3 de janeiro de 2014

Deus desceu misericordiosamente com sua graça

Reflexão sobre o Sagrado Coração de Jesus para a primeira sexta-feira do mês. 

Por Frei Almir Ribeiro Guimarães , OFM

 A piedade cristã se compraz em contemplar o amor do Redentor de modo particular nas primeiras sextas-feiras de cada mês, dia consagrado ao Coração de Jesus. Os discípulos do Senhor Jesus se detêm diante do peito dilacerado do Senhor Jesus e se deixam purificar com águas salutares que brotam desse Coração cheio de graça.

cruz

 No tempo do Natal e da Epifania entramos em contato com o tema da bondade do Senhor que se manifesta na singeleza de um Deus que se torna criança, na kenosis do  Senhor. Aquele que sobe às alturas da cruz é o mesmo que desceu até nós na encarnação. 

Santo  Agostinho: “O Criador tornou-se criatura para encontrar o que estava perdido. Por isso, o homem confessa nos salmos:  Antes de ser humilhado, eu pequei (cf. Sl  118, 67). O homem pecou e tornou-se culpado; Deus nasceu como homem para libertar o culpado. O homem caiu mas Deus desceu. O homem caiu miseravelmente, Deus desceu misericordiosamente. O homem caiu por orgulho, Deus desceu com sua graça” (Santo Agostinho,  Liturgia das Horas I, p. 486-487).

Agostinho fala do pecado do orgulho, aliás, o mais grave e único pecado.  O homem quer ser Deus, quer ser dono absoluto de seu destino, quer ter em mãos todas as cordas de sua vida. Compreende-se que as pessoas devam ser educadas para a garra, para a fortaleza, para o empreendimento. 

Não podemos defender uma espiritualidade cristã de seres que vivem se apagando, negando sua dignidade, renunciando ao esforço, negando sua nobreza de criaturas do Altíssimo.  Há, no entanto, essa tentação da autossuficiência, do homem que se coloca à frente, superior aos outros, esse homem que come do fruto da árvore porque quer ser como um Deus. “O  homem caiu por orgulho,  Deus desceu com sua graça”.

O Deus que chega perto dos homens vem de mansinho, sem aparato. Nasce num canto do Oriente sem atabaques e fanfarras. Ele é uma criança com todas  as carências das crianças.  Mais tarde prestará atenção em todos.  Pousará o seu olhar no que é pequeno: no pecador Zaqueu e na mulher pobre que coloca no cofre do templo tudo o que possui. E ao longo de sua vida  mostrará o tesouro de sua misericórdia:  sacia os famintos, cura os doentes, perdoa os pecadores,  acolhe em seu regaço os pródigos. “O homem caiu por orgulho, Deus desceu com sua graça”.

E lá está ele, indefeso, suspenso na cruz entre o céu e a terra. O que desceu no presépio é levantado no madeiro. Perto dele um ladrão sente no coração o arrependimento. Volta-se para aquele que está preso, que se movimenta na cruz sofrendo desconforto. Pede ainda misericórdia ao Senhor.  “Hoje mesmo estarás comigo no paraíso”. Deus desceu com sua misericórdia. “O homem caiu por orgulho, Deus desceu por misericórdia”.



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