26 de janeiro de 2014

O coração do homem que era uma fornalha de amor


Transcrevemos hoje umas poucas linhas de São Boaventura  em sua Legenda Maior na qual ele, com seu jeito  cheio de unção, fala de aspectos da comunicação da palavra ao povo feita por nosso Pai: “O Espírito do Senhor,  que ungira a Francisco e o enviara, e o próprio  Cristo, virtude e sabedoria do Pai, haviam derramado tão copiosamente  seus dons sobre ele,  que podia comunicar por sua palavra a doutrina autêntica de ambos e desenvolver seu poder em milagres estupendos. 

Sua palavra era como um fogo ardente que penetrava até o fundo dos corações e enchia de admiração a todos os ouvintes, pois não exibia as galas de uma eloquência mundana, mas apenas espalhava o bom odor das verdades reveladas por Deus. Sucedeu certo dia, com efeito, que devendo pregar diante do próprio papa e dos cardeais, por encargo do bispo de Óstia, compôs um sermão, que aprendeu cuidadosamente de cor.  

Mas ao chegar o momento de se apresentar de pé diante da assembleia para pronunciar o discurso, esqueceu-o completamente e não pôde dizer uma palavra sequer do que escrevera.  Confessou o santo  com a  maior humildade o que lhe sucedia. 

 Recolheu-se uns breves  momentos para implorar as luzes do Espírito Santo e começou a expressar-se  com tanta fluência, com raciocínios tão eficazes, que moveu à compunção as ilustres pessoas que o ouviam, mostrando-se bem às claras que não era ele, mas o Espirito Santo,  quem falava por sua boca”   (Legenda Maior de São Boaventura  12, 7).

Frei Almir Ribeiro Guimarães

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