, agradando assim a Deus.

Imitador de São Francisco em seu amor pelos lugares santos, na eventualidade de ser capturado pelos infiéis, antes de viajar memorizou todo o texto da Regra da Ordem “para tê-la sempre diante dos olhos e da mente”.

O amor de Simão pelos irmãos se manifestou de maneira extraordinária no último ano de sua vida, quando uma epidemia da peste devastou Cracóvia. De julho de 1482 a 6 de junho de 1483, a cidade esteve sob o flagelo da enfermidade. Na desolação geral, os franciscanos do convento de São Bernardino se doaram incansavelmente no cuidado aos enfermos, como verdadeiros anjos de consolo.

Fr. Simão tomou aquele como um “tempo propício” para exercitar a caridade e para levar a cabo a oferenda da própria vida. Por todas as partes passou confortando, prestando ajuda, administrando os sacramentos e anunciando a consoladora Palavra de Deus aos moribundos. E acabou também contagiado. Suportou com extraordinária paciência os sofrimentos da enfermidade e, próximo da morte, expressou o desejo de ser sepultado no umbral da igreja, para que todos pudessem pisoteá-lo. No sexto dia da enfermidade, a 18 de julho de 1482, sem temer a morte e com os olhos fixos sobre a Cruz, entregou sua alma a Deus.

A causa de sua canonização, retomada pelo Papa Pio 12, em 25 de junho de 1948, chegou a bom termo com o reconhecimento de um milagre na cidade de Cracóvia em 1943 e decretada pelo Papa Bento 16, em dezembro de 2006.

São Simão de Lipnica soube harmonizar admiravelmente o compromisso da evangelização e o testemunho da caridade, que brota de seu grande amor à Palavra de Deus e aos irmãos mais pobres e que mais sofrem.

17 de julho de 2014

17/07 - Santa Maria Magdalena Postel


Virgem da Terceira Ordem (1756-1846). Fundadora das Irmãs das Escolas Cristãs da Misericórdia. Canonizada por Pio XI no dia 24 de maio de 1926.

No dia 28 de novembro de 1758, nasceu a filha primogênita do casal Postel, camponeses de uma rica fazenda em Barfleur, na Normandia, França. A criança foi batizada com o nome de Júlia Francisca Catarina, tendo como padrinho aquele rico proprietário.


Júlia Postel teve os estudos patrocinados pelo padrinho, que, como seus pais, queria que seguisse a vida religiosa. Ela foi aluna interna do colégio da Abadia Real das Irmãs Beneditinas, em Volognes, onde se formou professora. No início, não pensou na vida religiosa, sua preocupação era com a grande quantidade de jovens que, devido à pobreza, estavam condenadas à ignorância e à inferioridade social.
De volta à sua aldeia natal, Júlia Postel, com determinação e dificuldade, criou uma escola onde lecionava e catequizava crianças, jovens e adultos abandonados à ignorância, até do próprio clero da época, que desconhecia a palavra “pastoral”. Era solicitada sempre pelos mais infelizes: pobres, órfãos, enfermos, idosos, viúvas, que a viam como uma mãe zelosa, protetora, que não os abandonava, sempre cheia de fé em Cristo. Aos ricos pedia ajuda financeira e, quando não tinha o suficiente, ia pedir esmolas, pois a escola e as obras não podiam parar.

A Revolução Francesa chegou arrasadora, em 1789, declarando guerra e ódio ao trono e à Igreja, dispersando o clero e reduzindo tudo a ruínas. Júlia Postel fechou a escola, mas, a pedido do bispo, escondeu em sua casa os livros sagrados e o Santíssimo Sacramento e foi autorizada a ministrar a comunhão nos casos urgentes. Organizou missas clandestinas e instruiu grupos de catequistas para depois da Revolução. Sua vocação religiosa estava clara.

No dia 13 de fevereiro de 1798 se faz terceira franciscana. Não muda muito sua vida ascética; de São Francisco de Assis aprende a generosidade e o amor a Deus e aos irmãos, o fervor na oração e no apostolado.

A paz com a Igreja foi restabelecida em 1802. Juntamente com duas colegas e a ajuda do padre Cabart, Júlia Postel fundou a Congregação das Filhas da Misericórdia, em Cherbourg. Ao proferir seus votos, escolheu o nome de Maria Madalena. A princípio, a formação das religiosas ficou voltada para o ensino escolar e foi baseada nos mesmos princípios dos irmãos das escolas cristãs, já que na época era grande essa necessidade. Essas religiosas, aos poucos, foram se espalhando por todo o território francês. Depois, a pedido de Roma, a formação foi mudada, passando a servir como enfermeiras.

Em 1832, madre Maria Madalena, junto com suas irmãs, estabeleceu-se nas ruínas da antiga Abadia Beneditina de Saint-Sauveur-le-Vicomte. Foi reconstruída com dificuldade e tornou-se a Casa-mãe da congregação. Madre Maria Madalena Postel morreu com noventa anos de idade, em 16 de julho de 1846. A fama de sua santidade logo se espalhou pelo mundo cristão.

Foi beatificada em 1908, e depois canonizada pelo papa Pio XI, em 1926. Está sepultada em Saint-Sauveur-le-Vicomte. A sua festa acontece no dia 17 de julho e a sua obra, hoje, chama-se Congregação das Irmãs de Santa Maria Madalena Postel.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, edizioni Porziuncola

16 de julho de 2014

Reflexão - Gratidão


“Embora seja curta a vida que nos é dada pela natureza, é eterna a memória de uma vida bem empregada” (Cícero).

O fundamental em nossa vida é encontrar sentido no próprio caminhar da existência, no próprio viver. O acaso, como bem sabemos, não existe! Sorte significa estar no lugar certo, na hora e fazer o que é certo. Dessa maneira, dar sentido ao cotidiano, aos afazeres, às pequenas coisas vai povoando nosso coração de momentos que ajudam a construir o todo da vida.

Infelizmente enchemos nossa mente de pensamentos negativos e de projetos fantasiosos.Temos facilidade em reclamar aquilo que não temos e não aproveitamos o muito que já possuímos. O espírito de gratidão a Deus é o melhor remédio para nos curar de tais amarguras, pois a gratidão nos enche de alegria, felicidade e paz. Procure significar sua vida através da missão confiada a você. Reze com sua família, com sua equipe de trabalho e seja grato (a) a Deus por tantas bênçãos e pelo dom maior da VIDA…

Frei Paulo Sérgio, ofm

16/07 - Memória de São Francisco de Assis


Aniversário de sua canonização (1228)

No dia 16 de julho de 1228, dois anos depois de sua morte, São Francisco de Assis foi canonizado pelo Papa Gregório IX. Na ocasião, ele publicou a Bula de Canonização “Mira circa nos”  “aos veneráveis irmãos arcebispos, bispos etc… "

Bula de Canonização de São Francisco de Assis.


Gregório bispo… aos veneráveis irmãos Arcebispos, Bispos, etc.

1). É maravilhoso como Deus se digna ter piedade de nós e inestimável é o amor de sua caridade, pela qual entregou-nos o filho à morte para remir o escravo!

Sem renunciar aos dons de sua misericórdia e conservando com proteção contínua a vinha que foi plantada por sua destra, continua a mandar operários para ela mesmo na décima primeira hora para que a cultivem bem arrancando com a enxada e o arado com o qual Samgar abateu seiscentos Filisteus (Jz 6,31) os espinhos e as ervas más, para que, podados os ramos supérfluos e os brotos espúrios que não levam às raízes, e extirpados os espinheiros, ela possa amadurecer frutos suaves e saborosos.
Aqueles frutos que, purificados na prensa da paciência, poderão ser levados para a adega da eternidade, depois de ter queimado de uma vez, como com o fogo, a impiedade junto com a caridade esfriada de muitos, destinada a ser destruída na mesma ruina, como foram precipitados os filisteus caindo por causa do veneno da volubilidade terrena.

2). Eis o Senhor que, enquanto destruía a terra com a água do dilúvio, guiou o justo em uma desprezível arca de madeira (Sb 10,4), não permitindo que a vara dos pecadores prevalecesse sobre a sorte dos justos (Sl 124,3), na hora undécima suscitou seu servo o bem-aventurado Francisco, homem verdadeiramente segundo o seu coração (Cfr. 1Sm 13,14), lâmpada desprezada no pensamento dos ricos mas preparada para o tempo estabelecido, mandando-o para a sua vinha para que arrancasse os seus espinhos e espinheiros, depois de ter aniquilado os filisteus que a estavam assaltando, iluminando a pátria, e para que a reconciliasse com Deus admoestando com assídua exortação Cfr. Jz 15.15).

3). O qual, quando ouviu interiormente a voz do amigo que o convidava, levantou-se sem demora, despedaçou os laços do mundo cheio de bajulações, como um outro Sansão prevenido pela graça divina e, cheio de Espírito de fervor, pegou uma queixada de asno (Jz 11,15), com uma pregação feita de simplicidade, não enfeitada com as cores de uma persuasiva sabedoria humana (1Cor 1,17), mas com a força poderosa de Deus, que escolhe as coisas fracas do mundo para confundir os fortes, prostrou não só mil mas muitos milhares de filisteus, com o favor daquele que toca os montes e os faz fumegar (Sl 103,32), e reduziu à servidão do espírito os que antes serviam às impurezas da carne.

Quando eles ficaram mortos para os vícios e vivos para Deus e não mais para si mesmos, pois a parte pior tinha perecido, saiu da mesma queixada água abundante (cfr. Jz 15,10), que restaurava, lavava e fecundava todos os que tinham caído, sórdidos e ressecados, aquela água que, brotando para a vida eterna, pode ser comprada sem dinheiro e sem nenhuma outra despesa (Is 55,1) . Expandindo-se por toda parte, seus regatos irrigam a vinha, estendendo até o mar seus ramos, até o rio os seus rebentos (Sl 79,12).

4). Afinal, imitou os exemplos de nosso pai Abraão, saindo espiritualmente de sua terra, de sua parentela e da casa de seu pai, para ir para a terra que o Senhor lhe havia mostrado com sua divina inspiração (Gn 12,1). Para correr mais expeditamente, para o prêmio da vocação celeste (Fl 3,34), e poder entrar mais facilmente pela porta estreita (Mt 7,15), deixou a bagagem das riquezas terrenas, conformando-se com Aquele que, de rico que era fez-se pobre por nós, distribuiu-as, deu-as aos pobres (2Cor, 8,9), para que assim, sua justiça perdurasse para sempre (Sl 111,9).

E quando chegou perto da terra da visão, na montanha que lhe tinha sido mostrada (Gn 22,3), isto é, sobre a excelência da fé, ofereceu ao Senhor em holocausto sua carne, que antes o havia enganado, como filha unigênita, à semelhança da Jefté (Cfr. Jz 11), colocando-se no fogo da caridade, macerando sua carne pela fome, sede, frio, nudez, vigílias sem conta e jejuns. Quando a tinha, assim, crucificado com os vícios e as concupiscências (Gl 5,24), podia dizer com o Apóstolo: Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim (Rm 4,25). E, de fato, não vivia já não vivia para si mesmo mas para Cristo, que morreu por nossos pecados e ressuscitou para a nossa justificação, para que já não servíssemos o pecado de maneira alguma.
Suplantando também os vícios, travou uma viril batalha contra o mundo, a carne e os poderes celestes. E, renunciando à mulher, à casa de campo e aos bois, que afastaram os convidados da grande ceia (Lc 14,15-22), levantou-se com Jacó (Cfr. Gn 35,1-11) ao comando do Senhor e, recebendo a graça septiforme do Espírito Santo, assistido pelas oito bem-aventuranças evangélicas, subiu através dos quinze degraus das virtudes, indicadas misticamente nos Salmos, para Betel, a casa do Senhor, que a tinha preparado para ele.
E lá, construindo o altar de seu coração para o Senhor, ofereceu sobre ele os aromas de suas devotas orações, que os anjos haveriam de levar à presença do Senhor com suas mãos, agora que já estava prestes a tornar-se um concidadão dos anjos.

5). Mas, para não ajudar somente a si mesmo lá na montanha, unido apenas no abraço de Raquel, bela mas estéril, isto é, na contemplação, desceu para o quarto proibido de Lia (Cfr. Gn 29), para conduzir o rebanho fecundo de filhos gêmeos através do deserto, procurando para eles as pastagens de vida, a fim de que, lá, onde o alimento é o maná celeste para os que se apartaram do estrépito do mundo, enterrando suas sementes com abundância de lágrimas (Sl 125, 5-6), pudesse colher exultando, os feixes para o celeiro da eternidade, ele destinado a ser colocado entre os príncipes de seu povo, coroado com a coroa de justiça.
É certo que ele não buscou seus próprios interesses mas antes o de Cristo (Fl 3,21), e o serviu como abelha industriosa; e, como estrela da manhã que aparece no meio das nuvens e como lua nos dias de seu pleno esplendor (Sl 50,6), e como sol resplandecente na Igreja de Deus, tomou em suas mãos a lâmpada e a trombeta para chamar para a graça os humildes com as provas de suas obras luminosas, e retirar os calejados no mal de suas graves culpas aterrando-os com uma dura reprovação.

Assim, inspirado pela virtude da caridade, irrompeu intrepidamente no acampamento dos madianitas, isto é, daqueles que evitam o juízo da Igreja por desprezo, com a ajuda daquele que, enquanto estava fechado dentro do seio da Virgem, atingia o mundo inteiro com o seu domínio; e arrebatou as armas em que punha sua confiança o forte armado que guardava sua casa (Lc 11,21-22), e distribuiu os despojos que ele mantinha, levando como escrava a escravidão (Ef 4,8) dele em homenagem a Jesus Cristo.

6). Por isso, tendo superado enquanto estava na terra o tríplice inimigo, fez violência ao Reino dos Céus e com a violência arrebatou-o (Mt 11,12). E depois das numerosas e gloriosas batalhas desta vida, triunfando sobre o mundo, voltou ao Senhor, precedendo muitos dotados de ciência, ele que deliberadamente era sem ciência e sabiamente ignorante.

7). Na verdade, ainda que sua vida, tão santa, operosa e luminosa, tenha sido suficiente para que conquistasse a companhia da Igreja triunfante, a Igreja militante, que só vê a face exterior, não tem a presunção de julgar por sua própria autoridade aqueles que não são de sua alçada, para apresentá-los à veneração baseando-se só sobre a sua vida, principalmente porque algumas vezes o anjo de satanás transforma-se em anjo de luz (2Cor 11,14); o Onipotente e misericordioso Deus, por cuja graça o referido servo de Cristo serviu-o digamente e com louvor, não permitindo que uma lâmpada tão maravilhosa ficasse escondida embaixo do alqueire, mas querendo colocá-la sobre o candelabro para oferecer a restauração de sua luz a todos aqueles que estão na casa (Lc 11,33), declarou com múltiplos e grandiosos milagres que a vida dele era agradável para ela e que sua memória devia ser venerada na Igreja militante.

8). Portanto, como já nos eram plenamente conhecidos os traços mais singulares de sua vida gloriosa, pela familiaridade que teve conosco quando estávamos constituídos em um cargo menor, e fosse feita fé plena a respeito do esplendor de seus múltiplos milagres, através de testemunhas idôneas de que nós e o rebanho a nós confiado seríamos ajudados por sua intercessão e teríamos como patrono no céu aquele que foi nosso amigo na terra, reunindo o consistório de nossos irmãos [os cardeais], e tendo obtido o consentimento deles, decretamos que o inscrevíamos no catálogo dos santos para a devida veneração.

9). Estabelecemos que a Igreja universal celebre devotamente e com solenidade o seu nascimento para o céu no dia 4 de outubro, o dia em que, livre do cárcere da carne, subiu ao Reino celeste.

10). Por isso pedimos, admoestamos e exortamos no Senhor a todos vós, e comunicando-o através deste escrito apostólico que, nesse dia, vos apliqueis intensa e alegremente aos divinos louvores na sua comemoração e imploreis humildemente que por sua intercessão e méritos possamos chegar à sua companhia. Que isso vos conceda Aquele que é bendito nos séculos dos séculos. Amém.

Dado em Perusa, no dia 19 de julho de 1228, no segundo ano de nosso pontificado.