24 de dezembro de 2010

A NOITE DE GRECCIO

Aproxima-se o maior e mais importante evento da humanidade: o Natal, a Encarnação de nosso Senhor Jesus Cristo. E falando em Natal, vem a recordação de um fato muito caro a nós franciscanos: a noite de Greccio, onde o primeiro presépio foi encenado publicamente.
Do Presépio que fez no dia do Natal do Senhor
Sua maior aspiração, seu mais vivo desejo e mais elevado propósito era observar o Evangelho em tudo e por tudo, imitando com perfeição, atenção, esforço, dedicação e fervor os "passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento de sua doutrina". Estava sempre meditando em suas palavras e recordava seus atos com muita inteligência. Gostava tanto de lembrar a humildade de sua encarnação e o amor de sua paixão, que nem queria pensar em outras coisas.
Precisamos recordar com todo respeito e admiração, o que fez no dia de Natal, no povoado de Greccio, três anos antes de sua gloriosa morte. Havia nesse lugar um homem chamado João, de boa fama e vida ainda melhor, a quem São Francisco tinha especial amizade porque, sendo muito nobre e honrado em sua terra, desprezava a nobreza humana para seguir a nobreza de espírito.
Uns quinze dias antes do Natal, São Francisco mandou chamá-lo, como costumava fazer, e disse: "Se você quiser que celebremos o Natal em Greccio, é bom começar a preparar diligentemente e desde já o que eu vou dizer. Quero lembrar o menino que nasceu em Belém, os apertos que passou, como foi posto num presépio, e contemplar com os próprios olhos como ficou em cima da palha, entre o boi e o burro". Ouvindo isso, o homem bom e fiel correu imediatamente e preparou no lugar indicado o que o Santo tinha pedido.
E veio o dia da alegria, chegou o tempo da exultação. De muitos lugares foram chamados os Irmãos. Homens e mulheres do lugar, coração em festa, prepararam como puderam tochas e archotes para iluminar a noite que tinha iluminado todos os dias e anos com sua brilhante estrela. Por fim, chegou o Santo e, vendo tudo preparado, ficou satisfeito. Fizeram um presépio, trouxeram palha, um boi e um burro. Greccio tornou-se uma nova Belém, honrando a simplicidade, louvando a pobreza e recomendando a humildade.
A noite ficou iluminada como o dia : era um encanto para os homens e para os animais. O povo foi chegando e se alegrou com o mistério renovado em uma alegria toda nova. O bosque ressoava com as vozes que ecoavam nos morros. Os frades cantavam, dando os devidos louvores ao Senhor e a noite inteira se rejubilava. O Santo estava diante do presépio a suspirar, cheio de piedade e de alegria. A Missa foi celebrada ali mesmo no presépio, e o sacerdote sentiu uma consolação jamais experimentada.
O Santo vestiu dalmática, porque era diácono, e cantou com voz sonora o Santo Evangelho. De fato, era "uma voz forte, doce, clara e sonora", convidando a todos às alegrias eternas. Depois pregou ao povo presente, dizendo coisas doces como o mel, sobre o nascimento do Rei pobre e sobre a pequena cidade de Belém. Muitas vezes, quando queria nomear Cristo Jesus, chamava-o também com muito amor de "Menino de Belém", e pronunciava a palavra "Belém" como o balido de uma ovelha, enchendo a boca com a voz e mais ainda com a doce afeição. Também estalava a língua quando falava "Menino de Belém" ou "Jesus", saboreando a doçura dessas palavras.
Multiplicaram-se nesse lugar os favores do Todo-Poderoso, e um homem de virtude teve uma visão admirável. Pareceu-lhe ver deitado no presépio um bebê sem vida, que despertou quando o Santo chegou perto. E essa visão veio muito a propósito, porque o menino Jesus estava de fato esquecido em muitos corações, nos quais, por sua graça e por intermédio de São Francisco, ele ressuscitou e deixou a marca de sua lembrança. Quando terminou a vigília solene, todos voltaram contentes para casa.
Guardaram a palha usada no presépio para que o Senhor curasse os animais, da mesma maneira que tinha multiplicado sua santa misericórdia. De fato, muitos animais que padeciam das mais diversas doenças naquela região comeram daquela palha e ficaram curados. Mais: mulheres com partos longos e difíceis tiveram um resultado feliz, colocando sobre si mesmas um pouco desse feno. Da mesma sorte, muitos homens e mulheres conseguiram a cura das mais variadas doenças
O presépio foi consagrado a um templo do Senhor e no próprio lugar da manjedoura construíram um altar em honra de nosso pai São Francisco e dedicaram uma igreja, para que, onde os animais já tinham comido o feno, passassem os homens a se alimentar, para salvação do corpo e da alma, com a carne do cordeiro imaculado e incontaminado, Jesus Cristo Nosso Senhor, que se ofereceu por nós com todo o seu inefável amor e vive com o Pai e o Espírito Santo eternamente glorioso por todos os séculos dos séculos. Amém. Aleluia, Aleluia. (Bv. Tomás de Celano, Vida primeira de São Francisco, nºs 84-87).


O que queria exatamente o Pai Seráfico mostrar tal apresentação? Seria apenas um "capricho" dos últimos anos de sua vida? Apenas um gesto simbólico? Ou não haveria algo mais profundo escondido na penumbra deste evento?


Não quis porventura São Francisco mostrar aos homens onde é o Greccio de cada um e onde realmente ocorre o Natal par cada homem de boa vontade? Mas, então, onde estava o Greccio que Francisco quis mostrar? Onde é possível a cada ser humano poder receber em seus braços o Menino Deus? Onde a sagrada Família encontra seu pouso após passar por tantas hospedarias e não encontrar nenhuma vaga e receber tantos nãos?

Greccio é o coração do ser humano, a manjedoura humilde e simples que o Menino Deus busca a cada ano para poder nascer. É este o lugar privilegiado e sagrado que o Senhor busca para encarnar-se e iniciar uma experiência, uma história de amor com cada um de nós.

Como, então, está nosso Greccio? Em breve ecoará a mais bela notícia: o Menino nasceu... E ele quer estar reclinado, sim, na ínfima manjedoura de nossos corações! Apressemo-nos, portanto, e preparemo-nos para recebê-lo. T

Frei Carlos Guimarães,OFMConv.(Reflexões Franciscanas)

22 de dezembro de 2010

NATAL É TRAZER À LUZ

A criança olhava curiosa o trabalho do eletricista que o pai contratou para uns reparos na instalação elétrica da casa. De repente, perguntou:
- O que é eletricidade?

Pacientemente, o eletricista respondeu:

- Sinceramente, não sei, filho. A única coisa que sei é que posso fazer com que ela lhe dê luz!
Que Mistério revela o Natal! Diante do Mistério, nós não temos compreensão, nem palavras. Há em nós um silêncio contemplativo como pastores olhando aquele Menino na manjedoura. Quando o Amor é grande demais, faltam dizeres. Mas uma coisa sabemos: a Vida ficou toda Iluminada! Por isso, hoje, não temos muitas palavras, mas queremos dizer à luz de todos os nossos gestos de cuidado e amor:

20 de dezembro de 2010

O QUE ESTÃO FAZENDO COM O NATAL DO SENHOR?

É Natal...
e a cada Natal que passa...
vejo as trapaças do inimigo invisível de nossas almas...
com suas armadilhas perniciosas,
tentando perverter esta grande festa cristã...

Contemplando a decoração de natal de lojas e shopcenters,
nada lembra o Natal do Senhor....
Nada lembra o nascimento do Filho de Deus entre nós...
Olho estupefato, vejo tudo enfeitado,
porém, vazio da presença do aniversariante...
Meu Deus! Que coisa horripilante,
será que estão esquecendo o que é o natal?

Natal: é dia do nascimento; NATALÍCIO...
Para nós cristãos e todos os homens de boa vontade,
Festa de comemoração do nascimento de Jesus Cristo...
Senhor e Salvador de toda humanidade...
Será que existe festa mais linda,
mais pura e terna que essa festa?
Só mesmo a festa da Páscoa da ressurreição do Senhor...
Que nos deu, em seu amor,
festejar sua glória ainda aqui na terra...

Mas, o que estão fazendo mesmo com o Natal do Senhor?
Estão transformando em festa pagã,
em um mero circo do consumo...
Onde a santa lembrança do menino Deus ficou para traz...
Onde a piedade, a verdade e o amor dessa lembrança...
Deu lugar à lambança das transações comerciais...

E o que mais posso denunciar...
em minhas palavras proféticas?
Vejam só...
Falam de ceias e presentes...
Mas não falam de nossa libertação que chegou...
Falam de coisas, comes e bebes...
Da febre dos novos ritmos,
de danças frenéticas e desperdícios...
Mas não falam da nossa salvação...

Logo, não tem mais vez para o menino da manjedoura...
E muito menos para lembrar o seu aniversário...
Porque os corações já estão ocupados...
com as ofertas instintivas e tentadoras...
portadoras de prazeres fugazes...
de festejos enganadores,
eivados do vício do não crer...

Então, que natal estão comemorando?
Nos dias atuais, infelizmente,
um natal totalmente diferente e sem graça....
Por ter perdido o seu verdadeiro sentido...
Tornou-se algo ambíguo...
apenas um faz de conta pagão...
Nada mais que incentivo ao consumismo...
e isso para quem pode gastar...
quem não pode, se sacode...
por não ter como comemorar...

Isto porque os pretensos “senhores” deste mundo...
fizeram do consumo e dos prazeres carnais...
o seu deus e o cultuam e o propagam dia e noite...
como se deus mesmo fosse...
levando multidões a adorá-lo...
É por isso que o Natal do Senhor,
tem passado despercebido...
entre aqueles que se deixam iludir...
por propagandas indecentes e enganosas...

Todavia, o Natal do Senhor é Eterno...
Ele é fruto da Encarnação do Verbo de Deus...
que se fez Carne e habita no meio de nós...
Por isso, ninguém calará a sua voz...
Porque só Ele é a Verdade que nos mantém...
O Caminho que nos sustém...
E a Vida que não tem fim...

Feliz Natal, Senhor Jesus!
Parabéns pelo Seu Aniversário!

Paz e Bem!

Frei Fernando,OFMConv.

17 de dezembro de 2010

Meditação Diária


Quando você conhece seu propósito, fica fácil escolher e alcançar as metas. A prova de uma ação é simplesmente: “Isto cumpre meu propósito?”. Use seu propósito para dar rumo à sua vida. O mais importante da vida não é a situação em que estamos, mas a direção para a qual nos movemos. Daí a importância de sabermos onde queremos chegar, quais nossas metas, sonhos...

Seja perseverante nos seus propósitos, mas lembre-se de deixar um espaço para a ação divina. Nossa consciência é fundamental na nossa jornada humana; mas haverá momentos em que somente a consciência não bastará: será necessário algo maior, transcendental. É aí que entra a acão divina: a luz de Deus e Seu amor misericordioso...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

15 de dezembro de 2010

Meditação Diária


Afirme sua vida como se você já fosse tudo o que quer ser. Aprenda a transformar automaticamente seus desejos em afirmações seus desejos em afirmações. Então comece a superar seus pensamentos negativos, mude-os e faça afirmações a partir deles, Quando você começar a fazer afirmações a partir de vocês e de suas potencialidades o universo inteiro passará a trabalhar a seu favor.

É possível mudar nossas vidas e a atitude daqueles que nos cercam simplesmente mudando a nós mesmos. Então, o trabalho começa primeiramente dentro de você. Mãos à obra; Dentro de você encontrará tudo aquilo que necessita para ser equilibrado, melhor sucedido e mais feliz... Vá em frente e faça da sua vida algo valioso e maravilhoso!

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

13 de dezembro de 2010

Meditação Diária


A vida existe para fazer, aprender e desfrutar. Quanto mais você aprende, mais pode fazer; quanto mais você faz, mais pode aprender. Então, procure participar de sua própria vida, cumprindo com amor a missão que Deus confia a você. Não se preocupe em fazer coisas grandiosas ou impossíveis, faça somente aquilo que está a seu alcance.

No mundo você encontrará muita dor e sofrimento. Procure suavizá-las com seu carinho e sua presença. Mais vale estar do lado e compartilhar a vida, pois, na verdade, as pessoas precisam mesmo é de atenção, cuidado e amor. Seja, portanto um mensageiro de boas notícias. Fale do amor de Deus no ouvido das pessoas. Isso servirá para muitas curas...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

10 de dezembro de 2010

Meditação Diária


A vida é o filme que você vê através dos seus próprios olhos. Faz pouca diferença o que está acontecendo. É como você percebe que conta. Procure, pois, fazer bem o seu “papel”, pois ninguém pode fazê-lo por você. Deus, nosso Pai, nos concede a vida e nos confia uma missão neste mundo. Você não está aqui por acaso; tem algo grandioso para ser feito. Você pode e deve construir sua felicidade!

Crie seus momentos de meditação e reflexão. Deixe para trás as coisas ruins e negativas (mágoas, ressentimentos, rancores...). Alimente sua mente e seu coração com coisas boas e positivas. Dentro de você reside um poder infinito! Você pode fazer as coisas diferente e não precisa ser escravo dos seus próprios conceitos. Abra sua alma ao Espírito Santo. Siga em frente: Deus está com você, pois Ele o (a) ama verdadeiramente...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

8 de dezembro de 2010

Meditação Diária


Na Imaculada Conceição de Maria celebramos as maravilhas que Deus realizou em favor de Maria, a escolhida para ser a mãe do Salvador: Jesus Cristo! E ela teve a liberdade de dizer sim ou não aos projetos de Deus, através de Seu mensageiro, o arcanjo Gabriel. Da liberdade do SIM de Maria a humanidade é restaurada, é resgatada, é salva!

Deus depositou a plenitude de todo o bem em Maria, para que nisso conhecêssemos que tudo o que temos de esperança, graça e salvação, dela deriva até nós. Na encarnação de Jesus, Deus vem morar conosco, assumir nossa condição humana para nos conduzir outra vez a Deus. Celebremos, pois, alegres e felizes esse santo dia. Que Maria nos ajude a seguir pelos caminhos de Jesus na direção da eternidade...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

6 de dezembro de 2010

Meditação Diária


O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Vivemos no tempo e escrevemos nossa história, porém miramos nosso olhar para a eternidade. Os momentos inesquecíveis vão como que antecipando a eternidade dentro de nós. E o amor com fazemos as coisas vão atraindo as borboletas até nosso jardim...

Não podemos fazer muito sobre a extensão de nossas vidas, mas podemos fazer muito sobre a largura e a profundidade delas. Podemos agir e proporcionar momentos de intensidade com as pessoas que amamos. Podemos ser um porto seguro onde elas possam chegar, aportam e sentirem-se bem e seguras em nossa presença...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

5 de dezembro de 2010

Meditação Diária


Quando oramos juntos criamos uma incrível energia positiva que nos envolve. Quando oramos juntos somos acolhidos pelo amor de Deus de uma maneira mais intensa, pois "onde dois ou três estiverem reunidos em meu nome, aí estarei Eu no meio deles" (Mt 18, 20). Na construção de uma verdadeira amizade vamos experimentando uma confiança mútua, pois vamos descobrindo a Imagem de Deus que está na outra pessoa e vamos revelando a Imagem de Deus que está em nós.

Procure partilhar seus encontros. A vida é um grande mistério. Ela é um grande dom, um grande presente. Procure vivenciar esse mistério e acolher cada dia na sua própria luz e no seu próprio encanto. Quem ainda é capaz de se encantar com um nascer do sol, com uma noite de lua cheia, com a imensidão do mar... esse ainda é capaz de perceber o amor de Deus em tudo aquilo que é belo...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

3 de dezembro de 2010

1ª sexta-feira do mês - UM CORAÇÃO CHEIO DE MISERICÓRDIA

O Verbo de Deus não curou apenas nossas enfermidades com o poder dos milagres. Tomou sobre si nossas fraquezas, pagou nossa dívida mediante o suplício da cruz, libertando-nos dos muitos e gravíssimos pecados, como se ele fosse o culpado, quando na verdade era inocente de qualquer culpa. Além disso, com muitas palavras e exemplos, exortou-nos a imitá-lo, na bondade, na compreensão e na perfeita caridade fraterna. ( Das Cartas de Máximo, o confessor, abade).

1. Os que se aproximam de Cristo, sabem que estão diante do homem da misericórdia, da bondade e do perdão. Nunca os discípulos de Jesus de hoje deixam de olhar para o Ressuscitado que vive no meio de nós, na fé dos seus, continuando a exercer a misericórdia. Pensar em Cristo é pensar no bom pastor e no bom samaritano. Cristo é o pastor bom e o samaritano exalando o perfume da misericórdia.

2. A expressão mais acabada da misericórdia de Deus se manifesta na cruz. Nunca, nós franciscanos, contemplaremos suficientemente o Cristo crucificado. Nosso pai Francisco se extasiava diante de tanta bondade. “Um dia, no princípio de sua conversão, ele rezava na solidão e, arrebatado por seu fervor, estava totalmente absorto em Deus e apareceu-lhe o Cristo crucificado. Com esta visão sua alma se comoveu e a lembrança da Paixão de Cristo penetrou nele tão profundamente que, a partir daquele momento, era-lhe quase impossível reprimir o pranto e suspiros quando começava a pensar no Crucificado” (Leg.Maior I,5). Sim, na cruz Jesus é bondade, paciência, misericórdia, dom, entrega. Lá se torna abjeto, coberto de chagas, cheio de feridas, ensopado de sangue, feito, na verdade, uma única chaga. Naqueles momentos, nas horas de desolação, ele toma a decisão de se entregar pelos seus. Ninguém lhe tira a vida. São Máximo recorda: tomou nossas fraquezas, pagou nossa dívida mediante o suplício da cruz. Aquele que foi obediente até o fim, obediente até a morte de Cruz, teve o seu peito aberto pela lança do soldado e todas as gerações de corações retos contemplaram e contemplam essa fenda no coração do Senhor. Tropegamente, mas com confiança, os pecadores de ontem e de hoje buscam instalar-se no albergue do coração do Mestre.

3. Para manifestar a sua misericórdia e a bondade do Pai que ele encarnava contou a parábola do bom samaritano: “Àquele homem que caíra nas mãos dos ladrões e fora despojado de todas as vestes, maltratado e deixado semimorto, atou-lhe as feridas, tratou-as com vinho e óleo, e tendo-o colocado no seu jumento, deixou-o numa hospedaria para que cuidassem dele; pagou o necessário para o seu tratamento e ainda prometeu dar na volta, o que porventura se gastasse a mais” (São Máximo). Ele, o Mestre dilacerado no alto da cruz, é o bom samaritano, misericordioso samaritano. Ousamos dizer que a hospedaria de que fala a parábola pode bem ser o espaço cavado no coração de Jesus pela lança do soldado. Ali se abrigam os desventurados buscados pelo Senhor.

4. A Igreja é santa e pecadora. Todos fazemos essa dolorida experiência. Queremos seguir a Cristo, queremos viver o espírito do Sermão da Montanha. Não agüentamos mais tanta mediocridade em nossa vida e à nossa volta. Sentimos que somos um povo que busca a santidade, mas também carrega o pecado, o dilaceramento. Não podemos endurecer o coração. Precisamos acolher o perdão do Senhor que se dá quando nosso coração vive a contrição. A Igreja é santa e pecadora. Precisamos, de verdade, nos aproximar do albergue e da hospedaria da Igreja onde nos é concedido, pelo ministério dos sacerdotes, o perdão do pecado que nos agonia e angustia. Temos certeza de que seremos bem recebidos na hospedaria da Igreja.

5. Vamos pedir a São Máximo que continue nos ajudando a refletir. O santo abade continua descrevendo a misericórdia do Senhor: “... reconduziu ao redil a ovelhinha que se afastara das outras cem ovelhas de Deus e fora encontrada vagueando por montes e colinas. Não lhe bateu, nem a ameaçou, nem a extenuou de cansaço; pelo contrário, colocando-a nos próprios ombros, cheio de compaixão, trouxe-a sã e salva para o rebanho”. Na verdade, a parábola do bom pastor nos encanta, nos fascina. Há festa no céu quando um pecador se converte. Temos sempre a terrível tentação de pensar que os pecadores são os outros. Deveríamos experimentar um júbilo sem par quando o Senhor nos dá a graça da contrição e assim podermos nos jogar nele e solicitar à Igreja o perdão. Ela recolheu em suas mãos o sangue e a água que correram do peito aberto daquele que havia se feito chaga para sanar nossas chagas.

6. Numa primorosa obra sobre a experiência de desolação e de fé do exílio, Éloi Leclerc fala do coração contrito. Não posso me privar ao prazer de transcrever algumas de suas linhas e pensar que aquela experiência diante de Javé e sua santidade se aplica ao coração contrito diante de Cristo feito abandono, chaga e abrigo no alto da cruz: “O coração contrito é primeiramente isto: um coração deslumbrado pela santidade de Javé. Maravilhado e ferido. “Ai de mim, estou perdido porque sou homem de lábios impuros” (Is 6,5). No principio há a irradiação da santidade de Deus, sobre a alma. E, por repercussão, manifesta-se em toda a realidade o pecado e a miséria do homem. Perante essa dupla revelação, a da santidade de Deus e a do próprio pecado, a alma é sacudida por um arrepio ao mesmo tempo de amor e de horror. O coração parte-se” (Éloi Leclerc, O povo de Deus no meio da noite, Braga, p. 81). Sim, o coração contrito é o coração partido. Mas não se desespera. Procura abrigo no Coração do Redentor.

7. Ainda São Máximo: “E deste modo, exclamou: Vinde a mim todos que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo (Mt 11,28-29). Ele chamava de jugo os mandamentos ou a vida segundo os preceitos evangélicos; e, quanto ao peso, que pela penitência parecia ser grande e mais penoso, acrescentou: O meu jugo é suave e o meu fardo é leve (Mt 11,30).

São Máximo, Confessor e Abade foram extraídas do Lecionário Monástico II, p. 380-382

Não podemos deixar de repetir a mais não poder: Cristo tem um coração repleto, transbordante de misericórdia. Possa a Igreja ser espaço onde se manifesta claramente a misericórdia do Senhor.

1 de dezembro de 2010

Meditação Diária


Desenvolver força, coragem e paz interior demanda tempo. Não espere resultados rápidos e imediatos, sob o pretexto de que decidiu mudar. Cada ação que você executa permite que essa decisão se torne efetiva dentro de seu coração. É dessa dis-posição interna que dependerá as atitudes que serão tomadas em relação às pessoas e à comunidade que você atua.

A paz é uma abertura à ação divina. O Espírito Santo nos transforma com Seu poder e nos impele a que sejamos também transformadores da sociedade. Cada ação praticada com paz, alegria e amor vai revelando nosso espírito equilibrado e nossa felicidade interior. Seja, hoje, uma mensageiros da PAZ. Deixe pegadas de paz pelos caminhos da vida...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

29 de novembro de 2010

Meditação Diária


O amor, no seu conjunto, não se reduz à emoção nem ao sentimento, que não são senão alguns dos seus componentes. Um elemento mais profundo, e de longe o mais essencial de todos, é a vontade, que tem o papel de modelar o amor no homem. Na amizade - ao contrário do que sucede na simpatia - a participação da vontade é decisiva.

A vontade cria um espírito dentro de nós, capaz de nos impelir a uma ação boa, criativa, amorosa. Nessa ação seremos capazes de mudar as coisas, fazer diferente. Aprender com o verdadeiro sentimento do amor: criatividade, alegria, transformação. É assim que avançamos em nossos relacionamentos e em nossas atitudes.

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

27 de novembro de 2010

Meditação Diária


O dever de cada um de nós não é apenas amar os outros. É, sobretudo, tornar-se digno de ser amado por todos... Mas não podemos ser amados quando somos egoístas, amargos, desonestos, grosseiros, pequenos... O amor exige de nós uma caminho que passa pela delicadeza, cortesia, afabilidade, educação, boas maneiras. Precisamos que, na verdade, sejamos educados na escola do amor.

O amor é uma luz que não deixa escurecer a vida, é refletida do astro eterno, irradia-se de Deus. Ninguém é pobre quando ama, mas quem não ama (ou não experimenta o amor) será sempre um mendigo, mesmo que tenha muito dinheiro e poder. Cresça, pois na escola do amor: ele será sempre exigente, mas permitirá um caminho de liberdade e de abertura com aqueles (as) que você ama.

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

24 de novembro de 2010

Meditação Diária


As pessoas mais bonitas que conhecemos são aquelas que conheceram a derrota, o sofrimento, a luta, a perda; e de ter encontrado seu caminho em direção à luz, longe das coisas ruins. Essas pessoas têm uma paz, uma sensibilidade e uma compreensão da vida que nos enche de compaixão, gentileza e um profundo cuidado amoroso. Pessoas bonitas não acontecem apenas, de repente. Elas se constroem dia após dia.
Procure fazer parte da civilização do amor, aplicando-o em todas as suas ações. Faça com que o amor permeie sua vida, como o azeite que perpassa as engrenagens de uma máquina. Com azeite, essa funcionará bem melhor e e produzirá uma músxia agradável aos ouvidos. Faça, pois de sua vida uma canção de amor...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

22 de novembro de 2010

Meditação Diária


São nos desafios que crescemos, que aprendemos a alçar vôos mais altos, pois nossas asas tornam-se mais potentes. Aprenda, pois com os momentos de dor e sofrimento. Eles tem um sentido e um propósito em nossas vidas. Nada acontece por acaso, pois em tudo está a vontade de Deus acontecendo...
Reflita sobre aqueles momentos em que você se sentiu bem consigo mesmo. Reviva a sensação de força, de auto-aceitação e de serenidade que então preencheu o seu ser. Abasteça-se da força vital que reside dentro de você: é dessa energia divina que encontrará disposição e coragem para seguir em frente. Lembre-se: você foi escolhido por Deus para cumprir uma missão de transformação nesse mundo...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

19 de novembro de 2010

Meditação Diária


Entendemos espiritualidade como algo fora de nós, pertencente ao espírito (algo etéreo). Porém, espiritualidade é inerente ao humano. Toda pessoa possui espiritualidade: ela é uma forma de ser do humano. Na espiritualidade, o humano se plenifica e encontra seu equilíbrio, pois é no encontro com a dimensão divina que o humano encontra seu sentido maior, sua plenitude.

Assim diz Rubem Alves: "Espiritual é o jardineiro que planta o jardim, o pintor que pinta o quadro, o cozinheiro que faz a comida, o arquiteto que faz a casa, o casal que gera um filho, o poeta que escreve o poema, o marceneiro que faz a cadeira. A criatividade deseja tornar-se sensível. E quando isso acontece, eis a beleza!"

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

17 de novembro de 2010

Especial - SANTA ISABEL DA HUNGRIA, padroeira da Ordem Terceira

Diz a lenda que Isabel foi invocada mesmo antes de nascer. Um vidente anunciou seu glorioso nascimento como estrela que nasceria na Hungria, passaria a brilhar na Alemanha e se irradiaria para o mundo. Citou-lhe o nome, como filha do rei da Hungria e futura esposa do soberano de Eisenach (Alemanha).

De fato, como previsto, a filha do rei André, da Hungria, e da rainha Gertrudes, nasceu em 1207. O batismo da criança foi uma festa digna de reis. E a criança recebeu o nome de Isabel, que significa repleta de Deus.

Ela encantou o reino e trouxe paz e prosperidade para o governo de seu pai. Desde pequenina se mostrou de fato repleta de Deus pela graça, pela beleza, pelo precoce espírito de oração e pela profunda compaixão para com os sofredores.

Tinha apenas quatro aninhos quando foi levada para a longínqua Alemanha como prometida esposa do príncipe Luís, nascido em 1200, filho de Hermano, soberano da Turíngia. Hermano se orientava pela profecia e desejava assegurar um matrimônio feliz para seu filho.

Dada a sua vida simples, piedosa e desligada das pompas da corte, concluíram que a menina não seria companheira para Luis. E a perseguiam e maltratavam, dentro e fora do palácio.

Luis, porém, era um cristão da fibra do pai. Logo percebeu o grande valor de Isabel. Não se impressionava com a pressão dos príncipes e tratou de casar-se quanto antes. O que aconteceu em 1221.

A Santa não recuava diante de nenhuma obra de caridade, por mais penosas que fossem as situações, e isso em grau heróico! Certa vez, Luis a surpreendeu com o avental repleto de alimentos para os pobres. Ela tentou esconder... Mas ele, delicadamente, insistiu e... milagre! Viu somente rosas brancas e vermelhas, em pleno inverno. Feliz, guardou uma delas.

Sua vida de soberana não era fácil e freqüentemente tinha que acompanhar o marido em longas e duras cavalgadas. Além disso, os filhos, Hermano, de 1222; Sofia, de 1224 e Gertrudes, de 1227.

Estava grávida de Gertrudes, quando descobriu que o duque Luis se comprometera com o Imperador Frederico II a seguir para a guerra das Cruzadas para libertar Jerusalém. Nova renúncia duríssima! E mais: antes mesmo de sair da Itália, o duque morre de febre, em 1227! Ela recebe a notícia ao dar à luz a menina.

Quando Luis ainda vivia, ele e Isabel receberam em Eisenach alguns dos primeiros franciscanos a chegar na Alemanha por ordem do próprio São Francisco. Foi-lhes dado um conventinho. Assim, a Santa passou a conhecer o Poverello de Assis e este a ter freqüentes notícias dela. Tornou-se mesmo membro da Familia Franciscana, ingressando na Ordem Terceira que Francisco fundara para leigos solteiros e casados. Era, pois, mais que amiga dos frades. Chegou a receber de presente o manto do próprio São Francisco!

Morto o marido, os cunhados tramaram cruéis calúnias contra ela e a expulsaram do castelo de Wartburgo. E de tal forma apavoraram os habitantes da região, que ninguém teve coragem de acolher a pobre, com os pequeninos, em pleno inverno. Duas servas fiéis a acompanharam, Isentrudes e Guda.

De volta ao Palácio quando chegaram os restos mortais de Luís, Isabel passou a morar no castelo, mas vestida simplesmente e de preto, totalmente afastada das festas da corte. Com toda naturalidade, voltou a dedicar-se aos pobres. Todavia, Lá dentro dela o Senhor a chamava para doar-se ainda mais. Mandou construir um conventinho para os franciscanos em Marburgo e lá foi morar com suas servas fiéis. Compreendeu que tinha de resguardar os direitos dos filhos. Com grande dor, confiou os dois mais velhos para a vida da corte. Hermano era o herdeiro legitimo de Luis. A mais novinha foi entregue a um Mosteiro de Contemplativas, e acabou sendo Santa Gertrudes! Assim, livre de tudo e de todos, Isabel e suas companheiras professaram publicamente na Ordem Franciscana Secular e, revestidas de grosseira veste, passaram a viver em comunidade religiosa. O rei André mandou chamá-las, mas ela respondeu que estava de fato feliz. Por ordem do confessor, conservou alguma renda, toda revertida para os pobres e sofredores.

Construiu abrigo para as crianças órfãs, sobretudo defeituosas, como também hospícios para os mais pobres e abandonados. Naquele meio, ela se sentia de fato rainha, mãe, irmã. Isso no mais puro amor a Cristo. No atendimento aos pobres, procurava ser criteriosa. Houve época, ainda no palácio, em que preferia distribuir alimentos para 900 pobres diariamente, em vez de dar-lhes maior quantia mensalmente. É que eles não sabiam administrar. Recomendava sempre que trabalhassem e procurava criar condições para isso. Esforçava-se para que despertassem para a dignidade pessoal, como convém a cristãos. E são inúmeros os seus milagres em favor dos pobres!

De há muito que Isabel, repleta de Deus, era mais do céu do que da terra. A oração a arrebatava cada vez mais. Suas servas atestam que, nos últimos meses de vida, frequentemente uma luz celestial a envolvia. Assim chegou serena e plena de esperança à hora decisiva da passagem para o Pai. Recebeu com grande piedade os sacramentos dos enfermos. Quando seu confessor lhe perguntou se tinha algo a dispor sobre herança, respondeu tranqüila: "Minha herança é Jesus Cristo !" E assim nasceu para o céu! Era 17 de novembro de 1231.

Sete anos depois, o Papa Gregório IX, de acordo com o Conselho dos Cardeais, canonizou solenemente Isabel. Foi em Perusa, no mesmo lugar da canonização de São Francisco, a 26 de maio de 1235, Pentecostes. Mais tarde foi declarada Padroeira das Irmãs da Ordem Franciscana Secular.

FREI CARMELO SURIAN, O.F.M.

Meditação Diária


Determinação, coragem e auto confiança são fatores decisivos para o sucesso. Se estamos possuídos por uma inabalável determinação, conseguiremos superar as adversidades. Independentemente das circunstâncias, devemos ser sempre humildes, simples e despidos de orgulho. O entusiasmo que nos enche o coração e alma fará sempre o diferencial em nossas ações, pois o verdadeiro sucesso está em assumirmos nossa existência com vigor e responsabilidade.

Cada um de nós compõe a sua própria história (Almir Sater) e nessa história somos também responsáveis pela felicidade das pessoas que nos rodeiam. Fazer um mundo melhor, mais feliz, mais humano e mais cheio de Deus: eis aí a missão e o sentido maior de nossas vidas...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

16 de novembro de 2010

Meditação Diária


Todos nós temos luzes e sombras. Quando investimos nossas forças na luta contra a “sombra” acabamos direcionando nossa energia na direção errada. Já notaram que quando mais insistimos em não pensar em algo, aí que nossa cabeça não desliga daquilo que gostaríamos de esquecer? Assim acontece com os aspectos que tentamos negar dentro de nós. Quando mais lutamos contra eles, mais eles fortalecem dentro de nós.

Aceitar nossas limitações e fragilidades é o primeiro passo para a integração. Quando entramos pelo caminho da aceitação nossa auto-estima melhora, pois saímos da fantasia daquilo que gostaríamos de ser e entramos da realidade de quem EU SOU verdadeiramente. Como disse a frase, “a paz interior une os aspectos numa totalidade”. Esse é o nosso desafio e a nossa grande busca: caminhar na direção do Si-Mesmo. Em outras palavras, sermos plenos em Deus.

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFm

12 de novembro de 2010

Meditação Diária


A dor possui um grande poder educativo: faz-nos melhores, mais misericordiosos, mais capazes de nos recolhermos em nós mesmos e persuade-nos de que esta vida não é meramente um divertimento, mas um dever. E no dever está quilo que precisamos fazer para evoluirmos, para fazermos multiplicar os talentos que Deus já nos concedeu. Se a tua dor te aflige, transforma-a num poema. Utilize-a para coisas maiores, para criar alegrias...

O sofrimento é inerente à nossa existência. Toda pessoa sofre, de alguma maneira, física, psíquica ou espiritualmente. Procure não antecipar o sofrimento, pois pode ser que ele nem aconteça. A cada dia basta suas ocupações e seus cuidados. Isso já nos ensinou nosso Mestre Jesus Cristo...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

10 de novembro de 2010

Meditação Diária


Poucas coisas no mundo são mais poderosas que um impulso positivo. Por exemplo: um sorriso, uma palavra amiga, um aperto de mão, um abraço.... Um mundo de otimismo e esperança, um 'você consegue' quando as coisas estão difíceis. Tudo isso são ações poderosas que podemos realizar pelas pessoas e que não nos custa nada. Basta oferecer e receberemos muitas coisas em troca!

A existência nos abre para os desafios da vida. E é na luta, na dor, no sofrimento e nas conquistas da existência que vamos criando uma certeza que nos impulsiona para frente, para a transcendência. Viver é melhor que sonhar, já dizia a canção (Belchior). Pois é preciso viver e sonhar ao mesmo tempo. Ir além da existência: ter uma vida que valha a pena ser vivida: pela ética, pelos valores, pela fé!

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

9 de novembro de 2010

Meditação Diária


Soneto da Amizade
Autor: Frei Paulo Sérgio, OFM

Em sete letras constrói-se a amizade
Urdida nos fios de uma colcha multicor.
No abraço e nos laços da irmã liberdade
Revela-se o sentimento verdadeiro do amor.

Caminho que se abre, percurso a dois
Nada pode impedir o encontro, nem a dor!
A separação que o espaço e o tempo impôs
A lembrança voou... luz, aurora e calor!

Não sei definir, mas talvez poetar
Pois quanto reina o sentimento
Não vale tanto falar, mas talvez cantar...

A canção do amigo que ficou
Enquanto o outro o mar atravessou
Nas asas da lembrança, saudade e amor!

8 de novembro de 2010

Meditação Diária


Tudo que acontece no universo está em movimento, em busca da per-feição, é um devir... O homem está em permanente reconstrução; por isto é livre: liberdade é o direito de transformar-se, de fazer e re-fazer, de ir além dos muros, de transcender. Na liberdade está também a capacidade da transgressão, de não nos conformarmos com aquilo que apequena, que impede a vida acontecer na sua plenitude.

Construa sua liberdade interior, nas relações interpessoais e na sua postura ética diante da sociedade. Deus nos criou na liberdade para que possamos escolher o melhor caminho. Ser livre significa fazer aquilo que é melhor para nossa vida, mas também fazer aquilo que está em conformidade com os planos de Deus...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

5 de novembro de 2010

1ª sexta-feira do mês -OS QUE FORAM FERIDOS PELA CARIDADE

1. Estamos assistindo em nossa Igreja um empenho de busca das coisas essenciais. Não basta apenas uma prática solta, mecânica ou emocional. Não queremos uma sacramentalização sem seguimento de Cristo. O Documento de Aparecida e o outro da Iniciação à Vida Crista da CNBB nos falam de seguimento, discipulado, ardor, recepção lúcida e consciente dos sacramentos. “A pessoa amadurece constantemente no conhecimento , amor e seguimento de Jesus Mestre, se aprofunda no mistério de sua pessoa, de seu exemplo e de sua doutrina. Para esse passo são de fundamental importância a catequese permanente e a vida sacramental, que fortalecem a conversão inicial e permitem que os discípulos missionários possam perseverar na vida cristã e na missão em meio ao mundo que os desafia” (Aparecida, 278,c).

2. Não há dúvida. Necessário se faz colocar-se aos pés do Mestre, contemplar seus gestos e se extasiar diante do amor que se torna cruz, abandono e solidão. Na medida em que deixamos que nosso interior seja perpassado por este tipo de contemplação saímos da dimensão do jurídica, do funcional, do imediato, do formal, do frio... Os que vão se deixando tocar pelo amor do Senhor são discípulos ardorosos.

3. Toda a mística cristã sempre contemplou com imenso carinho e respeito a ferida do peito aberto de Cristo no alto da cruz. Afinal de contas, não podia ser de outra maneira. Nos que fomos arrancados do tétrico universo da solidão e do abandono não cessamos de contemplar essa ferida e a fonte que dela jorra. Nunca seremos suficientemente reconhecidos ao Amor que não é amado. Nunca poderemos pagar esta dívida: o mais belo de todos os filhos dos homens, Deus morando em nosso meio, morrendo de amor. São Columbano (sec. VII) assim escreve: “Oxalá, Senhor, te dignes admitir-me a esta fonte. Deus misericordioso, bom Senhor, onde eu, com os que têm sede de ti, beberei da onda viva da fonte viva da água corrente. Refeito por sua indizível doçura,esteja sempre unido a ela e diga: Quão doce é a fonte de água viva que jorra para a vida eterna”. A água que jorra, no dizer de João, é o Espírito. A água que jorra serve para matar a sede de plenitude que existe em nós e que nunca pode ser saciada. Da fonte saem água e sangue. Em outras palavras jorram rios de amor. Assim, nessa contemplação profunda, cresce o discípulo, dilata-se sem coração e arde dentro dele o senso missionário. Não quer ficar numa beata contemplação, cheia de emoção e de afeto, mas quer fazer de sua vida um hino de serviço amoroso, como Cristo Jesus. Insisto: os que se colocam diante do Coração se tornam ardorosos missionários.

4. Mais adiante São Columbano fala da ferida do amor, da caridade. “Rogo-te, nosso Jesus, inspira os nossos corações com aquela brisa do teu Espírito e fere nossas almas com a tua caridade (...). Desejo, Senhor, que se grave em mim esta ferida. Feliz a alma que assim foi ferida pela caridade; esta busca a fonte, esta bebe e, no entanto, sempre tem sede bebendo e sempre haure desejando aquela que sempre bebe sedenta. Assim sempre busca amando aquela que se cura ferindo”. Sim, ser discípulo não simplesmente colocar meia dúzia de práticas religiosas. Não é repetir as fórmulas do Credo, mas é deixar-se tocar pelo amor, pela caridade. Não há receita mágica para alimentar o amor de esposos. São as coisas de todos os dias que robustecem o coração: atenções, presença, carinho, fidelidade. Os que fomos tocados pelo amor do peito rasgado de Cristo e que aparamos nossas mãos para colher os rios de misericórdia, sentimos com que uma ferida na alma, somos marcados pelos raios e pela reverberação do amor do peito de Cristo que a lança do soldado abriu. Somos assim convidados a contemplar demoradamente. Alimentamo-nos desse amor de modo especial, no banquete do pão e do vinho e no sacramento do perdão. E a ferida aberta em nosso coração nunca fecha.

5. Os que são feridos pela Caridade se encantam com o projeto de Jesus e a ele dão sua generosa adesão. “O projeto de Jesus não tem nada de pequeno e de mesquinho: pelo contrário, somos chamados a um trabalho exigente e emocionante. Num mundo ferido pela violência, escravizado ao consumismo irresponsável, numa sociedade construída sobre a injustiça, Jesus nos impulsiona a viver a fraternidade, a defender os fracos, a construir a paz, valorizando a honestidade e a dignidade humana, sabendo perdoar e partilhar” (Iniciação à Vida Crista, Estudos da CNBB 97, n.21). O mundo está cheio de pessoas feridas, jogadas à beira do caminho. Elas serão atendidas por aqueles que foram feridos pela Caridade do Coração do Redentor. Os devotos da chaga do coração de Cristo não são alienados, mas ardorosos missionários.

Nota bene: As citações de São Columbano foram tiradas da Liturgia das Horas IV, p. 147-148

Meditação Diária


Semear... eis aí a missão de nossas vidas: semear alegria nos corações das pessoas, semear a paz, o amor, o perdão, a concórdia e a misericórdia... Jesus, Nosso Senhor, muitas vezes comparou o Reino dos Céus a uma semente. A semente traz dentro de si mesma um poder de vir-a-ser... A semente é revestida de um grande mistério: pode tornar-se uma grande árvore, florir e produzir frutos com novas sementes...

Por isso o reino dos Céus é como uma semente: traz em si um grande poder. É revestido de um grande mistério. É dom de Deus em favor de todos nós. Por isso, semeie sempre alegria, paz, amor... Transmita a Palavra de Jesus aos corações das pessoas. Não se preocupe com a colheita, pois é Deus quem faz tudo crescer!

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

4 de novembro de 2010

Meditação Diária


Soneto: VEM COMIGO...
Autor: Frei Paulo Sérgio, OFM

Da chuva que à noite caiu
Algumas gotas de folha em folha brincou
Os primeiros raios de sol coloriu
De luz e de cores, a criança sorriu...

Gotas coloridas pela luz que atravessou
Até que o solo atingiu... E se escondeu!
Cada gota que a terra perpassou
Um encontro que fecundou e gerou...

Como a criança que a borboleta seguiu
Pelos caminhos do parque me perdi,
Vejam ali... Na beira do riacho ELE(*) surgiu!

Brincando como criança o homem dormiu
No colo de Deus a noite escura atravessou
No amanhecer da vida, a humanidade ressurgiu!

ELE= Jesus Cristo, o Filho do Homem

3 de novembro de 2010

Meditação Diária


A vida revela-se ao mundo como uma alegria. Há alegria no jogo eternamente variado dos seus matizes, na música das suas vozes, na dança dos seus movimentos. A morte não pode ser verdade enquanto não desaparecer a alegria do coração do ser humano. Enquanto crermos no poder da Vida, já haverá lugar para a dor, para o sofrimento e nem para a morte...

Quando mais crescemos em humildade, mais estaremos em comunhão de sonhos e de vida com a humanidade inteira. Na humildade está a verdadeira lição de sermos participantes da jornada da humanidade inteira: onde há uma pessoa humana está sempre um desejo, um sonho, uma busca intensa por eternidade...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

1 de novembro de 2010

Meditação Diária


A compaixão tem pouco valor se permanece uma idéia; ela deve tornar-se nossa atitude em relação aos outros, refletida em todos os nossos pensamentos e ações. O coração é o espaço privilegiado dos sentimentos e emoções, mas também o lugar da força, da atitude e da coragem. É no coração que aprendemos a nutrir bons pensamentos e bons desejos, pois os mesmos são alimentados pelo amor de Deus que habita em nós...

Lembre-se que o melhor relacionamento é aquele em que o amor de um pelo outro é maior do que a necessidade de um pelo outro. Procure julgar teu sucesso pelas coisas que tiveste que renunciar para consegui-lo. Compartilhe, pois, tuas conquistas e vitórias com as pessoas que tu amas. Seja bondoso e generoso em tuas ações e atitudes. Isso será o teu referencial!

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

27 de outubro de 2010

Meditação Diária


A primavera é estação da ressurreição do cerrado, da natureza e da própria vida. Precisamos de estações para aprendermos a passar por momentos de dor e de perda para chegarmos à ressurreição. Aprendemos com a natureza que existem os momentos doloridos de podas, de renúncias e até de dor... Porém aquilo que ressurge ou que nasce em nós será sempre o amor que cura e abre novos horizontes e novos caminhos!

Procure construir sua felicidade de maneira fraterna e coletiva. Na partilha dos sentimentos, do sonhos, do trabalho, das conquistas vamos aprendendo que a felicidade vai sendo construída e gerando alegria quando somos capazes de criar laços, vínculos, compromissos. Na felicidade está a alegria de partilhar o amor e o carinho que nutrimos pelas pessoas... Seja feliz sempre!

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

25 de outubro de 2010

Meditação Diária


Na ausência está sempre a falta, a carência, a necessidade... Na ausência da luz está a escuridão; na ausência do calor está o frio; na ausência do amor está o ódio... Deus é sempre o aspecto positivo: Ele é a verdadeira Luz, a fonte infinita de calor e de amor. Dele recebemos a vida, pois Ele é a origem e da Vida e o sentido único de nossa existência.

A vida, por si só, é um grande milagre. Quem tem o olhar iluminado pela Beleza (que é o próprio Deus), aproveita e vive cada instante como um verdadeiro milagre. E o milagre acontece quando aprendemos a perceber e a sentir a energia e o prazer de cada instante, de contemplar uma flor que exibe sua beleza e seu perfume num lugar mais inóspito. Experimente, pois, a viver a vida como um verdadeiro dom de Deus. Seja feliz com tudo aquilo que o Criador te proporciona...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

22 de outubro de 2010

Meditação Diária


Na experiência da fragilidade humana aconteceu a desobediência: o pecado aconteceu porque o homem não quis assumir sua condição: queria ser Deus! Com isso vem a separação, a ruptura, a divisão. A humanidade experimenta o ódio, a dor, a guerra, a morte... É o Filho de Deus que vem ao encontro da nossa fragilidade para restitui-lhe outra vez a integridade, a esperança, a cura, a Vida!

Do que era dividido ele fez uma unidade. O homem, agora, tem a capacidade de ser inteiro, único. É pelo caminho de Jesus que ele vai experimentar outra vez o verdadeiro sentido der ser criatura, filho de Deus! O muro da inimizade foi derrubado: a religião que segregava agora é chamada a favorecer, a conduzir, a permitir o encontro do humano com o divino...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

21 de outubro de 2010

Meditação Diária


O conhecimento da Palavra de Deus nos leva a tomar consciência da nossa situação diante de Deus, proporcionando em nós a análise da importância da salvação em nossa vida. Se abrirmos o coração para a ação divina, nascerá em nós um desejo ardente de acertar a nossa situação, ou seja, romper essa separação que há entre nós e Deus. Separação essa que já foi curada e integrada por Jesus...

Mantenha abertura em relação às pessoas, ao mundo, à vida. Nunca se esqueça que você faz parte da humanidade inteira. Seu senso de pertença será determinante para que você tenha o sentimento de misericórdia para aqueles (as) que sofrem. Participantes e dependentes da misericórdia divina, precisamos também demonstrar e praticar essa mesma misericórdia com aqueles (as) que encontramos pelos caminhos da vida...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

20 de outubro de 2010

Meditação Diária


Ler (do latim légere) significa percorrer com olhar o que está escrito e interpretar, dar sentido, sabor e vida aos sinais e letras ajuntados em palavras e orações. Quando aprendemos a ler assumimos um compromisso de transformação da vida, pois nossa consciência se alarga; passamos a saber coisa nunca imaginadas, crescemos e evoluímos como pessoas. Isso também gera compromisso com as pessoas, com o mundo, com a vida...

No per-curso da vida aprendemos a colher os frutos das sementes plantadas pelos caminhos... É preciso também a arte de re-colher, ou seja, de saborear aquilo que ficou para trás ou que refloresceu depois que por ali passamos. O alfabeto nada mais é do que letras frias; a leitura é que junta tudo e traz emoção, conhecimento, amor e vida!

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

19 de outubro de 2010

Meditação Diária

Ao rezar, imagine o amor de Deus vertendo sobre ti qual luz alva e pura. Cercando, cumulando, protegendo, abençoando e curando-ti. Tudo isso para teu maior bem e o bem maior das pessoas. E é justamente esse amor de Deus em nós que nos leva à per-feição, ou seja, a estarmos na busca de fazer tudo da melhor maneira possível; per-fazendo nossa jornada de maneira alegre, significativa, comprometida com o Reino de Deus.

Não desperdice o tempo e a vida com coisas fúteis. A vida é sagrada demais para ser derramada em atitudes pequenas e sem sentido. Diante de ti está um mundo para ser conquistado. Mas lembre-se: o mundo começa dentro de ti mesmo! Por isso, busque o auto-conhecimento, valorize tuas virtudes, contribua com a melhoria das pessoas que estão a teu redor...

Frei Paulo Sérgio de Souza, OFM

5 de outubro de 2010

05/10- São Benedito, o negro, Religioso

É, certamente, um dos santos mais populares do Brasil, cuja devoção nos foi trazida pelos portugueses. Nasceu por volta do ano 1526, em São Filadelfo, nas proximidades de Messina, na Sicília (Itália).

Nascido de pais escravos - levados da Abissínia (atual Etiópia) para a Itália - ele sofreu preconceito desde pequeno. Por sua pele negra foi ridicularizado, chamado de "o mouro".

Trabalhou como pastor de rebanhos. Era irmão Franciscano. Em 1578 foi nomeado guardião (superior) do convento onde vivia, cargo que aceitou com muita resistência por ser analfabeto. Foi admirado por todos, a todos dedicando profundo respeiro, amor desinteressado, condescendência pelas faltas e fraquezas alheias, zeloso e carinhoso com os doentes e necessitados, terno e sábio. Possuía o dom de penetrar as mentes e os corações. A tradição popular enriqueceu sua vida com numerosos milagres. Terminou os seus dias como cozinheiro. Morreu no dia 4 de abril de 1589..


ORAÇÃO - Ó Deus, que em São Benedito, o Negro, manifestais as vossas maravilhas, chamando à vossa Igreja homens de todos os povos, raças e nações, concedei, por sua intercessão, que todos, feitos vossos filhos e filhas pelo batismo, convivam como verdadeiros irmãos e irmãs. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

4 de outubro de 2010

4 de Outubro -Nosso Seráfico Pai São Francisco


Nasceu em Assis, no ano de 1182. Depois de uma juventude leviana, converteu-se, renunciou a todos os bens paternos e entregou-se inteiramente a Deus. Tendo abraçado a pobreza, levou uma vida evangélica, pregando a todos o amor de Deus. Aos que desejaram segui-lo, formou-os com normas excelentes, aprovadas pela Sé Apostólica. Deu início a uma Ordem de religiosas e a uma Ordem de penitentes inseridos no mundo, bem como à pregação entre os infiéis.

ORAÇÃO - Ó Deus, que fizestes o seráfico Pai São Francisco assemelhar-se ao Cristo por uma vida de humildade e pobreza, concedei que, trilhando o mesmo caminho, sigamos fielmente o vosso Filho, unindo-nos convosco na perfeita alegria. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.


"Tão perfeita imagem de Cristo! Quase um Cristo redivivo" - Pio XI, Papa

"O mais italiano dos santos, o mais santo dos italianos" – Mussolini

Há homens que, vivendo profundamente a problemática do seu tempo e de seu povo, são tão humanos que permanecem como inspiração para todos os tempos e todos os povos. Francisco de Assis é um desses homens raros que, ao longo dos séculos, das latitudes e longitudes, interpelam, questionam, desinstalam" - Dom Hélder Câmara

"Esse, talvez, o maior segredo de São Francisco de Assis. Onde outros dariam ou deram o seu saber, a sua astúcia, a sua coragem, ele deu apenas isso: seu coração. E com isso revolucionou a história. Com a fé de uma criança, renovou a alma de um mundo". Alceu Amoroso Lima

"São Francisco, pela amigável união que estabeleceu com todas as coisas, parecia ter voltado ao primitivo estado de inocência matinal" - S. Boaventura

"Homem inútil e indigna criatura de Deus, nosso Senhor" - ele mesmo, São Francisco.


Francisco, modelo de paz

Por D. Paulo Evaristo Arns

A festa de São Francisco, em 4 de outubro, transformou-se em símbolo do esforço da Igreja pela Paz. Todos nos lembramos com gratidão da viagem de Paulo VI às Nações Unidas e do pedido humilde, mas corajoso, do Pontífice, de se transformarem os canhões de guerra em arados para a construção da paz duradoura.

Nos tempos de São Francisco, não havia homem que não andasse armado, e homens armados podem transformar-se facilmente em homens de guerra. Como nos dizia certa vez um mexicano: "Em minha Juventude, carregava-se sempre o revólver no cinto e morriam muitos homens pela violência. Hoje, andamos desarmados e já são poucos os que assim morrem".

Para conseguir um movimento de paz, São Francisco fundou sua Ordem Terceira, que obrigava a todos os membros a andarem sempre com a expressão "Paz e Bem" sobre os lábios e com o cinto e o ânimo desarmados.

Esse movimento provocou tamanha simpatia entre os homens, que se alastrou por sobre o mundo inteiro, conquistando adeptos entre todas as classes e transformando-se em autêntico fermento da idéia "PAZ".

No entanto a educação para a paz tinha que partir do exemplo daqueles que podem fazer guerra, das autoridades. E havia o que mudar.

O próprio Bispo de sua terra e a autoridade civil se guerreavam. São Francisco não se acovardou, e com sua simplicidade costumeira foi pedir a ambos que fizessem as pazes. Conseguiu-o, mais por persuasão pessoal, do que por argumentos históricos.

Quando, já moribundo, é transportado para sua terra, Assis, abençoa-a do alto de uma colina, desejando-lhe a paz e oferecendo sua serenidade diante do maior inimigo - a morte - como exemplo a todas as gerações. A morte assim se transformou em irmã, que conduz ao desabrochar total na paz eterna.

Mas antes de morrer, já enviara seus arautos da paz, os Frades Menores, dois a dois, a todos os pontos cardiais do mundo, com a mensagem evangélica da Paz: contínua conversão interior; vida em favor dos outros; renúncia aos bens que podem provocar a guerra, e carinho em favor daqueles que não vivem em paz porque estão marginalizados.

"Deixo-vos a paz, dou-vos minha paz", havia dito Jesus.

Paz significa, segundo os textos evangélicos, um incentivo para todos aqueles a quem Deus ama. Ter paz interior é olhar para os outros com o respeito e o amor de quem olha para Jesus. Ter paz interior não é outra coisa senão identificar-se a tal ponto com os sofrimentos dos outros "que não haja quem sofra, sem que eu sofra com ele". Por que não dizê-lo, paz interior significa também ter liberdade de falar a Deus como a um amigo e fugir a tudo que possa empanar esta amizade.

Neste ponto, São Francisco é o grande mestre da paz. A tal ponto assimilou a mensagem de Jesus, que na hora da morte, ele próprio confessou: "Não existe um termo no Evangelho que eu não tenha decorado - isto é, que eu não tenha posto no coração - com os pontos e virgulas".

A mensagem de paz de São Francisco foi assunto para pincéis e penas. Artistas e escritores celebraram a cena do lobo de Gubbio, o ladrão que não deixava paz à sua cidade.

O lobo que fazia vítimas contínuas na comunidade. São Francisco dirigiu-se a ele, e firmou o contrato de que ele não sofreria fome, caso não maltratasse mais os outros.

Os historiadores estão todos de acordo em dizer que São Francisco criou uma alegoria, e nós hoje teríamos a grande tentação de aplicá-la ao nosso meio. Mas preferimos confiar esta tarefa ao leitor: Como faremos para que o lobo deixe de devorar-nos? Qual é a comida que lhe oferecemos, para que não tenha mais fome nem maldade?

Quando visitamos as Pirâmides do México, o arqueólogo nos explicava: "Reparem naquelas pessoas que sobem; quanto se identificam com o monumento, na medida em que vão atingindo o alto; e como no final são uma coisa só com o monumento e o céu".

Agora imaginem-se os antigos sacerdotes, que subiam com suas oferendas, e assim identificavam a terra e o céu, numa só visão para todos os crentes. As pirâmides se casam com a natureza e o homem mexicano.

Quando o peregrino percorrer Assis, sentirá apenas falta do homem Francisco, totalmente identificado com a natureza. Talvez com um cordeirinho nos braços, cordeirinho que recebeu em troca do manto, amando a água "pura e casta", amando a lua, o fogo e o sol, amando, sobretudo, o homem, pobre e desprezado, chamando a tudo e a todos de Irmão, de Irmã.

Como à paisagem mexicana se devolve a paz completa, ao unir as pirâmides com o sacerdote e o céu, assim a Humanidade inteira se reconcilia em São Francisco, com aquilo que é e deve ser.

A Paz significa, em última análise, reconhecer a Deus como Pai e a toda a natureza como irmã. A evocação de São Francisco exige de cada um de nós um gesto e uma súplica de paz.

Texto do livro "Olhando o Mundo com São Francisco", de D. Paulo Evaristo Arns, Edições Loyola, 1982.

1 de outubro de 2010

1ª sexta-feira do mês

AQUELE QUE ACOLHE DE BRAÇOS ABERTOS

1. Nunca nos cansamos de contemplar os últimos momentos da trajetória do Cristo de nossas vidas. Sabemo-lo ressuscitado e presente no meio de nós. De alguma forma, podemos dizer que nossa vida se confunde com sua vida. Não somos homens e mulheres da sexta-feira das dores, mas da manhã da ressurreição. Neste curto espaço de tempo de nossa vida tivemos a ventura e a alegria de sermos delicadamente apresentados ao Senhor. Gostamos, mesmo sabendo que o Senhor é o ressuscitado, de contemplar sua cruz. Aquela solidão, aqueles momentos delicados em que o próprio Pai parece tê-lo abandonado. Aquele peito aberto pela lança do soldado. Aquele Coração que espreitava o nosso coração. Aqueles braços abertos querendo nosso abraço.

2. Zózimo, autor eclesiástico antigo, contemplando a cruz do Senhor, escreve: “Quando nos aproximamos da cruz de Jesus, ele nos olha de braços abertos. Tem sua santa cabeça inclinada para ouvir tua voz. Deus fechou os olhos para não ver teus pecados. Permitiu que seus pés fossem pregados ao lenho, para não se afastar daqueles que, na realidade, não mereciam seu amor”.

3. Discípulos de Cristo, experimentamos, diante do Coração aberto do Mestre um sentimento de confusão pelos nossos pecados, pela incapacidade de responder amor com amor, pela vida mais ou menos tíbia que uns e outros levamos. Pela falta de zelo missionário. Pela perda do élan no desgaste do tempo. Esse sentimento de confusão se mistura ao desânimo e ao peso de atos que colocados corroem a nossa consciência. Mas ele está pregado, preso, não se afasta. Está a chamar. É possível tudo recomeçar. O sentimento de confiança, do cor contritum, invade a nossa vida. É o grande momento da graça!

4. Novamente Zósimo: “Ele não somente abriu a porta de seu coração, cheio de caridade. Permitiu que ele fosse traspassado pela lança para que sua ternura e seu amor escorressem sem interrupção sobre todos os que se lança aos pés de Deus que, com seu amor, se fez pregar na cruz”. Se é verdade (e como!!!) que os cristãos não podem se acomodar, não descansam enquanto o maior número de homens e de mulheres não venham a se apaixonar por Cristo, também é certo que precisam compreender contemplativamente a grandeza do sangue que corre, da água que mana do Coração daquele ama sem ser amado. Não se pode perder de vista esse denso momento da trajetória de Deus que se aproxima de nós.

5. Não é possível deixar de beber desta fonte no cuidado da busca do silêncio e na constante visita ao nosso interior. Não podemos deixar o nosso interior se torne vazio. Intimidade sim, em vista da missão. Mas tempo de intimidade. “Entendei o que bebeis. Diga-vos Jeremias, diga-vos a própria fonte: Abandonaram-me a mim, fonte de água viva, diz o Senhor (Jr 2,13). O próprio Senhor, nosso Deus, Jesus Cristo, é a fonte da vida: por isso nos convida a irmos a ele, fonte para bebermos. Bebe-o quem ama; bebe quem se sacia com a palavra de Deus; quem muito ama, muito deseja; bebe quem arde de amor pela sabedoria” (São Columbano, Liturgia das Horas IV, p. 143).

6. Vamos correndo na direção do Coração aberto do Senhor, sem medo e sem hesitação. Zósimo nos ensina a postura diante dele: “Medita em sua bondade e reza, ou como o publicano, dize baixinho com humildade e compunção: Tem piedade de mim, que sou pecador! Ou então grita como a cananéia, ou permanece silencio banhado de lágrimas, como a pecadora aos pés do Salvador, ou corre sem medo, como o filho pródigo. Os braços do Salvador, cobertos de sangue, acolhe todos os que a ele se voltam”.