31 de maio de 2015

31/05 - Santa Camila Batista da Varano


Virgem religiosa da Segunda Ordem (1458-1524). Gregório XVI aprovou seu culto no dia 7 de abril e foi canonizada por Bento XVI no dia 17 de outubro de 2010.

Nasceu em Camerino a 9 de abril de 1458. Filha de Júlio César Varani, típica figura de um homem do renascimento, duque de Camerino, e de uma certa dama, Francisca de Mestro Giacomo de Malignis, antes das núpcias de seu pai com Giovana Malatesta, de Rímini (conhecida como beata Giovana ou Jane Malatesta).


Bem cedo Camila é levada ao Palácio dos Varani, família ilustre que desde a metade do século XIII dominava a cidade e o ducado de Camerino. É reconhecida como filha de Júlio César, e como tal, amada de modo particular. Também Giovana acolhe-a com maternal afeto: o relacionamento que as duas mantêm é uma das realidades mais belas da infância e da juventude de Camila. Entre os 8 e 9 anos foi imensamente atraída por uma pregação do franciscano Dominico de Leonessa (observante) sobre a Paixão de Jesus. Fez voto de meditar todas sextas-feiras os sofrimentos do Senhor e de verter ao menos uma “lagrimazinha”.

Depois de 1476, em contato com Frei Francisco de Urbino, começou a maturar sua vocação para a vida religiosa, diante da qual relutou muito. Depois de ter-se decidido, passa por sérias dificuldades e contrariedades vindas da parte dos parentes, de modo especial de seu pai, que não acolhem com bons olhos os planos de Camerino. Desejam para ela um casamento, que favoreça a política do ducado. Em 1481, ingressa finalmente no Mosteiro de Clarissas Urbanistas da cidade de Urbino. Tem então vinte e três anos. Ao receber o hábito religioso, recebe também o nome de Batista, tão corrente na época. Em 1482, faz sua profissão religiosa em circunstâncias para ela demais difíceis, tanto que ao escrever sua autobiografia, chama de “amarga profissão”.

Em 1483, redige “As Recordações de Jesus”, opúsculo com instruções e admoestações recebidas de Jesus enquanto ainda estava em Camerino no palácio paterno. O pai, Júlio César, e seus filhos, não suportando que Camila estivesse longe, constroem em Camerino um Mosteiro. A 4 de janeiro de 1484, Camila retorna a Camerino com oito irmãs para fundar uma comunidade clariana, não mais de Urbanistas, mas com a Regra própria de Santa Clara. No correr dos anos é eleita várias vezes abadessa.

É humilde, serviçal, atenta às necessidades de suas irmãs. Datam desses anos, fortes experiências místicas, visões de Jesus, da Virgem e de Santa Clara. Em 1488, Camila escreve “As dores mentais de Jesus na sua Paixão”. Em 1491, numa prolongada inspiração, redige “A vida Espiritual”, sua autobiografia, endereçada ao Beato Domênico de Leonessa, seu confessor. Seguem outras obras, entre as quais “Instruções ao Discípulo”, dirigidas ao padre Giovani de Fano, franciscano. Desde o ano de 1488 até 1490, passa por uma dolorosa crise espiritual. Sua autobiografia, redigida em fevereiro-março de 1491 data do final deste período. Em 1501, inicia-se uma nova crise: a familiar, que a envolve profundamente.

O Papa Alexandre VI excomunga o pai de Camila unicamente por motivos políticos. O exército de Valentino aprisiona seu pai e seus irmãos Aníbal, Venâncio e Pirro, que posteriormente são assassinados. Camila, para não ser envolvida nas turbulências militares, foge com outra clarissa, parenta dos Varani, para Fermo. Em seguida, a pé, segue para Atri, onde as acolhe em seu castelo a duquesa Isabela Picolimini Tedeschini. Do massacre ocorrido no ano de 1501, restou somente o irmão mais novo de Camila, João Maria e o sobrinho Sigismundo, filho de Venâncio, com sua própria mãe, por terem fugido com antecedência.

Após a morte do Papa Alexandre VI (que como cardeal levara uma vida devassa, tendo vários filhos com algumas damas romanas, sendo eleito papa por tramas políticas), o duque João Maria é reintegrado no Senhorio de Camerino pelo Papa Júlio II (1503). Então Camila e a companheira retornam também a Camerino. Daí seria obrigada a sair novamente para fundar um mosteiro de Clarissas em Fermo (1505), por ordem do Papa. Em 1511, morre-lhe a mãe adotiva, Giovana Malatesta, que lhe assinalou profundamente a existência.

Em 1521, empreende uma viagem a São Severino, nas Marcas, em busca de fundos para seu Mosteiro. Morreria em Camerino a 31 de maio de 1524, com grande dor de seu irmão João Maria e de toda a corte ducal, deixando uma preciosa herança de manuscritos, alguns em latim e na maioria em dialeto umbro. Suas obras tornaram-se famosas na literatura mística. As fundações de Camerino e de Fermo, realizadas com empenho da observância radical da Regra de Santa Clara, lhe deram também a fama de ter sido excelente reformadora da Ordem de Santa Clara. Foi beatificada por Gregório XVI em 1843 e canonizada pelo Papa Bento XVI a 17 de outubro de 2010 em Roma. Sua festa ocorre no dia 30 de maio.
Morreu com fama de santidade, em 31 de maio de 1524, nesse mosteiro. A cerimônia do funeral se desenvolveu no pátio interno do palácio paterno.

Segundo o Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores, Frei José Rodríguez Carballo, ela foi uma luz para a família franciscana.

“Camila Batista manifesta-se como uma cristã capaz de viver com seriedade e intensidade a busca de Deus, radicando-se na experiência bíblica. Embora dotada de uma refinada e elevada formação cultural, o seu modo de ler a Escritura nunca assumiu o estilo de uma erudição árida. À luz da Palavra, relê o seu itinerário vocacional e toda a sua vida, servindo-se do modelo bíblico: os grandes acontecimentos da história da salvação estão na base da sua espiritualidade quase como profecias que se realizam.

Aproximando-nos de seus escritos, damo-nos conta de que a liturgia é o lugar privilegiado em que ela escuta a Palavra, alcançando aí a luz e a força para realizar as suas escolhas.
“Tu, Senhor, por graça nasceste na minha alma e me mostraste a via e a luz e lume da verdade para chegar a ti, verdadeiro paraíso. Nas trevas e escuridão do mundo, me deste a vista, o ouvir e o falar e o caminhar – pois que na verdade eu era cega, surda e muda – e me ressuscitaste em ti, verdadeira vida, que dás vida a cada coisa que tem vida”.

Camila Batista mostra-nos a via concreta para observar o santo Evangelho, para colocá-lo em prática e traduzi-lo na existência cotidiana. O voto de derramar a cada sexta-feira uma lágrima em memória da Paixão de Cristo, ao qual permanece tenazmente fiel mesmo imersa na vida da corte, testemunha-nos aquele envolvimento, aquela participação “física” e total ao mistério de Cristo que se torna relação viva e fecunda, segundo a mais genuína espiritualidade franciscana.

Na sociedade de hoje que favorece uma religiosidade intimista e frágil, reduzindo a fé a uma pulsão emotiva e desencarnada, Camila Batista sugere a toda a família franciscana uma via segura: viver o Evangelho com paixão e radicalidade e restituir “amor por amor, sangue por sangue, vida por vida”.

Somente assim poderemos ser uma presença significativa na Igreja e na história”.

30 de maio de 2015

30/05 - São Fernando III


Da Terceira Ordem (1199-1252). Canonizado por Alexandre VII no dia 31 de maio de 1655.

Fernando nasceu na vila de Valparaíso, em Zamora, Espanha, no dia 1o de agosto de 1199. Era filho do famoso Afonso IX de Leão, que reinou no século XII. Um rei que brilhou pelo poder, mas cujo filho o suplantou pela glória e pela fé. A mãe era Barenguela de Castela, que o educou dentro dos preceitos cristãos de amor incondicional a Deus e obediência total aos mandamentos da Igreja. Assim ele cresceu, respeitando o ser humano e preparando-se para defender sua terra e seu Deus.


Assumiu com dezoito anos o trono de Castela, quando já pertencia à Ordem Terceira Franciscana. Casou-se com Beatriz da Suábia, filha do rei da Alemanha, uma das princesas mais virtuosas de sua época, em 1219. Viúvo, em 1235, contraiu segundo matrimónio com Maria de Ponthieu, bisneta do rei Luís VIII, da França. Ao todo teve treze filhos, o filho mais velho foi seu sucessor e passou para a história como rei Afonso X, o Sábio, e sua filha Eleonor, do segundo casamento, foi esposa do rei Eduardo I da Inglaterra.

Essas uniões serviram para estabilizar a casa real de Leão e Castela com a realeza germânica, francesa e inglesa. Condizente com sua fé, evitou os embates, inclusive os diplomáticos, e aplacou revoltas só com sua presença e palavra, preferindo ceder em alguns pontos a recorrer à guerra. Sob seu reinado foram mudados os códigos civis, ficando mais brandos sob a tutela do Supremo Conselho de Castela, instituiu o castelhano como língua oficial e única, fundou a famosa Universidade de Salamanca e libertou sua nação do domínio dos árabes muçulmanos. Abrindo mão do tempo desperdiçado com novas conquistas, utilizava-o para fundar novas dioceses, erguer novas catedrais, igrejas, conventos e hospitais, sem recorrer a novos impostos, como dizem os registros e a história.

Em 1225, teve que pegar em armas contra os invasores árabes, mas levou em sua companhia o arcebispo de Toledo, para que o ajudasse a perseverar os soldados na fé. Queria, com a campanha militar, apenas reconquistar seus domínios e propagar o catolicismo. Vencida a batalha, com a expulsão dos muçulmanos, os despojos de guerra foram utilizados para a construção da belíssima catedral de Toledo. Durante seu reinado, cidades inteiras foram doadas às ordens religiosas, para que o povo não fosse oprimido pela ganância dos senhores feudais.

Com a morte do pai em 1230, foi coroado também rei de Leão. Em seguida, chefiou um pequeno exército, aos seus moldes, e reconquistou dos árabes ainda Córdoba e Sevilha, onde edificou a catedral de Burgos. Pretendia lutar na África da mesma forma, mas foi acometido de uma grave doença. Morreu aos cinquenta e três anos, depois de despedir-se da família, dos amigos e companheiros, no dia 30 de maio de 1252, em Sevilha.
Imediatamente, o seu culto surgiu e se propagou rapidamente por toda a Europa, com muitas graças atribuídas à sua intercessão. Foi canonizado pelo papa Clemente X, em 1671, após a comprovação de que seu corpo permaneceu incorrupto. São Fernando III é venerado, no dia de sua morte, como padroeiro da Espanha.

29 de maio de 2015

29/05 - Bem-aventurado Herculano de Piegaro


Sacerdote da Primeira Ordem (1390-1451). Aprovou seu culto o Papa Pio IX no dia 29 de março de 1860.

Herculano nasceu em Piegaro, Província de Perusa, em 1390. Aos vinte anos vestiu o hábito franciscano, propondo-se a imitar Pobrezinho de Assis no ardor da caridade e no zelo apostólico. Teve como mestre o Beato Alberto de Sarteano, que com São Bernardino de Sena, São Tiago das Marcas e São João Capistrano foram as colunas da Observância, aquele providencial movimento para reconduzir a Ordem dos Frades Menores à genuína pureza da Regra.

Ordenado sacerdote, exerceu o ministério da pregação percorrendo povoados e cidades com grande proveito das almas, que voltavam para Deus com a prática da vida cristã. um dos argumentos que desenvolvia com preferência era a Paixão de Cristo. Numa sexta-feira santa pregou em Áquila com tanta veemência a Cristo sofredor morto sobre a cruz, que os fiéis prorromperam em pranto.

Depois de anunciar ardorosamente o Evangelho, chegava aos conventos destinados ao retiro e à solidão onde, em perfeito silêncio, em oração assídua, em penitência austera, refazia novamente o espírito de intenso fervor. Com freqüência alimentava-se somente da Eucaristia, de pão e de água.

Em 1429, seu ilustre mestre, o Beato Alberto de Sarteano o quis como companheiro em uma missão especial na Palestina. Ali, por ordem de Eugênio IV ia para tomar posse dos Lugares Santos em nome da Ordem dos Frades Menores. A visita aos lugares santificados pela vida de Jesus, da Virgem e dos Apóstolos, deixou no coração de Herculano uma marca indelével. Depois de alguns meses retornou à sua pátria completamente transformado, pronto a retomar seu caminho apostólico.

Em 1430, enquanto pregava a quaresma na Catedral de Lucca, os florentinos assediaram a cidade. Herculano se ofereceu como mediador de paz, interessou-se em socorrer os sitiados e, faltando víveres, ocultamente fez introduzir no cerco da cidade o que era necessário para sustentar a povoação. Predisse a retirada das forças inimigas e a vitória dos Lucenses. Os cidadãos em sinal de agradecimento, cederam ao Beato o convento de Pozzuolo. Construiu outros dois conventos na Toscana: em Barca e em Castelnuovo, na Carfagna, onde foi sábio e zeloso superior.

A 28 de maio de 1451, aos 61 anos de idade adormeceu santamente na paz do Senhor. Os milagres glorificaram sua vida apostólica e também sua tumba.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramírez, OFM, edição Porziuncola.

28 de maio de 2015

28/05 - Santa Mariana de Jesus Paredes e Flores


Virgem da Terceira Ordem (1618-1645). Canonizada pelo Papa Pio XII no dia 9 de julho de 1950.

Mariana de Jesus de Paredes e Flores é a primeira santa da república do Equador e foi proclamada heroína nacional. Nasceu em Quito a 31 de outubro de 1618, oitava e última dos filhos do capitão espanhol Jerônimo Flores de Paredes, nascida em Toledo e de Mariana Granobles Jaramillo, nascida em Quito. Cedo órfã de pai aos quatro anos e de mãe aos seis, foi educada por sua irmã maior, Jerônima, casada com o capitão Cosme de Casa Miranda.

Inclinada desde sua infância aos exercícios de piedade e de mortificação, fez a primeira comunhão aos sete anos, e fez o voto de virgindade tomando o nome de Mariana de Jesus. Fez os exercícios espirituais, e como Santa Teresa, quis fugir de sua casa com uma prima para ir a evangelizar os Índios Mainas.

Esta iniciativa não teve êxito como tampouco a de retirar-se a uma capela aos pés do vulcão Pichincha, para implorar a Virgem a proteção contra os perigos do vulcão. Sua família não a autorizou para entrar entre as irmãs Franciscanas; então ela decidiu ingressar na Terceira Ordem de São Francisco e se retirou para uma alcova de sua própria casa, se vestiu com um Saial marrom e começou uma vida de completo recolhimento, de largas orações e de duras penitências. Estas austeridades não mudaram seu caráter alegre: tocava o violão, consolava aos tristes, reconciliava a negros e índios e fazia até milagres.

Mas sua saúde se ressentiu com as penitências as quais se ajuntaram dolorosas sangrias da parte dos médicos. Com os terremotos e as epidemias que tiveram lugar em Quito em 1645, Marianita, como a chamavam seus contemporâneos, ofereceu sua vida por seus concidadãos. Em sua reclusão foi atacada por febre altíssima e fortes dores. Ao mesmo tempo que progredia a enfermidade da Santa, ia diminuindo a peste na cidade e o terremoto havia cessado no momento de seu heroico oferecimento. Nos últimos três dias perdeu a voz e só no último dia aceitou que a colocassem num leito.

Fazia tempo que havia expressado a seus familiares o desejo de que depois de morta a vestissem com o hábito franciscano que sempre teve em sua cela, emquanto por muitos anos levava o escapulário e o cordão da Terceira Ordem Franciscana, recebidos dos Frades Menores, por conselho de seu confessor. Predisse o dia e hora de sua morte, que teve lugar às 22 horas do dia 26 de maio de 1645. Tinha 26 anos, 6 meses e 26 dias de idade. Sua morte foi chorada por toda a cidade. Nos lábios de todos estavam esta expressão: “Morreu a Santa”. Seus funerais foram um triunfo, uma explosão de agradecimento e de profunda veneração pela admirável concidadã, pela generosa vítima e sua salvadora.

27 de maio de 2015

27/05 - Bem-aventurado Mariano de Roccacasale


Religioso da Primeira Ordem (1778-1866). Beatificado por São João Paulo II no dia 3 de outubro de 1999 (sua festa é no dia 31 de maio)

Mariano de Roccacasale nasceu a 14 de Junho de 1778 em Roccacasale, Província de Áquila (Itália). Depois de ter ficado sozinho com os pais, por causa do casamento dos seus irmãos, Mariano encarregou-se de cuidar do rebanho e, no contacto com a natureza e a solidão dos campos, aprendeu a valorizar a reflexão e o silêncio. Percebeu, então, que a sua vocação não era para o mundo e, com vinte e três anos, decidiu dedicar-se com radicalidade ao seguimento de Cristo.


A 2 de Setembro de 1802 vestiu o hábito franciscano. Resumia a sua nova vida em duas palavras: oração e trabalho. Após alguns anos de serviço no convento de Arísquia, como carpinteiro hábil e valioso, jardineiro, cozinheiro e porteiro, pediu a transferência para o Retiro de Bellegra.

Ali foi nomeado porteiro do convento e desempenhou, durante mais de quarenta anos este serviço que se tornou um meio para a sua santificação. Para todos tinha um sorriso, sabia acolhê-los com alegria e simpatia, instruía-os nas verdades da fé, dava-lhes conselhos e com eles rezava, sem deixar de lhes dar até mesmo um pouco de pão. Jamais se lamentava do trabalho nem dava sinais de cansaço; era sempre sereno, afável, sorridente.
A fonte de tanta virtude era, sem dúvida, a oração intensa e recolhida. Eis o segredo deste humilde frade franciscano, que morreu a 31 de Maio de 1866.

Na sua beatificação, João Paulo II assim definiu o beato:

“No que se refere à vida e à espiritualidade do Beato Mariano de Roccacasale, religioso franciscano, pode-se dizer que elas se resumem emblematicamente nos votos do Apóstolo Paulo à comunidade cristã dos Filipenses: “O Deus da paz estará convosco!” (4, 9). A sua vida pobre e humilde, vivida nas pegadas de Francisco e de Clara de Assis, foi constantemente dedicada ao próximo, com o desejo de ouvir e partilhar os sofrimentos de todos, para depois os apresentar ao Senhor nas longas horas transcorridas em adoração diante da Eucaristia.
O Beato Mariano levou a toda a parte a paz, que é dom de Deus. O seu exemplo e a sua intercessão nos ajudem a redescobrir o valor fundamental do amor de Deus e o dever de o testemunhar na solidariedade para com os pobres. Ele é para nós exemplo, sobretudo no exercício da hospitalidade, tão importante no atual contexto histórico e social e principalmente significativo na perspectiva do Grande Jubileu do Ano 2000.
A mesma espiritualidade franciscana, centrada numa vida evangelicamente pobre e simples, distingue Frei Diego Oddi, que hoje contemplamos no coro dos Beatos. Na escola de São Francisco, ele aprendeu que nada pertence ao homem a não ser os vícios e os pecados e que tudo o que a pessoa humana possui, na realidade é dom de Deus (cf. Regra não selada XVII, em Fontes Franciscanas, 48). Desta forma aprendeu a não se angustiar inutilmente, mas a expor a Deus “orações, súplicas e agradecimentos” por todas as necessidades, como escutámos do apóstolo Paulo na segunda Leitura (cf. Fl 4, 6).
Durante o seu longo serviço de esmoleiro, foi autêntico anjo de paz e bem para todas as pessoas que o encontravam, sobretudo porque sabia ir ao encontro das necessidades dos mais pobres e provados. Com o seu testemunho jubiloso e sereno, com a sua fé genuína e convicta, com a sua oração e o seu incansável trabalho o Beato Diego indica as virtudes evangélicas, que são a via-mestra para alcançar a paz”.

26 de maio de 2015

26/05 - Bem-aventurados Estêvão de Narbona e Raimundo de Carbona


Sacerdotes e mártires da Primeira Ordem (+1242). Aprovou seu culto o Papa Pio IX no dia 6 de setembro de 1866.

No início do século XIII, a situação da Igreja no Sul da França, especialmente na região de Toulouse, estava mais precária do que nunca devido à difusão da heresia dos albigenses. Em 22 de abril de 1234, Gregório IX nomeou William Arnaud, um dominicano de Montpellier, primeiro inquisidor na diocese de Toulouse e Albi, que, imediatamente começou a trabalhar diligentemente, encontrando sérias dificuldades. Raymond VII, conde de Toulouse, proibiu seus súditos de ter qualquer contato com o irmão William e seus companheiros inquisidores, colocando guardas nas portas dos conventos para que não recebessem nenhum alimento. Em 15 de novembro de 1235 foram expulsos da cidade todos os frades dominicanos, que saíram em procissão, cantando hinos sagrados. No ano seguinte, puderam retornar ao seu claustro, mas o ódio dos hereges contra os inquisidores cresceu e causou tumultos.


Raimundo de Alfar, de Avignonet, uma pequena cidade a poucos quilômetros de Toulouse, decidiu acabar com isso. Fingindo amizade e reconciliação, convidou Frei William e dez companheiros para o seu castelo e depois os levou a uma sala, fazendo-os prisioneiros. No dia 29 de maio de 1242, véspera da Ascensão do Senhor, tarde da noite, centenas de albigenses com espadas, machados e facas invadiram a cidade e seguiram direto para o castelo. O traidor Alfar Raymond abriu as portas para eles, que logo chegaram à sala onde estavam os religiosos. Quando chegaram, os religiosos compreenderam que havia chegado o momento do martírio.

Nenhum fugiu, mas todos, de joelhos, cantaram o “Te Deum”. Após a oração, os albigenses, como hienas ferozes, atiraram-se sobre as vítimas inocentes, que caíram como cordeiros mansos. Em seus lábios, só tinham palavras de oração e perdão: “Senhor, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.” Deus glorificou o heroísmo de seus mártires. No lugar do martírio e em seus túmulos aconteceram milagres. A crueldade foi implacável, principalmente contra Frei William, que teve a língua cortada.
Entre os 11 mártires havia também dois irmãos franciscanos: Santo Estêvão de Narbona e Raimundo Carbonario de Carbona.

Estêvão nasceu em Saint Thibery, na diocese de Maguelonne, na França. Sendo ainda jovem, tornou-se um monge beneditino, para seguir a regra de São Bento “Ora et labora” (oração e trabalho). Também foi abade de um mosteiro perto de Toulouse. A mensagem deixada em seu tempo por São Francisco, a vida pobre, humilde e simples dos Frades Menores, o zelo evangélico e apostólico dos primeiros santos e mártires o impressionaram profundamente que ele pediu a seus superiores para fazer parte do nova Ordem. Como San Antônio, no mesmo século, deixou a Ordem dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho para se tornar um franciscano, ele deixou a Ordem dos Monges Beneditinos para ser Irmão Menor. Homem culto e santo, trabalhou duro para defender a fé contra os erros dos albigenses. Com dez companheiros, incluindo o seu confrade Raimundo de Carbona, corajosamente deram suas vidas por amor a Cristo com o martírio de decapitação. Os Bem-aventurados Estêvão e Raimundo foram enterrados em Toulouse, na igreja dos Frades Menores.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramírez, OFM, edição Porziuncola.

25 de maio de 2015

Mês de Maria, Mãe do Redentor - Maria Santíssima na piedade de São Francisco



Por Frei Constantino Koser, OFM

O intenso amor a Cristo-Homem, qual o praticara São Francisco e qual o legara à sua Ordem, não podia deixar de atingir Maria Santíssima. Já as razões do coração católico de São Francisco e seu cavaleirismo o levavam a amor aceso da virgem Mãe de Deus. “Seu amor para com a bem-aventurada Mãe de Cristo, a puríssima Virgem Maria, era de fato indizível, pois nascia em seu coração quando considerava que ela havia transformado em irmão nosso o próprio Rei e Senhor da glória e que por ela havíamos merecido alcançar a divina misericórdia. Em Maria, depois de Cristo, punha toda a sua confiança. Por isto a escolheu para advogada sua e de seus religiosos, e em sua honra jejuava devotamente desde a festa de São Pedro e São Paulo até à festa da Assunção”.

São Francisco não é apenas um santo muito devoto, muito afeiçoado à Mãe de Deus, mas é um dos santos em que a piedade mariana aparece numa floração original e singular, sem contudo se afastar, por pouco que seja, das linhas marcadas pela Igreja. A Idade Média, da qual é Filho, teve uma piedade mariana cheia dos mais suaves encantos, porque fundada toda sobre a nobreza de sentimentos e a cortesia de atitudes de cavaleiros. Os cavaleiros se consideravam paladinos da honra e da glória de Maria Santíssima.

São Francisco, que em sua concepção específica da vida religiosa partia deste ideal e que considerava os seus como “cavaleiros da Távola Redonda”, cultivou com esmero e com intensidade toda sua o serviço da Virgem Santíssima nos moldes do ideal cavaleiroso, condicionado pelo seu conceito e pela sua prática da pobreza. Nada mais comovente e delicado na vida deste Santo, que a forte e ao mesmo tempo meiga e suave devoção à Mãe de Deus. Derivada do amor de Deus e de Cristo, orientada pelo Evangelho e vazada nos moldes e costumes do cavaleirismo medieval, transposto a uma sobrenaturalidade, pureza e força singularíssima, esta piedade mariana do Santo fundador é parte integrante do que legou à sua Ordem e aí foi cultivada com esmero.

São Francisco fez dos cavaleiros de “Madonna Povertá” os paladinos dos privilégios e da honra da Mãe de Cristo. As fontes da vida e da espiritualidade de São Francisco são unânimes em narrar quanto a igrejinha da Porciúncula minúscula, pobre e abandonada na várzea ao pé de Assis, igrejinha de Nossa Senhora dos Anjos – atraía as atenções de São Francisco e prendia a sua dedicação. Atraiu as suas atenções, quando estava para cumprir, segundo a interpretação que lhe dava, a ordem de Cristo de reconstruir a Igreja Santa. O edifício ameaçava ruínas. São Francisco pôs mãos à obra e em pouco tempo, com pedras e cal de “Madonna Povertá”, restituiu a estrutura da capela: “Vendo-a (a capela) São Francisco em tão ruinoso estado, e movido por seu indizível e filial afeto da soberana Rainha do universo, se deteve ali com o propósito de fazer quanto fosse possível para a sua restauração… Fixou neste lugar a sua morada, movido a isto pela sua reverência aos santos anjos, e muito mais pelo entranhado amor da Mãe Bendita de Cristo”.

Depois de assinalado por Cristo com os sinais gloriosos, mas dolorosos da Paixão, São Francisco voltou à Porciúncula. De lá partia novamente para pregar, mas voltava sempre. Os irmãos, apreensivos pela sua saúde combalida, obrigaram-no a permitir o levassem aonde melhor podiam atender ao tratamento reclamado pelo eu estado. Quando, porém, ia findar o tempo que Deus lhe concedera, e sabia quando findaria, São Francisco pediu que o levassem novamente à capelinha da Virgem dos Anjos. À sombra da igrejinha entregou sua alma a Deus no trânsito incomparável que foi o seu. Maria Santíssima, tão agraciada por Deus, possui encantos mil e à semelhança do seu Filho Divino é tão rica que um coração humano não pode venerar de uma só vez todas as prerrogativas de que foi cumulada pela generosidade divina.

Há desta forma a possibilidade das mais variadas devoções da Virgem, há a possibilidade de cada qual venerá-la e amá-la sob o aspecto que mais o comove, que mais o inflama.

(Extraído do Livro “O Pensamento Franciscano”, Editora Vozes)

25/05 - Bem-aventurado Gerardo de Villamagna


Ermitão da Terceira Ordem (1174-1270). Gregório XVI aprovou seu culto no dia 18 de março de 1833.


Gerardo Mecatti, nascido em Villamagna, ao longo do rio Arno, filho de camponeses, ficou órfão aos doze anos. Durante uma peregrinação à Palestina, caiu prisioneiro dos turcos, sofrendo duros maus-tratos. Assim que foi libertado, pôde devotamente visitar os lugares santos. Villamagna voltou e decidiu se mudar para perto de uma igreja, que ainda existe e leva o título do Bem-aventurado Gerardo. Em seu interior se conserva a arca com as relíquias do infortunado cruzado.

As aventuras do jovem não tinham acabado. Um ano depois, ele foi para o mar novamente com um grupo de vinte homens, indo para a Síria. Desta vez, quem tornou sua viagem difícil foram os piratas.

Voltou pela segunda vez à Palestina, consagrando-se totalmente à oração e ao exercício de caridade, especialmente para com os doentes e peregrinos. Ele permaneceu lá por sete anos até que percebeu era objeto de manifestações de veneração, as quais ele tentou fugir por humildade.

De volta à Itália, quis conhecer a São Francisco, de cujas mãos recebeu o hábito de terceiro franciscano. E, como terceiro voltou a Villamagna, onde no alto da colina florentina construiu um oratório dedicado a Nossa Senhora.

Esse foi o edifício da igreja original que ainda existe, construída dentro de um convento simples e sugestivo. Mas esse convento franciscano não foi construído por ele, mas por outro santo, Leonardo de Porto Maurício, quase cinco séculos depois, continuando e completando a obra do seu confrade.

Cada semana visitava em peregrinação piedosa três santuários, em sufrágio das almas do purgatório, para a remissão dos pecados e para a conversão dos infiéis. Com fama de santidade, ele faleceu em 25 maio de 1270 com 96 anos de idade.

Fonte: “Santos franciscanos para cada dia”, de Frei Giuliano Ferrini e Frei José Guillermo Ramírez, OFM, edição Porziuncola.

24 de maio de 2015

24/05 - Dedicação da Basílica de São Francisco de Assis


24/05 - Dedicação da Basílica de São Francisco de Assis

Imediatamente após a canonização, que ocorreu em 16 de julho de 1228, o Papa Gregório IX quis que em honra a São Francisco, o Poverello de Assis, fosse elevado um magnífico templo e ali seus restos mortais fossem preservados. O mesmo Pontífice abençoou a pedra fundamental em 17 de Julho de 1228 e, na festa de Pentecostes, 25 de maio de 1230, ordenou que o corpo do santo foi transportado da igreja de São Jorge para a nova basílica, a igreja-mãe da Ordem dos Ordem dos Frades Menores. Inocêncio IV a consagrou solenemente em 1253, elevando à basílica patriarcal e capela papal por Bento XIV em 1764.
São Francisco queria morrer perto da Porciúncula, onde havia iniciado a vida religiosa. Mas aquele que havia escolhido a pobreza como um caminho para amar e deixava-a como herança a seus filhos.
No dia de Pentecostes, em 25 de Maio de 1230, o corpo de Francisco foi trazido para o local. A construção da basílica superior começou logo após 1239 e foi finalizada em 1253. Sua arquitetura é uma síntese do Românico e do GóticoItaliano. As igrejas foram decoradas pelos maiores artistas daquele tempo, vindos de Roma, Toscana e Úmbria. A igreja inferior tem afrescosde Cimabue e Giotto; na igreja superior está uma série de afrescos com cenas da vida de São Francisco, também atribuída a Giotto e seus seguidores. A Basilica é admistrada pelos Frades Menores Conventuais (OFM Conv.). Os Frades Franciscanos Conventuais são os gardiães dos restos mortais do Santo de Assis.
No dia 26 de setembro de 1997, Assis foi atingida por dois fortes terremotos que danificaram severamente a basílica (parte do teto dela ruiu durante o segundo tremor, destruindo um afresco de Cimabue) que passou dois anos fechada para restauração.

Basílica inferior

A Basílica inferior, que representaria a penitência, consiste em uma nave central com várias capelas laterais com arcos semi-circulares. A nave é decorada com os afrescos mais antigos da igreja, criados por um artista chamado Mestre de São Francisco. Eles mostram cinco cenas da Paixão de Cristo à direita, e à esquerda, cenas da vida de São Francisco. Essses afrescos foram finalizados em 1260-1263. São considerados os melhores exemplos da pintura mural da Toscana, antes de Cimabue.
Como a popularidade da igreja aumentou, capelas laterais para famílias nobres foram adicionadas entre 1270 e 1350, destruindo os afrescosna paredes. A primeira capela à esquerda é decorada com dez afrescos de Simone Martini. Esses estão entre os maiores trabalhos de Martini e os melhores exemplos da pintura do século XIV.
A nave termina em uma abside semicircular ricamente decorada, precedida por um transepto. Os afrescos no transepto direito mostram a infância de Cristo, feitos parcialmente por Giotto e seus aprendizes e a Natividade pelo anônimo Mestre di San Nicola. O nível inferior mostra três afrescos representando São Francisco ajudando duas crianças. Esses afrescos de Giotto foram revolucionários para a época, pois mostravam pessoas reais com emoções em uma paisagem realista. Na parede do transepto, Cimabue pintou uma de suas obras mais famosas: A Virgem com São Franciso, Anjos e Santos (1280). Esse é provavelmente o retrato mais assemelhado à São Francisco. A pintura estática em estilo gótico contrasta com as pinturas dinâmicas de Giotto. O transepto esquerdo foi decorado pelo pintor Pietro Lorenzetti e seus aprendizes entre 1315 e 1330. Os afrescos mostram seis cenas da Paixão de Cristo, sendo a mais impressionante a Descida da Cruz, onde se percebe a sombra em uma pintura pela primeira vez desde a Antiguidade.

Entrada da Basílica inferior


Afresco de Simoni Martini

Afresco de Cimabue

Cripta e convento

Altar maior da Basílica inferior

Pela nave se pode descer para a cripta através de uma escadaria dupla. Esse local, que guarda o túmulo de Francisco foi descoberto em 1818.

O túmulo tinha sido escondido pelo irmão Elias para evitar que suas relíquias se espalhassem pela Europa medieval. Por ordem do Papa Pio IX, uma cripta foi construída embaixo da Basílica inferior.
Foi projetada por Pasquale Belli com mármore fino em estilo neo-clássico, mas foi redesenhada em pedra crua em estilo neo-Românico por Ugo Tarchi entre 1925 e 1932.
Ao lado da Basílica, fica o Sacro Convento, que se assemelha a uma fortaleza e que já era habitado em 1230.
O Convento agora abriga uma vasta biblioteca (com obras medievais), um museu com obras de arte doadas por peregrinos pelos séculos e também 57 obras (principalmente das Escolas Florentina e Sienesa) da Coleção Perkins.
. Cripta com túmulo de São Franciso de Assis

Basílica superior



Nave da Basílica superior
A entrada da Basílica superior (que representa a glória) é pela arcada do convento dos frades. O estilo dessa área é compeltamente diferente da Basílica inferior. Grandes janelas de vidro colorido banham com luz as obras de Giotto e Cimabue.
A parte final ao oeste do transepto e a abside foram decoradas com vários afrescos deCimabue e seus aprendizes (1280). Infelizmente, devido ao material usado na obra, os afrescos logo sofreram os efeitos da umidade. Estão hoje muito deteriorados e foram quase reduzidos a meros negativos fotográficos.
A parte superior, em ambos os lados da nave (foto à esquerda), muito danificada pelos terremotos de 1997, foi decorada em duas filas com um total de 32 cenas do Velho Testamento e do Novo Testamento. Como levava cerca de seis meses para que se pintasse apenas uma parte da nave, diferentes artistas romanos e toscanos, seguidores de Cimabue, trabalharam na obra, tais como Giacomo, Jacopo Torriti e Pietro Cavallini.
Os dois afrescos sobre a vida de Isaac eram tradicionalmente atribuídos a um jovem Giotto. Mas essa informação é ainda polêmica. Muitos críticos atribuem a obra a um anônimo Mestre de Isaac e seus aprendizes. A partir de detalhes estilísticos, que atestam uma origem romana, alguns acreditam que o Mestre de Isaac pode ter sido Pietro Cavallini ou um seguidor, visto que Cavallini pintou uma afresco similar na igreja de Santa Cecilia in Trastevere, em Roma.
Mas a obra mais importante da Basílica é, sem dúvida, a série de 28 afrescos atribuídos a um jovem Giotto na parte baixa da nave. Giotto usou a Legenda Maior, a biografia de Francisco para reconstruir os maiores eventos da vida do santo. As pinturas são vívidas, como se Giotto tivesse sido uma testemunha ocular da história. Os afrescos foram executados entre 1296 e 1304. Contudo, a autoria da obra ainda é debatida. Alguns críticos acreditam que a série tenha sido feita por um grupo de artistas inspirados em Giotto

Descida da Cruz, deCimabue

Isaac rejeita Esaú, deGiotto

Morte de São Francisco, por Giotto

Bento XIV, em 25 de Março de 1754, elevou-a à dignidade de Basílica Patriarcal e Capela Papal.ORAÇÃO - Ó Deus, que edificais o vosso templo eterno com pedras vivas e escolhidas, difundi na vossa Igreja o Espírito que lhe destes, para que, pela intercessão do Pai São Francisco, o vosso povo cresça sempre mais, construindo a Jerusalém celeste. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

23 de maio de 2015

23/05 - Bem-aventurado João do Prado


Sacerdote e mártir da Primeira Ordem (1560-1631). Beatificado por Bento XIII no dia 24 de maio de 1728.

Bem-aventurado João do Prado passou à história dos Frades Menores como o restaurador das Missões Franciscanas no Marrocos.


João nasceu em Mogrovejo, Espanha, em 1560, de pais nobres. Ele interrompeu seus estudos na Universidade de Salamanca para vestir o hábito religioso entre os Frades Menores de Rocamador em 16 novembro de 1584 e, no ano seguinte, em 18 de novembro, fez sua profissão.

Pregador fervoroso e um bom teólogo, ele participou das polêmicas sobre a Imaculada Conceição. Desempenhou os ofícios de guardião em vários conventos, mestre dos noviços e duas vezes foi Definidor (conselheiro). Por suas virtudes e dons foi escolhido para governar a Província Franciscana de São Diego, erigida em 1620.
Sob o seu governo tentou a restauração da missão franciscana em Marrocos. De fato, em 1630 foi destinado a Marrakesh, capital de Marrocos, para atender espiritualmente aos escravos cristãos. Obtido o salvo-conduto do sultão e a nomeação de Urbano VIII com poderes do Prefeito Apostólico da missão, com dois outros frades partiu de Cádiz em 27 de novembro de 1630.

Depois de exercer o ministério em Mazagan por três meses, tentou chegar a Marrakesh, mas, em Azamor, foi preso pelas autoridades muçulmanas e levado para Marrakesh no dia 2 de abril de 1631. Apresentado ao novo sultão Mulay, corajosamente confessou a fé cristã.
Foi preso e açoitado várias vezes durante a sua última polêmica religiosa com o Sultão. Foi esfaqueado, ferido por flechas e condenado à fogueira na praça do palácio. Ainda sobre o fogo, quando ousadamente pregava a sua fé, foi apedrejado e veio a falecer no dia 24 de maio de 1631. Ele tinha 71 anos.

A terra de Marrocos, banhada pelo sangue dos franciscanos Protomártires e os mártires de Ceuta, São Daniel e companheiros, recolheu também o sangue deste ilustre confrade, que por longos anos havia exercido o apostolado nas terras da Espanha. Sua gloriosa morte foi acompanhada de muitos milagres e numerosas conversões.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, de Frei Giulliano Ferrini e Frei José Guilhermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola

22 de maio de 2015

Mês de Maria, Mãe do Redentor - Maria de Nazaré, quem é esta mulher?


Por Jesus Espeja

Como cristãos, temos motivos de sobra para celebrar Maria como “rainha e senhora”, mas corremos o risco de esquecer a história daquela mulher simples que viveu num pequeno povoado de uma região periférica no mundo daquele tempo. Maria de Nazaré é alguém de nossa raça. Como os demais seres humanos, nasceu e viveu num contexto histórico, social, econômico, político e cultural.


Como as outras mulheres, sua natureza humana se desgastou; viu-se atingida pelas inclemências dos anos e envelheceu. Não viveu segregada e protegida.
Não é fácil conhecer a história de Maria com objetividade, uma vez que as fontes são os Evangelhos, nos quais os fatos históricos já se apresentam interpretados a partir da fé. Não se deve, porém esquecer essa história que há de ser ponto de partida insubstituível em toda reflexão mariológica.

No Novo Testamento há diversas tradições. Maria é referência indireta nos escritos paulinos. Marcos a apresenta como mulher do povo e participante de sua mentalidade. Os Evangelhos da infância apresentam uma teologia bem elaborada sobre a fisionomia espiritual da Virgem, enquanto o quarto evangelista destaca sua fidelidade e seu significado na comunidade cristã.

De todas essas interpretações podemos concluir:

- Maria foi uma mulher simples do povo e sensível às necessidades dos pobres.
Embora os Evangelhos nada digam sobre os pais de Miryam, nome original de Maria, segundo a tradição eles se chamavam Joaquim e Ana. Vivia em Nazaré, um povoado sem renome e de má fama, na região norte chamada Galiléia. Sua existência deve ter sido como a de qualquer outra jovem daquela cultura: arrumar a casa, ajudar os irmãos menores, e participar nas festas religiosas. Ainda se conserva em Nazaré a “fonte da Virgem”. Ali ela comentaria com as outras mulheres os acontecimentos e rumores de cada dia.

Contam os Evangelhos que Miryam estava prometida para ser esposa de um carpinteiro justo e honrado que se chamava José, e talvez tivesse emigrado da Judéia. Maria e José pertencem ao povo humilde, de modo que quando seus conterrâneos vêem que Jesus fala tão bem, se admiram: “Mas não é este o filho do carpinteiro e de Maria?” (Mc 6,2).

Aquela mulher é sensível às necessidades dos outros. Sabendo que sua parenta Isabel já está no sexto mês de gravidez, desloca-se para lhe dar assistência. Quando participava de uma festa de casamento, percebe que falta vinho, e procura falar com Jesus para resolver o problema, e impedir que os noivos fiquem envergonhados.
- Miryam recebeu de Deus um favor singular na concepção e no nascimento de Jesus. Movida pelo Espírito, entregou-se totalmente ao projeto de salvação, vivendo sua maternidade até as últimas consequências.

Nos primeiros meses de gestação, a criança se configura física e psicologicamente por obra de sua mãe, que não só a alimenta com a própria vida como também a torna centro de seus pensamentos, afetos e cuidados. A mãe amolda misteriosamente a personalidade de seu filho.

A frase do evangelho é bem eloquente: “Maria deu à luz o filho primogênito. Envolveu-o em panos e o deitou numa manjedoura, por não haver lugar na hospedaria” (Lc 2,7).
Nesse gesto está implícito o amor materno e a ternura que viveu aquela jovem mãe ao encontrar-se diante de seu filho. A experiência singular que Maria teve de Deus não diminuiu seu afeto materno; tornou-o mais profundo, delicado e total.
- A Virgem fez sua caminhada na surpresa e na obscuridade da fé.
Os evangelhos da infância sugerem que os inícios não foram fáceis: conflito com José pela gravidez inexplicável, perseguição do rei Herodes, e fuga do país durante a noite, para defender o filho.

Parece que os familiares de Jesus não entenderam sua decisão de abandonar suas seguranças sociais e dedicar-se ao anúncio do Reino, interessando-se pelos marginalizados. Pensavam que ele havia perdido o juízo e queriam traze-lo de volta à casa. Quando viram que ia tendo êxito, lhe diziam que fosse para Jerusalém, a capital da Palestina: “Ninguém faz tais coisas em segredo, se deseja ser conhecido do público” (Jo 7,4).

Os evangelistas querem deixar bem claro que Maria disse “sim” ao projeto de Deus, sendo “a pobre” inteiramente disponível à vontade divina. Isto, porém não impede, até exige, que vivesse sua entrega num processo histórico marcado pela surpresa, o conflito e o sofrimento. Diante de comportamentos estranhos de Jesus, “ficava perplexa”, “vacilava em seu íntimo”. Deve ter sido uma mulher contemplativa da passagem de Deus pela história.

Lc 2,49-50 acusa certo desgosto de Maria quando o menino Jesus permanece no templo de Jerusalém sem avisar a seus pais. Maria, sem dúvida, teve de sofrer uma desorientação quando Jesus deixou sua profissão e sua casa; mas, acima de tudo, como toda boa mãe, teve que defender o filho contra as críticas dos familiares. E o transtorno deve ter sido terrível quando a Mãe veio a saber que haviam prendido seu filho, e o tinham condenado por blasfemo. Conforme a tradição evangélica, Maria permaneceu junto à cruz, junto a Jesus abandonado por todos. A fé verdadeira se prova e amadurece na escuridão.

-A última noticia que temos de Maria, com certa garantia histórica, é o que encontramos em At 1,14: permanecia em oração com a primeira comunidade cristã, suplicando a vinda do Espírito. Nada dizem os escritos apostólicos sobre os últimos dias e a morte da Virgem. Segundo Jo 19,27, o “discípulo amado” acolhe em sua casa a mãe de Jesus. Embora a intenção principal do evangelista seja mais teológica que histórica, talvez tenha vindo daí a tradição popular: Maria ficou com o “discípulo amado” (que se veio identificando com João) em Patmos, e ali terminou seus dias.

22/05 - Bem-aventurado João Forest


Sacerdote e mártir da Primeira Ordem (1471-1538). Leão XIII aprovou seu culto

João Forest nasceu em 1471, provavelmente em Oxford, na Inglaterra. Aos dezessete anos vestiu o hábito dos Frades Menores, em Greenwich. Nove anos mais tarde, ele foi estudar Teologia em Oxford e depois foi ordenado sacerdote e voltou para o convento de origem. Do cardeal Wolsey recebeu o encargo de pregar na igreja de St. Paul, em Londres, e ao mesmo tempo foi escolhido pela rainha Catarina de Aragão, primeiro como capelão, em seguida, como um confessor.

Ele gozava da estima e amizade de Henrique VIII até o divórcio com Catarina.

João Forest, como guardião do convento, disse a seus confrades em um capítulo da fraternidade de 1532 que o rei queria suprimir a Ordem Franciscana na Inglaterra. Do púlpito da igreja de St. Paul pregou vigorosamente contra o divórcio, defendendo a validade do casamento em discussão e se pronunciou contra o capelão Thomas Cromwell e indiretamente contra o rei. A condenação papal de 1534 enfureceu Henrique VIII, que suprimiu os conventos dos franciscanos e ordenou aos frades que se dispersassem por outros conventos. Nesse tempo, Beato João é encontrado na prisão de Newgate, onde fica até 1534.

Em 1538, João estava no convento dos Conventuais, em Smithfield. Naquela espécie de confinamento pôde manter com a rainha Catarina, com a sua dama de companhia Elisabeth Hammon e com o Bem-aventurado Tomás Abeckl uma correspondência que ainda está preservada, pelo menos em parte.

Ele também escreveu um tratado contra Henrique VIII, que usurpou o título de chefe espiritual da nação. Este tratado irritou o rei, que ordenou a sua prisão. Levado a tribunal, foi condenado à fogueira.

A execução ocorreu em Smithfield, em 22 de maio de 1538. No local do suplício, foi convidado a se desculpar com o rei e fazer juramento de fidelidade, mas o mártir resistiu impávido e fez uma belíssima profissão de fé. Ele foi amarrado pelas costas e jogado nas chamas. Morreu rezando e invocando o nome do Senhor. Tinha 67 anos.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, de Frei Giulliano Ferrini e Frei José Guilhermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola

21 de maio de 2015

21/05 - Santo Ivo da Bretanha


Sacerdote da Terceira Ordem (1253-1303). Canonizado por Clemente VI no dia 19 de maio de 1347.

Yves Hélory (Helori ou Heloury) era filho de Helori, lorde de Kermartin e Azo du Kenquis. Nasceu nas proximidades de Treguier, na Baixa Bretanha, conhecida região da França, no dia 17 de outubro de 1253. Era, pois de família da pequena nobreza e recebera apurada educação, humana e cristã.


Sua mãe, dizia-lhe: “Meu filho, procura viver sempre de tal maneira, que venhas a ser um santo”. Após a conclusão dos primeiros estudos em sua terra natal, sob a orientação de um jovem sacerdote, Ivo foi enviado em 1267, a tenra idade de 14 anos, à já prestigiada Universidade de Paris, onde estudou Artes Liberais e Teologia. Dentre os seus mestres estava o Doutor Angélico, o prodigioso Santo Tomás de Aquino. Ivo também presenciou conferências do grande São
Boaventura, dele aprendendo o espírito franciscano.
Posteriormente, o futuro santo foi para Orléans em 1277, onde se especializou em Direito Civil e Direito Canônico. Depois de anos de estudos, durante os quais brilhou entre seus colegas, voltou para Bretanha.

Em 1280, convidado a ser o conselheiro jurídico e juiz eclesiástico, trabalhou primeiramente como juiz episcopal na arquidiocese de Rennes, cidade capital do Ducado da Bretanha, por quatro anos, e depois em Tréguier. Competia-lhe julgar todo tipo de litígios, processos matrimoniais, de contratos e heranças, salvo os processos criminais.
Em 1824, seu Bispo o convenceu de receber a Ordenação Sacerdotal, permitindo-lhe manifestar seus dotes de pregador e de reitor de igreja. Também decidiu fazer-se terceiro franciscano, vestindo o hábito da penitência. Concomitantemente como sacerdote e terceiro franciscano, advogado e juiz (o que era possível naqueles tempos em virtude de não vigorar a atual estrita distinção funcional), Ivo multiplicava suas atividades, semeando sua fama, por toda a Bretanha, com um contingente crescente de pessoas que se socorriam a ele. Até milagres já eram atribuídos a ele em vida.

Em suma, a defesa intransigente dos injustiçados e dos necessitados deu a Ivo o título de “advogado dos pobres”, título esse que continuou merecedor ao se tornar sacerdote, e ao construir um hospital, onde cuidava dos enfermos com suas próprias mãos. Eis outra faceta de Ivo: Frade Franciscano.

Alimentando-se apenas de pão e água, passando a noite em vigília de estudo e oração, não deixava, todavia de percorrer longos caminhos, para encontrar os que dele precisavam. Pregando, orientando, consolando, escutando, reconciliando, decidindo, distribuindo seu dinheiro aos pobres, atendendo os doentes, erigindo uma casa para abrigar os abandonados, levando à sepultura os mortos, Ivo conseguia a admiração, apreço e respeito dos seus contemporâneos.

Ivo de Kemartin morreu de causas naturais na França em 19 de maio de 1303, aos 50 anos de idade. Seu corpo foi sepultado na Catedral de Tréguier, onde é objeto de devoção do fiéis até hoje. É um dos santos mais populares no Norte da França e patrono dos advogados.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, de Frei Giulliano Ferrini e Frei José Guilhermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola

20 de maio de 2015

20/05 - São Bernardino de Sena



Sacerdote da Primeira Ordem (1380-1444). Canonizado por Nicoláu V em 24 de maio de 1450.

Na Itália, Bernardino nasceu na nobre família senense dos Albizzeschi, Albertollo de Albizeschi e Raniera de Avveduti, em 8 de setembro de 1380, na pequena Massa Marítima, em Carrara. Ficou órfão da mãe quando tinha três anos e do pai aos sete, sendo criado na cidade de Sena por duas tias extremamente religiosas, que o levaram a descobrir a devoção a Nossa Senhora e a Jesus Cristo.


Depois de estudar na Universidade de Sena, formando-se aos vinte e dois anos, abandonou a vida mundana e ingressou na Ordem de São Francisco, cujas regras abraçou de forma entusiasmada e fiel. Apoiando o movimento chamado “observância”, que se firmava entre os franciscanos, no rigor da prática da pobreza vivida por são Francisco de Assis, acabou sendo eleito vigário-geral de todos os conventos dos franciscanos da observância.

Aos trinta e cinco anos de idade, começou o apostolado da pregação, exercido até a morte. E foi o mais brilhante de sua época. Viajou por toda a Itália ensinando o Evangelho, com seus discursos sendo taquigrafados por um discípulo com um método inventado por ele. O seu legado nos chegou integralmente e seu estilo rápido, bem acessível, leve e contundente, se manteve atual até os nossos dias. Os temas frequentes sobre a caridade, humildade, concórdia e justiça, traziam palavras duríssimas para os que “renegam a Deus por uma cabeça de alho” e pelas “feras de garras compridas que roem os ossos dos pobres”.

Naquela época, a Europa vivia grandes calamidades, como a peste e as divisões das facções políticas e religiosas, que provocavam morte e destruição. Por onde passava, Bernardino restituía a paz, com sua pregação insuperável, ardente, empolgante, até mesmo usando de recursos dramáticos, como as fogueiras onde queimava livros impróprios, em praça pública. Além disso, como era grande devoto de Jesus, ele trazia as iniciais JHS – Jesus Salvador dos Homens – entalhadas num quadro de madeira, que oferecia para ser beijado pelos fiéis após discursar.

As pregações e penitências constantes, a fraca alimentação e pouco repouso enfraqueciam cada vez mais o seu físico já envelhecido, mas ele nunca parava. Aos 64 anos de idade, Bernardino morreu no convento de Áquila, no dia 20 de maio de 1444. Só assim ele parou de pregar.

Tamanha foi a impressão causada por essa vida fiel a Deus que, apenas seis anos depois, em 1450, foi canonizado. São Bernardino de Sena é o patrono dos publicitários italianos e de todo o mundo. Entre suas obras mais lidas estão “Sermões”, publicada em Latim.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, de Frei Giulliano Ferrini e Frei José Guilhermo Ramirez, OFM, edição Porziuncola