31 de março de 2015

31/03 - Bem-aventurada Isabel Vendramini


Virgem da Terceira Ordem Regular (1790-1860), fundadora do Instituto de Irmãs Isabelas da Terceira Ordem de São Francisco. Beatificada por São João Paulo II no dia 4 de novembro de 1990.


Em Pádua, no território de Veneza, beata Isabel Vendramini, virgem, que dedicou sua vida aos pobres e, após superar muitas adversidades, fundou o Instituto de Irmãs Isabelas da Terceira Ordem de São Francisco (1860).


Etimologicamente: Isabel = Aquela a quem Deus dá saúde, é de origem hebraica. A beata Isabel, fundadora das Religiosas Terciárias Franciscanas Isabelinas de Pádua, família religiosa consagrada a servir aos pobres, centrou sua vida na contemplação de Cristo pobre e crucificado, a que reconhecia e servia depois nos pobres seus irmãos.

Isabel (Elisabetta) Vendramini nasceu em Bassano del Grappa (Itália) em 9 de Abril de 1790. Era de índole dócil e muito caritativa. Nas religiosas agostinhas recebeu a educação própria daquele tempo, com uma intensa vida espiritual. Jovem brilhante, gostava de vestir bem e era centro de interesse. Era amante da solidão e se retirava a miúdo ao campo para orar.

Depois de seis anos de noivado, em vésperas da boda, o Senhor lhe deu a conhecer com claridade sua chamada, e para Isabel constituiu uma verdadeira conversão. No ano 1821 vestiu o hábito de Terciaria Franciscana com o nome de Margarita, em Fassano. Logo foi a Pádua e ali fundou, em 4 de outubro de 1830, uma família religiosa consagrada a Deus na observância da Terceira Ordem Franciscana para servir os pobres. No ano seguinte fizeram a profissão as primeiras religiosas. Se dedicaram à educação da juventude e a atender às senhoras anciãs, sãs e enfermas.

Faleceu em Pádua em 2 de abril de 1860. Foi beatificada por João Paulo II em 4 de novembro de 1990.

30 de março de 2015

30/03 - São Pedro Regalado


Sacerdote da Primeira Ordem (1390-1456). Canonizado por Bento XIV no dia 29 de junho de 1746

Pedro Regalado nasceu em Valladolid em 1390. Aos nove anos seu pai morreu. A mãe o educou piedosamente. Muito jovem ingressou na Ordem dos Frades Menores e logo se distinguiu por sua piedade, mortificação e pobreza, bem como pelo amor de silêncio e solidão. Começava na Espanha a Reforma franciscana buscando o florescimento da primitiva austeridade de vida religiosa.


Pedro, ao estudar a Regra franciscana, convenceu-se de que a vida real dos frades não correspondiam às suas exigências. Enquanto na Itália São Bernardino de Sena promoveu reformas, na Espanha Pedro Villacreces fazia o mesmo no eremitério de Aguilera. Em 1405 ele se uniu a Pedro Regalado, um colaborador eficaz. Em 1415 rezou a sua primeira Missa. Em Abrojo fundou uma nova ermida, onde Pedro Regalado era mestre superior dos noviços. Os dois eremitérios de Abrojo e de Aguilera logo adquiriram grande fama pelo zelo de seus fundadores e pelos estatutos contendo prescrições extremamente severas. Isso só fez aumentar as vocações na Espanha, florescendo a vida franciscana e de santidade.

Padroeiro dos toureiros

São Francisco de Assis foi o padroeiro dos lobos e São Pedro Regalado o padroeiro dos toureiros. Dele se conta que indo um dia por um caminho, encontrou um enorme e bravo touro que havia escapado ferido de uma corrida em Valladolid, atacando e ferindo viajantes e todos aqueles que por ali passavam e se punham à sua frente, fazendo jus à sua herança natural.


Passava por ali São Pedro Regalado com um discípulo quando o touro bravo os atacou, correndo e investindo na sua direção, refugiando-se o seu acompanhante por de trás dele com enorme e natural receio. São Pedro, olhando e implorando ao céu, mostrou-lhe o seu bastão e disse-lhe: ”pare touro”.

O touro bravo e ferido, deteve-se e São Pedro acariciou-o e curou as suas feridas, depois benzeu-o e mandou de volta para o campo. São Pedro Regalado foi a partir deste episódio considerado o “padroeiro dos toureiros”.

São Pedro morreu em 1456 no convento de “La Aguilera“ em Aranda del Duero.
Foi canonizado em 1746 pelo Papa Bento XIV e é desde então “ patrono “ de Valladolid e todas as suas dioceses

29 de março de 2015

29/03 - Bem-aventurado Luís de Casoria


Sacerdote da Primeira Ordem (1814-1885).
Fundador das Filhas de Santa Isabel. Beatificado por São João Paulo II em 18 de abril de 1993. (Sua festa é no dia 30 de março).


Luís nasceu em 11 de março de 1814 em Casoria (Nápoles), filho de Vicente e Palmentieri Candida Zegna, uma família muito humilde. Logo cedo se interresou pela vida religiosa e, em 1832, foi recebido na Ordem dos Frades Menores. Enviado como noviço a Lauro, perto de Nola, permaneceu ali até sua ordenação. Em 1841 foi pedido a ele o ensino da Filosofia, matemática, física e química. Enquanto orava na igreja de San José dei Ruffi em Nápoles, ele desmaiou, caindo no chão inconsciente. Posteriormente, dedicou-se às mais variadas obras sociais e caritativas. Instituiu uma enfermaria e uma farmácia para os franciscanos pacientes. Ele se dedicou à divulgação da Ordem Terceira em Campania e dizia: “A Ordem Terceira sem uma obra de caridade, não me agrada nem a desejo.”


Em 1854, o genovês padre Juan Bautista Olivieri o inspirou com o trabalho destinado a resgatar e formar cristãmente as crianças negras africanas, vendidas como escravas. A esta obra dedicou Luis com entusiasmo apaixonado e começou a acolher em 8 de novembro de 1854 no convento que morava, na chamada Escudillo de Palma, os dois primeiros negros encomendados pelo P. Olivieri, que os educou em casa, obtendo resultados animadores. Esta primeira experiência levou Luis a promover o envio de missionários para a África, porque “a África deve converter a África.” Em agosto de 1856 em La Palma, Luis conheceu nove crianças negras, dos quais cinco foram batizadas pelo cardeal de Nápoles. Em 09 de abril de 1857, ele embarcou para o Cairo, visitou os lugares santos e voltou para Alexandria com 12 outras crianças negras. Esta pequena família de futuros missionários cresceu tanto que em 1858 já eram 38 e em 1859 eram 45 e, em seguida, chegou a 64.

Igual projeto realizou Luís para as meninas negras. Com a ajuda de Anna Maria Santíssima Lapini, fundadora da Irmãs Stigmatinas, fundou uma escola para negras em Florença e outro em Capodimonte, em Nápoles. Em 1864, em Nápoles, fundou uma academia de religião e ciência, que ganhou o apoio de escritores ilustres. Ele fundou também o jornal “La Caritá”. Estes esforços generosos atraiu a admiração de muitos, inclusive anticlericais e foi condecorado com a Cruz da Ordem do Santos Maurício e Lázaro.

Também promoveu numerosas obras de caridade para órfãos, surdos, deficientes e doentes em geral. Fundou vários institutos que se baseavam principalmente em duas congregações fundadas por ele: os terceiros franciscanos regulares, chamados Frati Bigi da caridade homens, e a Congregação da Irmãs Bigie ou Elisabetinas para as mulheres. Para a
 residência de seus missionários obteve da Congregação de Propaganda e Fé a estação africana de Scellal, onde esteve pessoalmente e tomou posse em 12 de novembro de 1875.
Encomendeu aos seus Frati Bigi a obra de educar os jovens negros. Ele então se dedicou com maior intensidade à vida espiritual de oração e íntima união com Deus que sempre conseguiu conciliar com o seu apostolado de caridade maravilhoso. Cansado e triste com algumas dificuldades em seu trabalho evangélico, a morte o surpreendeu aos 71 anos, na manhã de 30 de março de 1885. Seu corpo repousa no hospício de Posillipo.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

28 de março de 2015

28/03 - Bem-aventurada Joana Maria de Maillé


Relutante em casar aos 16 anos, viúva com um pouco mais de 30, expulsa de casa pelos parentes do marido, nos restantes 50 anos de sua vida foi obrigada a viver sem abrigo. Tantos percalços estão concentrados na vida da Beata Joana Maria de Maillé que nasceu rica e mimada no Castelo de La Roche, perto de Saint-Quentin, Touraine, em 14 de abril de 1331. Seus pais eram o Barão de Maillé Hardoin e Joana, filha dos Duques de Montbazon.

Sua família se destacava pela devoção. Ela cresceu sob a orientação espiritual de um franciscano, mostrando uma particular devoção a Maria. Dedicava-se a orações prolongadas e fez precocemente o voto de virgindade. Aos onze anos, no dia de Natal, pela primeira vez teve um êxtase: Maria Santíssima lhe apareceu segurando em seus braços o Menino Jesus. Uma doença que quase a levou à morte serviu para desprendê-la mais e mais da terra e torná-la mais próxima de Deus.

Na idade de dezesseis anos, aparece no cenário de sua vida um parente da mãe que se tornou seu tutor, o que sugere que os pais morreram prematuramente. O tutor combina, de acordo com o costume da época, o casamento de Joana com o Barão Roberto II de Sillé, um bom jovem, não muito mais velho do que ela, seu companheiro de brincadeiras na infância. E isto apesar de estar ciente da inclinação de Joana para a vida religiosa e de seu voto de castidade. Portanto, é um casamento contra a vontade da jovem.

Providencialmente, o tutor morreu repentinamente na manhã do dia do casamento, e a impressão no noivo foi tão grande, que propôs a Joana viverem em perfeita continência, isto é, como irmão e irmã. Seu consentimento é imediato, já que estava preparada para isto pelo seu voto de virgindade.

Apesar das premissas, o casamento funcionou e bem: como base da união eles colocaram o Evangelho, e viveram-no plenamente, resultando em muitas boas obras, como: adotar algumas crianças abandonadas, alimentar e cuidar dos pobres, ajudar os empestados… Na verdade, tinham muito que fazer. Nunca se viu tanto movimento no castelo desde que se espalhou a notícia de o casal ser extremamente caridoso.

E pensar que não faltavam problemas para eles, como quando Roberto teve que ir para a guerra (estamos na época da Guerra dos Cem Anos), foi ferido e preso pelos britânicos. Para libertá-lo Joana pagou um resgate elevado, o que afetou fortemente o patrimônio do casal. No entanto, eles não perderam a fé, e uma vez instalados, marido e mulher, lado a lado, primeiro tratam dos contagiados pela peste negra, depois, dos leprosos.
Roberto morreu em 1362 e Joana, viúva aos 30 anos, vê toda a família de seu marido se voltar contra ela. A principal acusação: ter esbanjado a fortuna da família. Assim, ela foi expulsa do Castelo de Silly e ficou sem casa, sem um tostão, forçada a viver da caridade. Mas, mesmo na rua, os parentes ricos continuavam a persegui-la: enviavam seus serviçais para lançar-lhe insultos quando ela passava, porque não queriam rebaixar-se para fazê-lo pessoalmente.

Ela renunciou a todos os seus bens e foi morar em um casebre construído junto ao convento dos Frades Menores Franciscanos de Tours, onde levava uma vida de penitência, contemplação e pobreza contínua, a mendigar o pão. Ela gozava de várias aparições da Virgem Maria, de São Francisco e de Santo Ivo, o qual recomendou que ela ingressasse na Ordem Terceira de São Francisco.

Joana sofria e, com um amor sem limites, não tinha um mínimo de ressentimento. E para sabermos onde ela encontrava tal força e tanta bondade, olhemos para suas longas horas de oração, sua grande penitência, seus sacrifícios. Escolheu para vestir uma túnica grosseira e rude, muito semelhante à roupa de seus amados franciscanos, de cuja intensa espiritualidade vive.

Continuou a fazer caridade com os doentes e os prisioneiros condenados à morte, se não mais com dinheiro, com a sua presença e seus humildes serviços, consolando-os quando não podia fazer nada melhor, e intercedendo por sua libertação quando atingiu popularidade e pode usá-la em proveito do próximo.
Devido a sua reputação como uma mulher de Deus ter se espalhado pela França, muitos a procuravam pedindo conselhos, e entre aqueles que bateram à sua porta havia também alguns daqueles que a tinham insultado antigamente e que ela recebe com amor e paciência.

O rei de França, Carlos VI, que estava em Tours, foi visitar a penitente famosa que lhe pediu para libertar alguns prisioneiros e dar a outros a ajuda de um capelão.
Em 1395, Joana mudou-se para Paris onde se encontrou outra vez com o rei da França, Carlos VI e sua esposa, Isabel da Baviera. Ela aproveitou a oportunidade para criticar o luxo da corte e a vida licenciosa dos cortesãos. Em Paris, ela visitou a Saint-Chapelle para venerar as relíquias da Paixão de Cristo.

Apesar da frágil saúde e das dificuldades de sua vida penitente, Joana atingiu a idade de 82 anos e morreu em 28 de março de 1414 cercada de uma sólida reputação de santidade e foi sepultado na igreja franciscana. Infelizmente o seu túmulo foi profanado pelos calvinistas nas guerras de religião.

Sua fama de santidade era tão difundida, que os fiéis a veneravam espontaneamente. Como resultado, em apenas 12 meses foi instaurado o processo diocesano informativo para sua canonização. Mas, mesmo após a morte Joana tem que esperar: sua beatificação só ocorreu muito mais tarde, em 1871, pelo Papa Pio IX.

Aparição de Santo Ivo a Beata Joana Maria de Maillé

A Beata relatou uma visão de Santo Ivo em uma época difícil de sua vida. A jovem baronesa tinha ficado viúva e fora expulsa do seu castelo pelos parentes, que alegavam que ela tinha encorajado a excessiva caridade de seu esposo, em detrimento do novo herdeiro. Após ser maltratada, inclusive pelo serviçal a quem tinha dado refúgio, ela retornou a sua família em Tours.

A aparição é contada por dois historiadores da Ordem Terceira. Santo Ivo “aconselhou-a a deixar o mundo e a tomar o hábito que ele estava usando”. Outro biógrafo diz: “Se vós deixardes o mundo, gozareis, mesmo aqui na Terra, as alegrias do Paraíso”.
Os mesmos autores especulam se Joana não hesitou diante da perspectiva de renunciar a tudo. “Pobre pequena baronesa! Ela ficou amedrontada diante da prometida liberdade da pobreza e acreditou que poderia desfrutar da paz no último refúgio, seu lar. Mas a vontade de Deus era outra”.

Joana deve mesmo ter hesitado, pois somente depois de uma visão de Nossa Senhora, que repetiu o mesmo conselho, é que ela tomou o hábito da Ordem Terceira de São Francisco.

Fonte: Cecily Hallack e Peter F. Anson, em “Estes fizeram a paz: Estudos dos Santos e Beatos da Ordem Terceira de São Francisco”, cap. VI, p. 152-3

27 de março de 2015

27/03 - Santo Alberto Chmielowski


Religioso da Terceira Ordem Regular (1843-1916). Fundador dos Servos e Servas dos Pobres de São Francisco. Canonizado por João Paulo II no dia 12 de novembro de 1989.

Nasceu a 20 de Agosto de 1845, como primogênito de Alberto Chmielowki e de Josefa Borzylawska. Foi batizado a 26 desse mês, com o nome de Adão Hilário Bernardo. A família era abastada, detentora de enormes propriedades.

Aos sete anos, perdeu o pai. A mãe mudou-se para Varsóvia, onde Adão prosseguiu os estudos, primeiro na escola de cadetes, depois no instituto de agronomia, para melhor se dedicar à sua lavoura.

Por volta dos 18 anos, participou na insurreição contra o domínio do Czar. Foi ferido, na batalha de Melchow e levado prisioneiro. No cárcere, foi-lhe amputada uma das pernas, operação que agüentou com heróica valentia. Após um ano, conseguiu fugir. Matriculou-se em Paris, numa academia de pintura. Foi para a Bélgica e, posteriormente, para Mônaco, regressando depois a Varsóvia, onde formou-se em pintura e arquitetura. As suas telas tornaram-no muito popular e conhecido. Entretanto, começou a preocupar-se e a afligir-se com os necessitados e pobres.

Em 1880, entrou para a Companhia de Jesus cujo noviciado abandonou, atormentado por escrúpulos e acometido por uma séria enfermidade. Refeito da doença, hospedou-se em Cracóvia, fazendo-se pobre com os pobres, à semelhança de Cristo, que de tudo Se despojou em favor dos outros. Ia distribuindo os haveres, ganhos com os trabalhos de pintor notável, entre os mais necessitados, que reunia nos albergues públicos, onde também ele dormia.

Tornou-se franciscano da Ordem Terceira. Portando o hábito de burel, prosseguiu na sua caridade para com os indigentes. Como não se sentisse capaz de sozinho socorrer tantos pobres, com a aprovação do bispo de Cracóvia, reuniu alguns companheiros e lançou os fundamentos de uma nova congregação, os Servos dos Pobres, mudando o seu nome para Alberto, ao fazer os seus votos de pobreza, castidade e obediência. Não escreveu nenhuma Regra, mas o seu exemplo e proceder foram incentivo e modelo inédito de viver à maneira de Cristo.

Construiu oficinas várias, para os necessitados poderem ganhar alguma coisa e reconstituírem a vida. Jamais aceitou bens imóveis ou auxílios econômicos estáveis. Vivendo em casas do Estado ou da Diocese, limitava-se a receber o que lhe iam dando, dia a dia. Nos albergues acolhia todos os infelizes, sem querer saber suas origens, raça, etnia ou religião.

A 15 de Janeiro de 1891, ao reparar nas necessidades de tantas mulheres, com a cooperação de Ana Francisca Lubanska e Maria Cunegundes Silokowka, seduzidas pelo seu exemplo, fundou um ramo feminino da sua associação, para que alimentassem as famintas e as acolhessem em abrigos decentes, sobretudo nos casos de epidemias.
Com palavras de ânimo e conselhos apropriados, com pregações sobre os desajustamentos sociais, ressaltando a obrigação de todos, sobretudo os mais favorecidos em riquezas, de ajudarem os ignorantes e miseráveis, Santo Alberto não só formava os seus seguidores como suscitava nos ricos um desprendimento que os impulsionasse a uma generosa caridade.

Em 25 de Dezembro de 1916, já com várias comunidades ao serviço dos pobres e com mais de uma centena de discípulos, entregou a sua alma a Deus.

26 de março de 2015

26/03 - Ven. João Batista de Borgonha


Sacerdote da Primeira Ordem (1700-1726). Em processo de beatificação.


Nascido em Borgonha, França, viveu em Roma e morreu em Nápoles. Parece ter voado sobre a terra respirando o ar do céu. Ele viveu em silêncio numa serena fortaleza, sacrificando-se para o Senhor em uma doença longa e contínua. Com a sua morte começou uma chuva de graças e favores. Era chamado de anjo pela pureza, mártir pelos sofrimentos, serafim do amor a Deus e ao próximo.


Nascido 30 de julho de 1700, em Nozerly, muito pequeno perdeu seu pai e mãe. Ele recebeu sua primeira comunhão e confirmação na igreja franciscana do lugar. Aos 12 anos, pr interesse em seu irmão mais velho, camareiro de Clemente XI, foi para Roma e frequentou o Roman College dos Jesuítas. Seu diretor espiritual o definiu como “um anjo em tudo semelhante a São Luís Gonzaga”. Fascinado com o retiro de São Boaventura no Palatino, São Pio X definiu como “viveiro de santos e de sábios”, apesar da oposição de seus familiares, ingressou na comunidade, embora soubesse dos rigores do convento.

Fez o noviciado no santuário de Santa Maria delle Grazie, em Ponticelli Sabino (Rieti), imitando os santos que viveram lá: San Carlos de Sezze, São Leonardo de Porto Maurício, o Beato Boaventura de Barcelona, ​​e assim por diante. Com uma queda fatal enquanto regava o jardim, ele começou o seu calvário doloroso. Ele estudou filosofia no Retiro em San Cosimato Vicovaro (Roma), a teologia no Palatino de Roma, sempre com a saúde debilitada.

Feliz por juntar-se às dores da Paixão de Jesus, alegremente enfrentou um sofrimento indescritível, repetindo muitas vezes: “O Senhor me faz sofrer, porque me quer!”. “Desde a cruz para o céu há um só passo!”.

 Admirando a sua resignação, seus superiores queriam que ele se ordenasse padre. No Ano Santo de 1725, em São João de Latrão, o Papa Clemente XIII o ordenou presbítero. Ao impor as mãos sobre a sua cabeça, edificado pelo seu rosto angelical, exclamou: “Meu filho, em breve se tornarás santo!”. Para curar uma doença misteriosa que o incomodava, foi enviado por um tempo para os conventos de Lazio: Montorio Romano, Fara Sabina, Vallecorsa e finalmente a Nápoles na enfermaria interprovincial de Santa Cruz. Apesar dos muitos cuidados dos confrades e de médicos ilustres, após 10 meses morreu santamente no dia 22 de Março de 1726, com a idade de 26 anos. Hoje ainda é um modelo para os jovens e os órfãos, um exemplo para o doente, uma pérola sacerdotal. Sua glorificação é solicitada pela França, Alemanha e a Ordem dos Frades Menores.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

25 de março de 2015

25/03 - O que é ser santo?

Neste dia, não há uma biografia no Santoral Franciscano. Oferecemos, então, uma reflexão do Papa Emérito Bento  XVI sobre “O que é ser santo?”

O que significa dizer ser santos? Quem é chamado a ser santo? Muitas vezes, somos levados ainda a pensar que a santidade seja uma meta reservada a poucos eleitos. [...] A santidade, a plenitude da vida cristã, não consiste em cumprir ações extraordinárias, mas em unir-se a Cristo, em viver os seus mistérios, em fazer nossas as suas atitudes, seus pensamentos, seus comportamentos. A medida da santidade é dada pela estatura que Cristo alcança em nós, através da qual, com a força do Espírito Santo, modelamos toda a nossa vida sobre a sua. É o ser conforme a Jesus. Todos somos chamados à santidade: é a medida mesma da vida cristã”, ressaltou.

O Sucessor de Pedro propôs dois questionamentos fundamentais: Como podemos percorrer a estrada da santidade, responder a esse chamado? É possível apenas com nossas próprias forças? “A respota é clara: uma vida santa não é fruto principalmente do nosso esforço, das nossas ações, porque é Deus que nos torna santos, é a ação do Espírito Santo que nos anima a partir de dentro, é a vida mesma de Cristo Ressuscitado que nos é comunicada e que nos transforma”.
A santidade tem sua raiz última na graça batismal, pois é devido a ela que nosso destino é ligado indissoluvelmente ao seu. “Mas Deus respeita sempre a nossa liberdade e pede que aceitemos esse dom e vivamos as exigências que ele comporta, pede que nos deixemos transformar pela ação do Espírito Santo, conformando a nossa vontade à vontade de Deus”, explicou.
Como viver? O que é essencial? É possível?
Aqui surgem duas outras indagações importantes: Como pode acontecer que o nosso modo de pensar e as nossas ações tornem-se o pensar e o agir com Cristo e de Cristo? Qual é a alma da santidade? “De novo o Concílio Vaticano II precisa; diz-nos que a santidade cristã não é nada mais que a caridade plenamente vivida, o dom primeiro e mais necessário. Mas, para que a caridade cresça na alma e ali frutifique, cada fiel deve escutar voluntariamente a Palavra de Deus e, com o auxílio da sua graça, realizar as obras de sua vontade, participar frequentemente dos sacramentos, sobretudo da Eucaristia e da santa liturgia; aplicar-se constantemente à oração, à abnegação de si mesmo, ao serviço ativo dos irmãos e ao exercício de toda a virtude. A caridade dirige todos os meios de santificação, lhes dá forma e condu-los ao seu objetivo”, definiu Bento XVI.
Frente à possível dificuldade de compreensão dos marcos pastorais do Concílio, o Papa diz que talvez seja preciso dizer as coisas de modo mais simples. “O que é essencial?”, pergunta, e indica não deixar nunca de participar do encontro com Cristo Ressuscitado na Eucaristia aos domingos, não começar e não terminar o dia sem ao menos um breve contato com Deus e seguir os indicadores que ele coloca à beira do caminho de nosso vida. “Essa é a verdadeira simplicidade, grandeza e profundidade da vida cristã, do ser santos”, frisou.
O Papa lança ainda outro questionamento: Podemos nós, com os nossos limites, buscar a uma meta tão alta? Bento XVI explica que a Igreja convida, durante todo o Ano Litúrgico, a fazer memória de uma legião de Santos que viveram plenamente a santidade na sua vida cotidiana, os quais dizem-nos que é possível percorrer essa estrada.
“Na realidade, devo dizer que também para a minha fé pessoal muitos santos, não todos, são verdadeiras estrelas no firmamento da história. E gostaria de complementar que, para mim, não somente alguns grandes santos que amo e que conheço bem são ‘indicadores do caminho’, mas propriamente também os santos simples, isto é, as pessoas boas que vejo na minha vida, que não serão nunca canonizadas. São pessoas normais, por assim dizer, sem heroísmo visível, mas na sua bondade de todo dia vejo a verdade da fé. Essa bondade, que amadureceram na fé da Igreja, é para mim a mais segura apologia do cristianismo e o sinal de onde esteja a verdade”, ressaltou.

24 de março de 2015

24/03 - Bem-aventurado Diego José de Cádiz


Sacerdote da Primeira Ordem (1743-1801) foi beatificado por Leão XIII em 23 de abril de 1894.


O Beato Diogo José de Cádiz nasceu em Cádiz, Espanha, a 30 de março de 1743. Filho de família nobre e ilustre ficou órfão de mãe aos nove anos. Pediu e foi admitido no noviciado dos Capuchinhos em Sevilha, a 30 de março de 1758. Ali fez sua profissão em 31 de março de 1759. Depois de sete anos, durante os quais fez seus estudos de Filosofia e Teologia, recebeu a ordenação sacerdotal em Carmona. Atraído, por temperamento e vocação, para o apostolado ativo, trabalhou intensamente, com a palavra e com a escrita difusão da fé, em promover o entusiasmo religioso no meio do povo espanhol, lançando uma cruzada contra os revolucionários franceses de 1793 a 1795.


Desta sua luta, deixou como testemunho, o livro “El soldado católico en guerra de religión”, redigido em forma de carta ao sobrinho Antônio inscrito voluntariamente no exército. Difundiu eficazmente a devoção à Santíssima Trindade e a Nossa Senhora sob a invocação de Mãe do Divino Pastor. Foi escolhido para consultor e teólogo em várias dioceses e constituíram- no cônego honorário em muitos cabidos de catedrais.
Foi sócio de várias Universidades e Institutos de cultura. Mostrou-se modelo de capelão militar. Sua apurada educação clássica, seu bom senso intuitivo e a tradição franciscana salvaram-no do intelectualismo que predominava no seu tempo, mantendo-o na linha da pregação evangélica recomendada por São Francisco que, pelo fato de ser a mais simples, é também a mais sóbria e a mais eficaz.

Dotado por Deus de inteligência fora de série, converteu-se no grande apóstolo da Espanha que ele percorreu a pé, coberto com seu hábito e agarrado ao seu crucifixo. Dotado de amor ardente à Igreja, entregava-se longamente ao estudo da Sagrada Escritura para depois poder comba ter os erros do seu tempo em pregações ao povo e também à gente da cultura e das letras.

A oração, a penitência, a austeridade tornaram fecunda sua admirável vida tão ativa e enriquecida também com milagres. O Senhor chamou-o, em Ronda, junto a Málaga, a 24 de março de 1801, com 58 anos de idade, depois de 32 anos de intense atividade missionária. Deixou-nos, além de três mil sermões já mencionados, numerosos escritos, entre os quais, preciosas cartas espirituais. Foi sepultado no santuário de Nossa Senhora da Paz, em Ronda, onde faleceu. O Papa Leão XIII, a 1º de abril de 1894, beatificou-o na Basílica de São Pedro, em Roma.

ORAÇÃO:
Senhor, que concedestes ao Beato Diogo José de Cádiz a sabedoria dos santos, e fizestes dele guia e modelo para o seu povo, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de sabermos discernir o que é bom e justo, a fim de anunciarmos a todos os homens a riqueza insondável da verdade que é Cristo. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

23 de março de 2015

23/03 - Bem-aventurado Marcos de Montegallo


Sacerdote da Primeira Ordem (1425-1496). Gregório XVI aprovou seu culto em 20 de setembro de 1839.


Marcos nasceu em 1425 em Fonditore, povoado de Montegallo, onde seu pai Claro de Marchio, havia se retirado há alguns anos para fugir das facções violentas que assolaram o Ascoli Piceno. Ele retornou a esta cidade para facilitar os estudos de Marcos, que logo ingressou na Universidade de Perugia, e daí para Bolonha, onde obteve o doutorado em Direito e Medicina. Em Ascoli exerceu durante um tempo a profissão médica. Para atender aos desejos de seu pai em 1451 ele se casou com Clara Tibaldeschi, mulher nobre, com quem viveu em continência. 


Com a morte de seu pai no ano seguinte, por acordo comum, o casal abraçou a vida religiosa. Ela foi recebida pelas Irmãs Clarissas do Mosteiro de Santa Clara das Damas Pobres em Ascoli e ele ingressou no Convento dos Frades Menores da Fabriano.

Fez o noviciado em Fabriano, foi superior em San Severino, logo começou a missão de pregador, sob a orientação do grande confrade e companheiro São João de Marcas. As feridas principais de seu século foram a guerra civil e da usura (agiotagem), praticada principalmente por judeus. Marcos, com fervorosa pregação, trouxe a paz e harmonia e acalmou as facções em Ascoli, Camerino, Fabriano e outras cidades. Contra o abuso dos agiotas estabeleceu-se casa de penhores em Ascoli (1458), Fabriano (1470), Fano (1471), em Acervia (1483), em Vicenza (1486), em Ancona, Camerino, Fermo e Ripatransone (1478).

Em 1480, juntamente com outros confrades, foi nomeado pelo Papa Sisto IV pregador e coletor para a cruzada. Ele também foi diretor espiritual da recém-canonizada Camilla Batista Varano. Também encontrou tempo para escrever vários livros, incluindo “La Tavola della Salvezza”, que publicou em Florença, em 1494.

Em 19 de março de 1496, em Vicenza, onde ele estava pregando, foi surpreendido pela morte e foi sepultado na igreja franciscana de San Biagio Vecchio, que era objeto de culto público. Em Ascoli Piceno, na igreja franciscana, há uma pintura do bem-aventurado, datada de 1506. Em Montegallo foram erguidos altares em sua honra. Não muito tempo depois de sua morte foi feito a um rito latino que exalta louvores sua vida santa.

Marcos de Montegallo pertence ao grande grupo de pregadores do Evangelho e da penitência, inatingível para o seu equilíbrio sobrenatural, como São Bernardino de Siena. Eles produziram uma primavera de vida cristã, um extraordinário florescimento de santidade.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

22 de março de 2015

22/03 - São Benvindo


Bispo de Osimo, Primeira Ordem (1188-1282). Martin IV aprovou seu culto como um santo em 1284.


Benvindo Scotívoli, nascido em Ancona, em 1188, estudou direito em Bolonha, sob a orientação de São Silvestre Guzzolini, cânone de Osimo, mais tarde fundador dos monges Silvestrinos. Foi nomeado capelão papal em Ancona. Em 1º de agosto de 1263, foi nomeado administrador da diocese de Osimo, que havia sido anexada a Numana por Gregório IX em punição devido à sua adesão ao partido de Frederico II. Reestabelecida a sua sede no dia 13 março de 1264, Urbano IV confiou seu governo para Benvindo, que em 1267 também foi encarregado por Clemente IV para o governo de Ancona. Durante este período, foi ordenado sacerdote em São Nicolau de Tolentino. Ele era muito devoto de São Francisco de Assis, por isso acolheu em sua diocese os Frades Menores e pediu para ingressar na Primeira Ordem. Vestiu com o fervor o hábito e insistiu em viver o espírito seráfico.


Benvindo foi um grande reformador. Por uma disposição de 15 de janeiro de 1270 proibiu o mosteiro de San Florencio Pescivalle, do qual era administrador, de vender os bens. Em um sínodo no dia 07 fevereiro de 1273 proibiu a venda das propriedades da igreja e em 1274 colocou em ação as reformas do capítulo da catedral e defendeu os direitos da Diocese sobre a cidade de Cingoli.

Em seu ministério episcopal sempre teve como único objetivo promover a glória de Deus, desprezar as riquezas e as coisas mundanas, trabalhar duro para o bem da sua alma e as almas confiadas aos seus cuidados. Ele combinou sua performance em força e suavidade de costumes, para o triunfo da justiça e da paz no vínculo do amor. Foi um verdadeiro e bom pastor do seu rebanho e guardião vigilante das leis de Deus e da Igreja. Zeloso na pregação evangélica e instrução catequética, muitas vezes visitou a diocese, realizou um Sínodo diocesano em que ditou sábias regras para promover a disciplina eclesiástica. Promoveu a cultura e a formação dos novos diáconos, que estavam se preparando para o sacerdócio, com a palavra inspirada e com o bom exemplo, e com sua vida santa.

Benvindo morreu em 02 de março de 1282, aos 94 anos de idade. Ele foi enterrado na catedral de Osimo em um mausoléu nobre, por ordem do clero e do povo. Sobre seu túmulo tiveram milagres e graças.

21 de março de 2015

21/03 - Bem-aventurado João de Parma



João nasceu em Parma, na Itália, em torno de 1208 de Alberto Buralli e Antonia Bertani. Tendo se tornado órfão de pai e de mãe ainda muito pequeno foi confiado a um tio padre diretor de uma hospedaria em São Lázaro, nos arredores da cidade de Parma, casa esta que acolhia peregrinos em trânsito, mendigos sem casa, leprosos afastados do convívio social, e pessoas pobres necessitadas de cuidados de saúde e abrigo. O tio cuidou muito de sua educação e o sobrinho freqüentou escolas que tinham eminentes professores, entre outros Sinibaldo Fieschi, futuro Inocêncio IV. Depois de terminar os anos de estudo João obteve o título de Mestre e foi encarregado do ensino da Lógica tornando-se conhecido pela cultura e espírito religioso.

Tendo ingressado na Ordem dos Frades Menores em 1223, devido a seus talentos e maturidade espiritual, foi logo encarregado pelo Ministro Geral, Frei Elias, pelo setor dos estudos e do ensino. Em pouco tempo tornou-se muito conhecido na Ordem e na Igreja como douto em letras, teologia e música. Ensinou em Bolonha, Nápoles e Paris e em 1245 participou como teólogo perito no I Concílio de Lião.

No Capítulo Geral de 1247 foi eleito Ministro Geral como sucessor de Frei Haymon de Farversham e Crescêncio de Iesi que dirigiram a Ordem depois de Frei Elias. A corrente dos ditos “espirituais” era favorável à sua ascensão ao governo da Ordem porque ele defendia a rígida observância da Regra. Estes, pois, acolheram com alegria sua eleição. Sendo uma pessoa reta e desejando o bem de toda a Ordem, seu governo foi marcado por programas muito claros: anulou as punições e limites impostos aos frades condenados por seu zelo julgado exagerado na fiel observância da Regra, resolveu fazer visitas pessoais a todas as Províncias da Ordem sem servir-se dos visitadores delegados, determinou que os Capítulos Gerais fossem convocados alternadamente aquém e além dos Alpes, colocou em destaque o carisma franciscano da simplicidade das origens revalorizando os serviços fraternos e o trabalho manual. Um tal zelo foi reconhecido por todos tanto na Ordem quanto na Igreja.

Teve ocasião de encontrar-se com Luís IX, rei de França, ao qual se ligou por fraterna amizade. Foi encarregado de missões diplomáticas da Santa Sé na Grecia e em Constantinopla junto ao Imperador do Oriente e os patriarcas com o intuito de pôr fim ao cisma e fazer a unidade de Roma com Constantinopla. Esta missão durou um ano, mas sem êxito. Inocêncio IV apreciou muito a obra de João que ele qualificou de “anjo da paz”. Os próprios ortodoxos o definiram como “homem de Deus, mensageiro do Senhor, sagaz diplomata, mas probo e sensível. O imperador Vatatze o cobriu de presentes e lhe reservou um tratamento digno de personagens dos mais destacados.
Tendo voltado ao pleno serviço da Ordem Franciscana, João se ocupou dos problemas decorrentes de sua rápida expansão e das dificuldades internas entre os espirituais e os laxistas.

Em 1254, em Paris, desencadeou-se a batalha entre mestres leigos da universidade contra as Ordens Dominicana e Franciscana: o corpo acadêmico do antigo e célebre Studio se insurgiu contra os professores dos mendicantes que, com suas aulas, atraíam muitos estudantes. O embate teve ásperos contornos até o ponto de tornar-se da parte da Universidade contestação tanto dos franciscanos como dominicanos. Estes fizeram frente comum:o Buralli e Frei Umberto de Romans, Mestre Geral dos Frades Pregadores enviaram às suas respectivas Ordens uma carta comum na qual, chamando atenção para os relacionamentos fraternos entre os dois santos fundadores, convidavam Dominicanos e Franciscanos à concórdia e à coesão.

Frei João ficou encarregado de representar as duas ordens diante da assembléia geral dos docentes e dos estudantes da universidade onde a habilidade dialética da defesa do Buralli e sua peroração final, apaixonada e persuasiva deram legitimidade das duas ordens e o reconhecimento que não seria mais discutido.
A obra de Frei João é testemunhado por numerosos documentos da Ordem e da Igreja. A pessoa, o caráter, o temperamento por meio de numerosas páginas escritas com vivacidade por seu contemporâneo e conterrâneo Frei Salimbene de Parma.

De João ficaram os traços no seguinte escrito de Salimbene: “Tinha estatura média que mais tendia para pequeno que para grande porte. Era formoso em todos os seus membros. De boa compleição e de boa saúde, e bem forte para suportar fadigas, tanto para andar quanto para estudar. Tinha rosto angelical, gracioso e alegre. Era generoso, liberal, cortês, caridoso, humilde, manso, benigno e paciente. Homem devoto a Deus e de grande oração, piedoso, clemente e compassivo. Cada dia, ele celebrava com tanta devoção, que os que assistiam sentiam alguma graça. Pregava tão fervorosamente e tão bem ao clero e aos irmãos que levava muitos ouvintes às lágrimas, como muitas vezes eu vi. Tinha uma língua muito eloqüente e nunca complicada.

Tinha ótima ciência porque era bom gramático e foi mestre de lógica (…). Lecionou as Sentenças em Paris. No convento de Bolonha e naquele de Nápoles foi professor por muitos anos. Quando passava por Roma, os irmãos mandavam-no pregar ou disputar com os cardeais que o ouviam: era considerado por eles grande filósofo. Era espelho e modelo para todos os que o olhavam porque toda a sua vida era cheia de santidade e perfeitos bons costumes (Salimbene, n. 41).

Na seqüela de acusações infundadas de aderir às teorias de Joaquim de Fiore, Frei João soube afastar-se, retirando-se antecipadamente do governo da Ordem. Convocou o Capítulo Geral de Ara Coeli em Roma para 2 de fevereiro de 1257, também por ocasião de Pentecostes e assembléia capitular indicou como seu sucessor o desconhecido Frei Boaventura de Bagnoregio, com quarenta anos e também professor da universidade de Paris João se retirou para o eremitério de Greccio, famoso por ser sido cenário, da celebração do presépio por parte de São Francisco e que tinha acontecido trinta anos atrás.

O novo ministro Boaventura para mostrar claramente a estranheza da Ordem para com a doutrina joaquimista, convocou Frei João Buralli publicamente acusado de desvio doutrinal e suspeita de simpatia para com as doutrinas de Joaquim de Fiore acolhidas por muitos frades “espirituais”. Na cidade de Pieve de João foi submetido a um processo canônico ao qual se submeteu humildemente e diante do Cardeala protetor da Ordem Caetano Orsini pronunciou a fórmula de adesão aos artigos de fé do cncilio lateranense que condenavam as doutrinas joaquimistas. Em sua defesa interveio o Cardela Ottobono Fieschi, que anos depois seria eleito Papa com nome de Adriano V.

Concluído o processo, João voltou a Greccio onde viveu em solidão e austeridade por trinta anos com uns poucos frades, dedicando ao estudo e à oração e à redação de obras ascético-místicas. Houve quem atribuísse a João de Parma o Sacrum commercium sancti Francisci cum Domina Paupertae.

Depois em 22 de fevereiro seu confrade Frei Jerônimo de Ascoli foa eleito Papa com o nome de Nicolau IV, Frei João de Parma já na quadra de seus oitenta anos pediu autorização para retornar ao Oriente para tentar novamente terminar com o cisma. Tendo conseguido a licença se pôs a caminho até Ancona, onde deveria embarcar. Na cidade de Camerino foi acometido pela morte a 19 de março de 1289, sendo hóspede do convento local dos frades menores.


Toda a cidade participou de seus funerais que se demonstraram como apoteose tributada ao santo. Os restos foram transladados da igreja os frades em Camerino para a catedral da cidade. A ininterrupta veneração na Ordem, na cidade de Camerino, na cidade natal do frade em Parma foi reconhecida por Pio VI a 1º de março de 177 que aprovou seu culto e conferiu-lhe o título de beato.

(Tradução livre da obra Frati Minori Santi e Beati, publicação feita pela Postulação Gral da Ordem dos Frades Menores, 2009, p. 78-81)

20 de março de 2015

20/03 - Bem-aventurado Ippolito Galantini


Religioso da Ordem Terceira (1565-1619). Fundador da Congregação da Doutrina Cristã. Beatificado por Leão XII em 12 de julho de 1825.


Galantini Hipólito nasceu em Florença de uma família de trabalhadores muito honesta. Ele era um tecelão de pano e seguia a antiga tradição florentina. Sério, honesto, atencioso, dedicava as horas de folga no trabalho para a educação religiosa das crianças, especialmente as crianças de rua. Ele se juntou a outros artesãos também honestos. No ensino catequético mostrou aptidão de tal forma que o Cardeal Alessandro Medici, depois o Papa Leão XI, nomeou-o professor da doutrina cristã da Arquidiocese de Florença.


Desejoso de uma maior perfeição, pediu para ser admitido entre os Capuchinhos, mas devido a sua saúde não pode realizar seu sonho. Ele retomou sua atividade de ensino religioso com renovado vigor, enquanto ajudava seu pai no trabalho manual.
Em 14 de outubro de 1602 em um oratório, que doaram os seus concidadãos, tomou o hábito como terceiro franciscano e fundou a Congregação de São Francisco de Assis para a Doutrina Cristã. Em outras cidades, fundou congregações iguais, como em Lucca, Pistoia, Modena, Volterra e em outros lugares, onde permaneceu por algum tempo. Verdadeiro filho do povo, Hipólito foi inteiramente dedicado ao apostolado da instrução religiosa para as classes mais baixas. No campo prático do apostolado é, sem dúvida, uma das principais figuras. Pertenceram à sua Congregação personagens de posição social elevada, que nãom se sentiam humilhados em se juntar a ele, um trabalhador pobre, para se tornarem professores de catequese do povo.

Por 14 anos, ele sofreu de uma enfermidade atroz, que suportou com grande espírito de sacrifício e renúncia. Ele morreu em Florença, em 20 de março de 1619, aos 54 anos, chorado por todos. Tal era sua fama de santidade, que seu túmulo se tornou uma rota de peregrinações devotas. Pessoas de todas as esferas da vida pediamgraças a Deus pelos méritos de teu bem-aventurado servo.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

18 de março de 2015

18/03 - São Salvador de Horta


Religioso da Primeira Ordem (1520-1567). Canonizado por Pio XI em 17 de abril de 1938.


Este santo é realmente uma figura ímpar, um santo muito pobre, humilde, quase analfabeto, desprezado e até perseguido antes de ser reconhecido como o “grande taumaturgo do século XVI.”


Nascido na Espanha, em Santa Colomba de Farnés, perto de Gerona, em dezembro de 1520, de uma família pobre, pobre continuou ao longo de sua vida. Ele ficou órfão quando era adolescente, deixou sua terra natal para procurar trabalho em Barcelona, ??onde aprendeu sapataria e poderia se sustentar e também ajudar no sustento de sua irmã mais nova, Blasia. Uma vez casada, Salvador finalmente foi capaz de seguir sua vocação religiosa. De Barcelona foi para a Abadia de Montserrat, onde foi recebido pelos beneditinos, que esperavam tê-lo como um dos seus convertidos, mas a vocação de Salvador foi de extrema pobreza e humildade, por isso não vestiu o hábito beneditino, mas retornou a Barcelona e tomou o hábito franciscano.

Em 03 de maio de 1551 foi recebido no convento de Barcelona, ??onde ele rapidamente chamou a atenção dos religiosos para a sua grande piedade. A ele foram confiados os trabalhos mais simples e cansativos. Ao redor deste irmão humilde do convento, os milagres começaram a aparecer cada vez mais numerosos e barulhentos. Logo se viu diante da falta de compreensão de seus confrades e da hostilidade religiosa de seus superiores. Pensavam que o irmão estava endemoniado. Foi isolado e para liberar o demônio exorcizado. Mas os milagres continuaram e desconcertante caso foi levado para a Inquisição, que não se pronunciou. Ao contrário, o povo foi mais lúcido para reconhecer o sopro de santidade. Em torno do irmão desprezado se juntou uma multidão de carentes, doentes, aflitos, entre os quais se multiplicaram os feitos prodigiosos. Para removê-lo da curiosidade popular, Salvador foi transferido de convento para convento. Ele sempre manteve a calma em sua longa e humilhante peregrinação, feliz com seu trabalho e sua fervorosa oração.

De Tortosa foi enviado para Bellpuig, portanto há doze anos Horta, portanto, com outro nome, tinha a intenção de Reus, onde espera a perseguição ainda mais, um movimento adicional à Barcelona, ??casa da Inquisição. Uma vez que a Espanha não foi suficiente para esconder os seus milagres, com base na necessidade de irmãos na Sardenha, que então dependia da coroa espanhola, foi enviado para a ilha, o mosteiro de Santa Maria de Jesus, na temporada passada um calvário doloroso, onde para finalmente encontrei um verdadeiro paraíso de paz, nos últimos dezoito meses de sua vida. Ele morreu aos 47 anos no Cagliari, em 18 de março de 1567. Seu túmulo tornou-se famoso por seus milagres. A santidade que não foram capazes de reconhecer seus irmãos, sempre foi reconhecido pelo povo de Deus em todos os lugares onde ele foi enviado Frei Salvador. Seu corpo é venerado na igreja de Santa Rosália.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

17 de março de 2015

17/03 - Mártires da Irlanda


Bem-aventurados O’Devany Connor († 1612), Bispo e John Kearney (1619-1653), sacerdote da Primeira Ordem, Mártires da Irlanda.

Bem-aventurados O’Devany Connor, Bispo de Primeira Ordem, nascido em Rapphoe, Condado de Donegal, na sua juventude, tornou-se franciscano em 1550. Em 1582, o Papa Gregório XIII o consagrou Bispo de Down y Connor, na igreja de Santa Maria dell’Anima, em Roma, em 13 de maio. Em 1588 ele foi preso e passou vários anos na prisão. Liberado, ele continuou seu ministério, ignorando as dificuldades crescentes. Preso junto com P. Patrik O’Loughran, foram julgados em conjunto. Foram enforcados em 1º de fevereiro de 1612. Beatificado por João Paulo II em um grupo de 17 mártires irlandeses.


Beato John Kearney, sacerdote da Primeira Ordem, nascido em Cashel em 1619, filho de John e Elizabeth Creagh Nee. Killkenny tornou-se franciscano, estudou seis anos em Louvain, em Bruxelas, ordenou em 1642. Em 1644, ao voltar para a Irlanda, foi preso, torturado e condenado à morte. Ele escapou e voltou para a Irlanda através de Calais. Ele se dedicou ao ensino e à pregação. Preso na primavera de 1653, no processo em Clonmel, a acusação era que ele exerceu o ministério sacerdotal contra a lei. Enforcado em 21 de março de 1653. Beatificado por João Paulo II em um grupo de 17 mártires irlandeses.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

16 de março de 2015

16/03 - Servo de Deus Cândido Barbieri


Servo de Deus. Sacerdote da Primeira Ordem (1819-1907). Em processo de beatificação.

O padre Cândido Barbieri nasceu em Nonantola, província de Modena, no dia 11 de agosto de 1819. No batismo foi chamado de José. Completou seus estudos elementares e ginasiais na abadia beneditina local e continuou no Colégio dos Jesuítas de Modena. Aos 21 anos, atraído pelo ideal franciscano, entrou para o convento de S. Cataldo no dia 24 de setembro de 1840. Sacerdote no dia 23 de setembro de 1843, dedicou-se com fervor juvenil à pregação com grande proveito dos fiéis. Em 1852 foi nomeado superior do convento de São Francisco de Mirándola, onde de destacou na assistência aos enfermos da peste asiática.


Desejoso de salvar almas pediu para partir como missionário na América Latina. Esteve um ano em Roma no convento de São Pedro de Montorio para aprender espanhol e os costumes dos povos que haveria de evangelizar. No dia 18 de abril de 1856 embarcou com Frei Leonardo de Fanano, para iniciar a missão franciscana em Montevidéu.

Uma terrível epidemia pouco depois o privou de todos os seus confrades, que, um a um morreram em seus braços. Sem desanimar-se regressou à Itália e pediu ao Provincial e ao Ministro Geral o envio de novos missionários. Conseguiu 10 sacerdotes e alguns irmãos, que depois de um difícil viagem, em que estiveram a ponto de naufragar, chegaram a Montevidéu e foram acolhidos com muita alegria por aqueles a quem ele havia ajudado.
Depois de dois anos de intenso trabalho e dinâmica organização, viu-se no meio de uma guerra de calúnias, até ver-se obrigado a refugiar-se em Potosi, paternalmente acolhido e defendido pelo bispo, vigário apostólico do Uruguai. Em 1860 foi nomeado pároco de La Cruz, em Corrientes. Ali ergueu a nova igreja e durante 15 anos trabalho no meio dos silvícolas.

A revolução capitaneada por Francisco Solano López, que agitou o Uruguai, Argentina e Brasil, provocou muitas privações e sofrimentos também ao Pe. Cândido, que a duras penas conseguiu salvar a sua vida e de seus fiéis. Os revolucionários o amarraram durante três dias e três noites a uma árvore, e um deles fez em seu rosto uma ferida, cuja cicatriz levou por toda a sua vida.

No Brasil, sob a dependência do bispo do Rio Grande do Sul, que o encomendou o cuidado pastoral de São Luís das Missões em 1875, em 1876 S. Francisco de Borja, e em 1877 de São Patrício. Uma grave queda de um cavalo afetou sua saúde até o ponto de decidir regressar à Itália. Antes disso, o imperador do Brasil, Pedro II, o condecorou por seus méritos e lhe deu cidadania brasileira. Depois de 22 anos de apostolado missionário voltou em novembro de 1878 a Mirandola, onde voltou às suas pregações em povoados e cidades. Em 1885 foi nomeado pároco e superior em S. Cataldo de Modena, serviço que prestou durante 22 anos. Morreu aos 88 anos de idade no dia 9 de janeiro de 1907.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

15 de março de 2015

15/03 - Bem-aventurado Andrés Carlos Ferrari


Cardeal Arcebispo de Milão, da Terceira Ordem (1850-1921). Beatificado por São João Paulo II no dia 10 de maio de 1987.


Andrés Ferrari nasceu em Lalatta, diocese de Parma, no dia 13 de agosto de 1850. De pais humildades, frequentou o seminário, ordenou-se padre a 19 de dezembro de 1873.


Como pároco, teve especial cuidado com a juventude. Pouco tempo esteve à frente do trabalho paroquial, pois foi nomeado professor e reitor do seminário de Parma. Distinguindo-se por sua piedade, doutrina e direção de almas, Leão XIII nomeou-o Bispo de Gustalla, no dia 23 de Junho de 1890, não contando ainda 40 anos de idade. Foi tal o seu proceder à frente da pequena diocese que o mesmo Sumo Pontífice resolveu transferi-lo para outra maior e mais importante, a de Como.

Nos anos em que permaneceu nessa diocese, percorreu-a de lés a lés, visitando todas as freguesias, por menores e remotas que fossem. Empenhou-se sobremaneira na formação do clero e desenvolvimento da Ação católica. No consistório de 18 de maio de 1894, Leão XIII, que estimava o Bispo de Como, inclui-o no número de Cardeais, e três anos depois confiou-lhe o governo da Arquidiocese de Milão.

No dia em que foi nomeado Arcebispo dessa cidade, o Servo de Deus acrescentou o nome de Carlos ao de André, que recebera no batismo, para honrar S. Carlos Borromeu, Pastor imortal e glória da igreja milanesa. O que ele fez neste novo campo de apostolado, é-nos referido por João Paulo II na homilia que proferiu no dia da beatificação do Cardeal, a 10 de maio de 1987; «Cristo foi a “porta” da santidade para o cardeal André Carlos Ferrari que, depois de ter sido Bispo de Guastalla e de Como, dirigiu por cerca de 27 anos a Arquidiocese de Milão, seguindo com fervor apaixonado as pegadas dos grandes predecessores, Ambrósio e Carlos.

Sustentado por fé robusta e zelo iluminado, ele soube indicar com tino seguro o caminho a percorrer entre novas e difíceis realidades emergentes no contexto religioso e social do seu tempo. Soube ver os problemas pastorais, que as circunstâncias históricas apresentavam, com o olhar do Bom Pastor, indicando os modos para os enfrentar e resolver.
Visitou quatro vezes a vasta arquidiocese ambrosiana, indo às localidades mais distantes e inacessíveis, mesmo a cavalo e a pé, onde deste tempo imemoriável não se tinha visto um Bispo. Por esta razão, ante a sua pastoral incansável, alguns diziam: “S. Carlos voltou”. A solicitude do Pastor foi expressa também na promoção de formas novas de assistência, adequadas às mudanças dos tempos e aos jovens abandonados, os trabalhadores e os pobres”.

O bem-aventurado André Carlos Ferrari faleceu em Milão, no dia 2 de Fevereiro de 1921. Amou a São Francisco e o franciscanismo, apreciou a carismática figura de P. Lino Maupas, e animou o Padre Agustín Gemelli na fundação da Universidade Católica do Sagrado Coração de Milão. Tornou-se terceiro franciscano no dia 30 de junho de 1876 e um ano depois fez a sua profissão. Em 1965 foram exumados seus restos e se encontravam ainda intactos.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

14 de março de 2015

14/03 - Bem-aventurada Josefina Gabriela Bonino


Fundadora das Irmãs da Sagrada Família de Savigliano (1843-1906).


Nasceu em Savigliano, no Piemonte, e, sob a proteção da Sagrada Família de Nazaré fundou uma congregação religiosa para educar órfãos e assistir aos enfermos pobres.
Educada religiosamente no seu lar, aprende, com as palavras e o exemplo dos pais, o amor, o respeito e a generosidade para com os pobres e os necessitados.
Indo morar para Turim, recebe a educação com as Irmãs de S. José, progredindo na sua vida espiritual com a oração e os sacramentos.
De novo em Savigliano, cuida do seu pai doente até que ele morra e continua as suas práticas de vida cristã.

Aos 18 anos fez voto temporal de castidade; então, com o desejo de desprender-se mais das comodidades familiares, ingressa na Ordem Terceira Carmelita e, pouco depois, na Oedre Terceira Franciscana. Dedicou-se a colaborar nas obras paroquiais. Doente com uma neoplasia na coluna vertebral, submeteu-se a uma dolorosa cirurgia sem que produzisse efeito a anestesia aplicada. A sua cura foi considerada milagrosa, e foi a Lourdes em ação de graças à Santíssima Virgem. Depois da morte da sua mãe, consagra-se à obra “Colombo” em favor das meninas órfãs de Savignano, trabalho que é criticado pela “gente bem” da sua terra natal.


Finalmente decide-se a fundar um instituto religioso para a educação das órfãs, para a sua formação escolar e religiosa, e para o serviço dos enfermos pobres. Com a idade de 38 anos vem a ser Superiora do seu Instituto, cargo que desempenhará com prudência e sabedoria até à morte.


Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

13 de março de 2015

13/03 - Bem-aventurado Angelo de Pisa


Sacerdote da Primeira Ordem (1194-1236). Leão XIII aprovou seu culto no dia 4 de setembro de 1892.

Agnelo de Pisa é a glória não só de Pisa, sua cidade natal, senão de Oxford, onde morreu em 1236. Percorrer, através de seus pés descalços seu itinerário entre o Arno e o Tamesis é seguir uma das etapas mais importantes da difusão do franciscanismo na Europa. O jovem Agnelo conheceu São Francisco em Veneza e foi um dos muitos atraídos por sua palavra e exemplo. Seguindo-o descalço, por amor da Dama Pobreza, logo mostrou seus dotes de ótimo organizador e realizador, apesar da modéstia de verdadeiro franciscano, que conservou durante toda a sua vida.


Por isso foi enviado muito jovem para a França pelo mesmo São Francisco, com um grupo de irmãos destinados a fundar os primeiros conventos franciscanos em Paris. Frei Agnelo foi o primeiro custódio, o superior das casas ali fundadas por ele, dando provas de grande zelo e de exemplar sabedoria.
Por isso, no Capítulo Geral de 1223, São Francisco o incumbiu de uma tarefa todavia mais exigente: a conquista espiritual de todo um país, a Inglaterra, fundando ali uma Província Franciscana.

Frei Agnelo desembarcou em Dover com oito companheiros, a 10 de Setembro de 1224. Já nos finais daquele ano dois conventos haviam sido fundados por ele; um em Cornhill, perto de Londres, outro em Oxford. Nos anos seguintes as casas franciscanas se multiplicaram na Inglaterra a despeito de todas as previsões.
Frei Agnelo compreendeu a importância dos estudos e do ensino para o porvir da Ordem e de sua Província de Oxford, onde ele havia fundado o segundo convento, era e ainda hoje permanece – o maior centro universitário do país.

Os Dominicanos já haviam ali uma casa de estudos; o mesmo fizeram poucos anos depois os franciscanos com Frei Agnelo, que convidou a ensinar teologia ali o próprio chanceler da Universidade, Roberto Grossatesta. A escola franciscana de Oxford logo adquiriu grandíssimo destaque e assim permaneceu nos séculos que seguiram.
Toda a província franciscana da Inglaterra adquiriu renome por sua virtude e doutrina. Tanto êxito, no entanto, não diminuíram a humildade de Frei Agnelo, que não se ensoberbeceu, nem mesmo ao ser escolhido conselheiro do Rei Henrique III, ou ainda ao se tornar o sábio mediador nas controvérsia políticas e diplomáticas. Por obediência aceitou a ordenação sacerdotal.

Como padre provincial foi a Assis para o capítulo de 1230, voltando em seguida para a Inglaterra. Pouco depois morreu com a idade de 42 anos, em Oxford, no ano de 1236. Sua fama de santidade prontamente rodeou esse inglês de Pisa, símbolo vivente da unidade espiritual dos dois países. Leão XIII a 4 de Setembro de 1892 aprovou seu culto.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

12 de março de 2015

12/03 - São Luís Orione


Sacerdote da Terceira Ordem Franciscana (1872-1940). Fundador da Pequena Obra da Providência.

Orione é um dos maiores e mais conhecidos dos apóstolos da caridade do nosso tempo, que nos deu um luminoso testemunho de amor a Cristo e aos irmãos, mediante uma profunda fidelidade e devoção à Santa Igreja de Roma e ao Papa.


Nascido em Pontecurone, em 23 de junho de 1872, de uma família muito pobre, mas de uma fé viva, grande honestidade e assíduo trabalho.

Muito cedo sentiu o impulso para a vocação sacerdotal e religiosa. Passou seis meses com os frades franciscanos de Voghera; porém, o Senhor, não lhe reservava a vocação de frade franciscano. Amava a São Francisco e seu ideal de pobreza evangélica. Em toda a sua vida procurou viver seus exemplos e a espiritualidade franciscana. Ingressou na Ordem Terceira.

Durante três anos foi aluno entusiasta de São João Bosco, estando com ele na hora de sua morte. Também o Senhor não o queria salesiano. No seminário diocesano de Tortona preparou-se para o sacerdócio. Aos vinte anos encontrou-se com um jovem expulso da catequese por indisciplina e daquele encontro nasceu sua congregação: a Pequena Obra da Divina Providência. Desta surgiu o ramo feminino com o nome de Pequenas Missionárias da Caridade.

Em 1903, Dom Orione recebeu a aprovação canônica aos “Filhos da Divina Providência”, Congregação Religiosa de Padres, Irmãos e Eremitas da Família da Pequena Obra da Divina Providência. A Congregação e toda a Família Religiosa propunham-se a “trabalhar para levar os pequenos os pobres e o povo à Igreja e ao Papa, mediante obras de caridade”.

Dom Orione teve atuação heroica no socorro às vítimas dos terremotos de Reggio e Messina (1908) e da Marsica (1915). Por decisão do Papa São Pio X, foi nomeado Vigário Geral da Diocese de Messina por 3 anos. Vinte anos depois da fundação dos “Filhos da Divina Providência”, em 1915, surgiu como novo ramo a Congregação das “Pequenas Irmãs Missionárias da Caridade”, Religiosas movidas pelo mesmo carisma fundacional.

O zelo missionário de Dom Orione cedo se manifestou com o envio de missionários ao Brasil em 1913 e, em seguida, à Argentina, ao Uruguai e diversos países espalhados pelo mundo. Dom Orione esteve pessoalmente como missionário, duas vezes, na América Latina: em 1921 e nos anos de 1934 a 1937, no Brasil, na Argentina e no Uruguai, tendo chegado até ao Chile. Foi pregador popular, confessor e organizador de peregrinações, de missões populares e de presépios vivos. Grande devoto de Nossa Senhora, propagou de todos os modos a devoção mariana e ergueu santuários, entre os quais o de Nossa Senhora da Guarda em Tortona e o de Nossa Senhora de Caravaggio; na construção desses santuários será sempre lembrada a iniciativa de Dom Orione de colocar seus clérigos no trabalho braçal ao lado dos mais operários civis.

Em 1940, Dom Orione atacado por graves doenças de coração e das vias respiratórias foi enviado para Sanremo. E ali, três dias depois de ter chegado, morreu no dia 12 de Março, aos 68 anos, sussurrando suas últimas palavras: “Jesus! Jesus! Estou indo.”

Vinte e cinco anos depois, em 1965, seu corpo foi encontrado incorrupto e depositado numa urna para veneração pública, junto ao Santuário da Guarda, em Sanremo na Itália.

O Papa Pio XII o denominou “pai dos pobres, benfeitor da humanidade sofredora e abandonada” e o Papa João Paulo II depois de tê-lo declarado beato em 26 de outubro de 1980, finalmente o canonizou em 16 de maio de 2004.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

11 de março de 2015

11/03 - Bem-aventurado João Batista de Fabriano



Sacerdote da Primeira Ordem (1469-1539). Seu culto foi aprovado por Leão XIII no dia 7 de setembro de 1903.


Nasceu em Fabriano, na nobre família Righi, por volta de 1470, João viveu a espiritualidade cristã no seio da família, num ambiente verdadeiramente medieval.


Professou na Ordem Franciscana e viveu no convento de Forano; mais tarde, para alcançar maior perfeição, fez-se eremita numa gruta chamada «La Romita», em Massaccio. Viveu na penitência e na austeridade, rezando, lendo os Padres da Igreja e entregando-se às pessoas com quem contatava.

Morreu em 1539 e está sepultado na igreja franciscana de São Tiago della Romita em Ancona, onde é venerado.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

10 de março de 2015

10/03 -Mártires franciscanos na Etiópia - Bem-aventurados Liberato de Weiss (1675-1716), Samuel Marzorati (1670-1716) e Miguel Pio da Zerbo (1676-1716)


Sacerdotes missionários franciscanos na Etiópia, mártires da Primeira Ordem.São João Paulo II os proclamou bem-aventurados na Basílica Vaticana, no dia 20 de novembro de 1998, solenidade de Cristo Rei.

Liberato Lourenzo Weiss, nasceu em Konnersreuth, Baviera, a 4 de Janeiro de 1675. Aos 18 anos fez-se franciscano. Ordenado sacerdote foi enviado como missionário a Etiópia.


Samuel Antonio Francisco Marzorati, nascido em Biuno Superior, perto de Varese, a 10 de Setembro de 1670, fez-se franciscano aos 22 anos a 5 de março de 1792, em Lugano, Suiça. Ordenado sacerdote, depois de um período de apostolado em sua pátria, foi enviado como missionário a Etiópia, onde sofreu o martírio.

Miguel Pio Fasoli, nasceu em Zerbo, perto da Parvia, a 3 de maio de 1676. Feito franciscano e sacerdote, exerceu seu apostolado em sua pátria por algum tempo e depois partiu como missionário para a Etiópia. Sofreu o martírio com os outros dois companheiros.
Estes três irmãos desenvolveram juntos um largo apostolado na Etiópia, no meio de contradições e perseguições. Com a conivência do imperador foram lapidados barbaramente por uma multidão. Antes do martírio fizeram a profissão de fé cantando o Magnificat e saíram ao encontro da morte, depois de terem pregado o Evangelho na Etiópia com a palavra e o serviço aos humildes necessitados.
Em 1716 desencadeou-se a perseguição contra os católicos e os missionários eram aprisionados e incitados a apostatar da fé católica.
Recusando-se, estes beatos foram assassinados em Aba, a 3 de Março de 1716.

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.

9 de março de 2015

09/03 - São Luís Ibaraki

Mártir japonês, terceiro Franciscano (1586-1597). Canonizado por Pio IX no dia 8 de junho de 1862.

Luís de Ibaraki, menino de 11 anos, é como a obra mestra pedagógica da escola de São Pedro Batista e de seus coirmãos. Órfão de pai e mãe, tinha vivido com seus tios, que o acolheram em casa como filho. Logo foi recomendado aos santos Leão Karasuma e Paulo Ibaraki, que foram seus preceptores.


Desejando fazer-se franciscano e sacerdote, foi recebido no seminário. Foram seus grandes amigos e colegas de martírio S. Antônio de Nagasaki, de treze anos e Santo Tomás de Kosaki, quinze anos. Sereno, cordial, afável passou como um meteoro de luz. Viveu como um anjo.

 Sempre o primeiro na oração, era acólito, cantor, servia com fervor na Santa Missa e ensinava catecismo aos meninos menores que ele, São Pedro Batista, deu-se conta rapidamente de sua boa índole e o mantinha sempre consigo nas celebrações litúrgicas e nas obras de assistência e de evangelização.

Seu fervor suscitava admiração até mesmo nos pagãos. A um nobre que tentou persuadi-lo a afastar-se da fé, respondeu: “Jamais me afastarás de minha fé, que me está muito arraigada. Antes, por que não te fazes cristão? Encontrarás o segredo da felicidade!”

A 3 de janeiro de 1597 começou a difícil viagem até Nagasaki. Em várias cidades foi exposto com os demais à burla do povo. No entanto, muita gente mostrava simpatia pelos mártires, especialmente pelo menino. Em Corazu, no caminho de Nagasaki, o governador Fazamburo tratou de convencer Luís a abandonar a fé e lhe ofereceu riquezas e honras para fazê-lo apostatar.

Ele respondeu que estava feliz por renunciar à sua vida e morrer por Jesus. Nos últimos dias os padres Francisco Pasio e João Rodrigues o assistiram. Recusou uma nova tentativa do governador que o incitava a renegar a Cristo em troca da vida e de riquezas. Ele respondeu: “De maneira alguma abandonarei a este Cristo que me está abrindo as portas do céu e me envia seus anjos para colocar em minha cabeça uma coroa de fúlgida glória. Fica tu com tuas riquezas que não quero. Contento-me somente com as do céu”.

Chegando à santa Colina de Nagasaki, beijou a cruz na qual deveria ser atado e martirizado. Recitou com Antônio e Tomás o salmo: “Louvai, meninos ao Senhor – Laudate pueri Dominum…”. Antes de ser atravessado pelas lanças dos soldados, gritou: “Paraíso! Paraíso!”

Fonte: “Santos Franciscanos para cada dia”, Ed. Porziuncola.